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Conceição Gonçalves: Gostaria de ser escritora a tempo inteiro

ENTREVISTAS - Escritores

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Conceição Gonçalves nasceu em Trás-os-Montes, distrito de Vila Real, concelho de Boticas, freguesia de Alturas do Barroso. Enquanto estudante na área das Humanidades, passou por vários estabelecimentos de ensino de crianças e adolescentes institucionalizados. Teve, ainda, uma experiência na área da restauração, mas permaneceu sempre ligada ao ensino e à educação. A partir de 1985,  dedicou-se, a tempo inteiro, a esta actividade. Durante estes quase 30 anos, adquiriu um Jardim de Infância, criou um Centro de Estudos, para receber alunos em horário pós-escolar e fundou a Academia de Artes de Lisboa. Ela defende, como primado e pensamento: todo o trabalho com crianças e adolescentes, reside na educação através das Artes : teatro, música, dança, desenho, pintura, etc. Para ela, sem Arte, não há Educação. Entretanto, criou a Editora Obnósis para dar voz a todos aqueles  que desejem publicar os seus trabalhos.

Como e quando começou a interessar-se por literatura?

Desde sempre. Comecei a escrever com 15 anos e fui guardando o que escrevia, por achar que o que me saía não teria qualquer interesse para as pessoas. Só agora, há 2 anos, decidi começar a publicar. Tenho cerca de 10 livros escritos. Lembro-me da primeira em que fiz uma redacção e, depois de corrigida, a minha professora da 3ª classe, leu-a para a classe. Fiquei muito envergonhada. Quando acabou disse: - isto é muito belo, deves escrever mais...mas sem erros! Este input foi decisivo... 

Por que motivo resolveu escrever livros?

A decisão foi difícil e demorou, pelo menos, 15 anos, porque andei a tentar perceber porque escrevia, para quê e por último, o que é que isso aditava ou subtraía à minha vida e à dos outros. Primeiro porque quase tudo o que escrevo só tem a ver comigo, por ser na minha cabeça que tudo isso sobrevém. Depois pensei que era necessário colocar tudo isso cá fora, por presumir que estes escritos, incitarão interesses e despertarão emoções. Também, percebo agora que a comunicação é um “solvente" e, pode ser que ao lerem o que faço, se dissolvam coisas daquelas indesejáveis, que ninguém quer ter. Se há algo para dizer, é sempre melhor expô-lo. Segundo, porque tenho muito prazer em escrever e, por fim, porque houve meia dúzia de pessoas, não mais, que se acharam muito entusiasmadas ao leram e, instaram-me editar para outros sentirem a mesma agitação...

Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

Gostei de ter escrito tudo o que escrevi. O "Contrabando", por ter sido o primeiro a ser publicado, é como se tivesse sido o primeiro amor... 

Em que é que se inspira para escrever um livro?

Na vida.  Acontece mais ou menos assim: "Eis que me surgiu uma ideia, pego na “caneta” e situo-me diante de mim, olho-me muito bem e começo a escrever o que vejo, diante de mim. É como se estive a um metro de distância, de mim, das imagens, das histórias…histórias de vidas reais e irreais, sendo que o imaginário não é menos verosímil que o verídico, são apenas formas diferentes de ver a “coisa”…

Se não fosse escritor, o que gostava de ser? 

Escritora! Infelizmente não consigo viver só disso. Gostaria de o fazer a tempo inteiro. Porém a actividade que tenho também muito gratificante - tenho escolas e trabalho com crianças, onde o projecto do meu trabalho, assenta, essencialmente nas artes.  

Quais são seus autores preferidos? 

Camões, Pessoa, Eça, Guerra Junqueiro, Almada Negreiros, J. Cardoso Pires, Lobo Antunes, Agustina B. Luís, Pedro Tamen...

Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor? 

Que escreva!

Para quando um novo projeto editorial?

A meados de Março vai sair: "À Margem". Em Setembro sairá o 3º livro, que ainda não tem titulo.


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Teresa Duarte Reis: Até aqui tenho escrito com inspiração

ENTREVISTAS - Escritores

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Teresa Duarte Reis nasceu em Unhais da Serra, em 1947. Fez o Curso Complementar dos Liceus, na Covilhã e o curso do Magistério Primário em Castelo Branco. Licenciou-se em Comunicação Social, na Universidade da Beira Interior. Integrou, como vogal, o Conselho Diretivo da EB2 Pêro da Covilhã de 1980 a 1985 e foi Presidente do Conselho Pedagógico na Escola de S. Silvestre, 1º Ciclo, em 2000/2001. Entre os anos 1880/1995 tomou parte no projeto de organização da Biblioteca e Mediateca Escolar da Escola Primária do Teixoso e participou na organização de Feiras de Livro e de Jornais escolares nas escolas onde lecionou. Escreveu e publicou Poesia: “Arco – Íris” 2005 e “Ecos do Meu Pensar” e Infanto-Juvenil: “Os Duendes no Quintal do Sr. Joaquim” (peça musicada por Hugo Santos – com a publicação do Conservatório Regional de Música da Covilhã, 2005), “Pequenos contos de Natal” (2007), “Cores de um pé de vento” (2008), “Os Duendes e a Proteção do Meio Ambiente” (2008, também com Hugo Santos) e “Janela” (2011). Está, neste momento, a publicar o Estudo do Meio do 1º Ciclo em poesia. Participou em vários concursos, que incluíram poemas em coletânea. É sócia da Associação Portuguesa de Poetas. Tem participado em Encontros de Literatura e Cultura e apresentado os seus livros em atividades com crianças e adolescentes em muitas Bibliotecas Municipais e Escolas de 1º e 2º e 3º Ciclos de quase todo o País.          

Livros & Leituras  – Como é que a escrita entrou na sua vida e que papel ocupa?

Teresa Duarte Reis – De miúda gostava de “dar aulas” nas brincadeiras com os amigos. No Liceu, era sempre destacada para declamar ou criar poemas. Fui Professora no 1º e 2º Ciclos e sempre apaixonada pela poesia. Tinha muitos poemas que ia usando na Escola para os alunos e publiquei o 1º livro de poemas “Arco-íris”, três anos depois de me aposentar. A poesia é-me particularmente cara e daí, espontânea. As obras de caráter infanto-juvenil começaram a crescer com as histórias que contava às minhas netas, quando a Francisca me dizia: “Avó, conta uma história das tuas…mas das tuas inventadas!”. Então, pensei como elas poderiam ser boas também para as outras crianças. Ainda agora, as netas são as minhas críticas e colaboradoras. Escrever fez sempre parte da minha vida, mas agora, mais facilmente posso dedicar-me à escrita.

L&L – Escreve por inspiração ou objeto de um trabalho apurado e consciente? 

TDR – Até aqui, tenho escrito por inspiração, tanto na poesia como nas histórias que vão surgindo conforme o momento. Na tentativa de romance que estou a fazer, trabalho com algum cuidado e peso os momentos da obra que vai surgindo.

L&L – No seu entender, há uma verdadeira comunidade de escritores lusófonos, unidos em torno da Língua Portuguesa, sem fronteiras de nacionalidade?

TDR – Sinto que sim, na medida em que encontro escritores dedicados e profundos nos vários países onde a Língua Portuguesa é “Mãe”. Admiro Carlos Drummond de Andrade, gosto e aprecio a obra de Clarice Lispector, Gilberto Gil... Tanta alma bela na escrita, na poesia portuguesa.

L&L – De que forma pode a Literatura reforçar os laços no espaço da Lusofonia?

TDR – Encontros, concursos de poetas ou escritores lusófonos serão algumas das vias. A Língua é um forte elo de ligação dos povos, das gentes e das culturas e facilita o encontro de todos os falantes e amantes da mesma. Escritores são de certo modo almas gêmeas, enquanto a escrita é o seu lema.

L&L – Enquanto escritor(a), que dificuldades encontra, no que diz respeito à edição e divulgação do seu trabalho?

TDR – Já editei sete obras, sempre em edição de autor. Ainda não tive facilidade nas edições. Contactei muitas editoras e tive as mais variadas respostas: “Não temos verba”; “Não podemos comprometer-nos, pois temos escritores “nossos” ou “Não publicamos poesia”. Publico desde 2005 e só tive a oferta de uma editora que complicava tanto os pagamentos que não cheguei a aceitar e outra para a qual estou a preparar trabalho, pois prometeu publicação, embora ainda desconheça as suas diretrizes.

L&L – Que estratégias de incentivo à leitura gostaria de ver implementadas?

TDR – Livros oferecidos como prémio em concursos, nas Escolas e Universidades; publicações apensas a jornais; livros de leitura livre em centros comerciais, cafés, esplanadas, carinhas ambulantes… Enfim, muitas destas estratégias já vão surgindo.

L&L – Acha que o uso das novas tecnologias desvaloriza os encontros com escritores e outras atividades presenciais, nomeadamente, o contacto com os leitores?

TDR – À partida pode parecer-nos que isso sucede, sim. Mas nas Escolas, incentiva-se cada vez mais o encontro com Escritores e o meu contacto com estas realidades revela-se muito prometedor. Ainda continuo a sentir que as Escolas fazem “festa” na chegada do escritor.

L&L – Tem preferência pelo livro em suporte de papel ou crê que os suportes digitais são o futuro?

TDR – Pessoalmente, prefiro o suporte papel e creio que ele vai vencer, não só pelo “cheiro” das palavras como pela “liberdade” e proteção do olhar. Estou convencida de que o livro vencerá.

L&L – Para os leitores que estiverem a pensar em ler um livro seu, pela primeira vez, qual aconselha e porquê?

TDR – Ao leitor que goste de poesia sugiro “Ecos do meu Pensar” que apresenta poesia de várias “cores” e já uma poesia mais adulta. Aos mais pequenos sugiro: “Os Duendes…”, 1º ou 2ºvolume, pela riqueza da poesia, da música e da mensagem e ainda “Janela” pelo contacto com outros povos e culturas, uma janela aberta ao mundo e aos outros.

L&L – Que projetos literários tem para o futuro?

TDR – Mais poesia, mais infanto-juvenil, para breve. Alguns contos e um romance, ainda em projeto.

L&L — Depois de ter visitado o site da revista “Livros & Leituras” (http://www.livroseleituras.com/web/), que opinião tem deste projeto editorial? (esta pergunta não será incluída na entrevista, será colocada no livro de visitas da revista)

TDR – A Livros e Leituras parece-me reveladora de projetos muito variados, abrangendo pessoas e conceitos vários, promovendo nomes mais e menos conhecidos… Enfim, considero abrangente e inovadora, como uma “janela” aberta para o livro e deste para os leitores, valorizando os escritores enquanto pessoas.  


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Jorge Vicente: "As livrarias não apostam na poesia"

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Jorge Vicente nasceu em 1974, em Lisboa, e desde cedo se interessou por poesia. Mestrando em Ciências Documentais e em processo de formação na Escola de Biodanza de Portugal, tem poemas publicados em diversas antologias literárias, revistas e participa ativamente nos fóruns de discussão Encontro de Escritas, Amante das Leituras e CantOrfeu. O seu primeiro livro de poesia, “Ascensão do Fogo”, foi publicado em 2008, sendo seguido por “Hierofania dos Dedos”, editado sob a chancela da Temas Originais, em 2009. Mantém ativo blog: http://jorgevicente.blogspot.com

Livros & Leituras  – Como é que a escrita entrou na sua vida e que papel ocupa?

Jorge Vicente – Entrou muito cedo, aos 10 anos. Aquelas velhas questões: amores de criança, de adolescente que nos iniciam nessa longa caminhada que é a escrita. Foi, porém, apenas em 2002 que iniciei a publicação de escritas, primeiramente em antologias, depois em livros a solo. Neste momento, ocupa um papel central. Não direi que é a atividade mais importante: viver suplanta tudo. Mas direi que faz parte desse todo que é viver. É uma parte maravilhosa desse ofício de viver.

L&L – Escreve por inspiração ou objeto de um trabalho apurado e consciente? 

JV – Das duas maneiras. Se, por um lado, não acredito na inspiração, por outro não acredito naquele labor incansável de mudar um texto aqui, outro texto ali. A inspiração é algo externo e, por isso, é como se a escrita fosse um sopro das musas que vem até nós, sem que haja um esforço consciente do nosso corpo para elas nos visitarem. No trabalho laborioso, por seu lado, perde-se a espontaneidade daquela escrita que aparece. Acredito, isso sim, que nós temos a escrita inscrita em nós e que precisamos encontrar a forma para ela se revelar, através do nosso próprio corpo. E o esforço é esse: encontrar o espaço certo para ela se revelar.

L&L – No seu entender, há uma verdadeira comunidade de escritores lusófonos, unidos em torno da Língua Portuguesa, sem fronteiras de nacionalidade?

JV – Talvez. Nunca pensei muito nisso. Acho que o mais importante é haver uma comunidade humana, que suplante a comunidade dos países. A língua é muito importante, mas é ainda mais maravilhoso quando deixamos que aquilo que está para além da linguagem se revele. O afeto, o olhar, a troca de abraços. A comunidade é isso e a comunidade lusófona deve também ser isso. E é, de certeza!

L&L – De que forma pode a Literatura reforçar os laços no espaço da Lusofonia?

JV – Se a literatura for um meio de expressar afeto, vida e espiritualidade, é um meio fantástico de reforçar todos os laços. Se a escrita for apenas um meio de vender livros, nunca poderá reforçar laços a não ser que os autores se permitam entrar dentro desse espaço de afetos.

L&L – Enquanto escritor(a), que dificuldades encontra, no que diz respeito à edição e divulgação do seu trabalho?

JV – Tenho muitas dificuldades. As editoras estão com graves dificuldades financeiras, as livrarias não apostam na poesia, as pessoas não compram livros de poesia, muitas dificuldades. Mas o que aprendi (e essa aprendizagem é um processo só meu) é que se tivermos a ousadia de expressar toda a nossa vida (não autobiografia) nos nossos textos, mesmo que o livro não tenha editora não é assim um problema tão grave. Publicaremos, então, em pequenas edições, em edições artesanais, de qualquer maneira!

L&L – Que estratégias de incentivo à leitura gostaria de ver implementadas?

JV – Conjugar leitura com dança. Tornar a leitura vivencial, com sabores, cheiros, toques, sensações várias. Fazer leituras públicas em jardins em que tanto os autores, como quem ouve a leitura, possam tocar na terra e misturar as palavras com essa terra. Tornar a leitura comestível, por assim dizer.

L&L – Acha que o uso das novas tecnologias desvaloriza os encontros com escritores e outras atividades presenciais, nomeadamente, o contacto com os leitores?

JV – Não desvaloriza, mas pode desvalorizar. Desvaloriza quando o contacto com os leitores apenas se faz nesse espaço virtual. O escritor dá a impressão, nesses casos, de que a sua escrita é virtual, afastada das pessoas. Valoriza no sentido de que é um instrumento imprescindível de contacto e partilha. Podemos, assim, contactar com leitores de todos os países, de todos os continentes! E outra coisa: que as novas tecnologias sejam, também, uma forma privilegiada de a própria teoria poética do autor se manifestar. Aliás, toda a vida do autor é uma Arte e uma teoria poética.

L&L – Tem preferência pelo livro em suporte de papel ou crê que os suportes digitais são o futuro?

JV – Tenho preferência pelo livro em suporte papel, apesar de achar os suportes digitais maravilhosos. É que adoro cheirar livros!

L&L – Para os leitores que estiverem a pensar em ler um livro seu, pela primeira vez, qual aconselha e porquê?

JV – Aconselho o próximo que deve sair em Novembro. Porque o meu caminho mudou, porque a minha escrita mudou, porque acho que é o mais bem conseguido. Nada contra os outros: são o resultado de um processo vivencial e literário e fazem parte da minha história de vida, mas neste novo acho que me suplantei.

L&L – Que projetos literários tem para o futuro?

JV – Tenho muitos projetos literários, tantos que acho que não tenho assim tantas vidas para realizá-los. Tenho um projeto de um livro chamado “Comunidade humana” em que faço a apologia dessa imensa comunidade humana; tenho um projeto chamado “Casa de la Ronda”, que é um projeto utópico de uma casa-poema; tenho o projeto de um livro em que incorporo o mito de Dioniso e de Pan na minha própria corporeidade; tenho um projeto de um livro de poemas mais pequenos, quase máximas.


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Susana Campos: "Cada escritor ainda se encontra muito voltado para a sua própria escrita"

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Susana Campos nasceu em Coimbra. Mestre em Serviço Social, é assistente social desde 1999. Iniciou a sua caminhada na escrita com o lançamento do livro “Lua Azul”, editado em Setembro de 2011. Editou o “Nos teus olhos” em Abril de 2012 e “Só Contigo” em Outubro de 2012. Participou na Antologia de Poesia Contemporânea: “Entre o Sono e o Sonho”, Volume III e IV Chiado Editora, 2012 e 2013. Participou ainda nas Antologias “Do Principio ao Fim” e “À Deriva”, Grupo Editorial do Beco dos Poetas & Escritores Lda., 2012, Brasil e na Antologia Poética, Volume I e II, Editorial Minerva, 2012 e 2013. Participou também na Coletânea de Contos “Beijos de Bicos” da Pastelaria Estúdios Editora, 2013. Tem vindo a publicar a sua poesia na Revista online Fendamel.

Livros & Leituras  – Como é que a escrita entrou na sua vida e que papel ocupa?

Susana Campos – A escrita sempre se destacou na minha vida, ocupando um lugar crucial na minha realização pessoal e na minha comunicação através da arte, onde os grafismos falam por si transportando sentimentos muito meus. Esta surgiu aproximadamente na minha adolescência através de pequenos textos que guardava somente para mim. Já na idade adulta e, após algum amadurecimento na escrita, a poesia tomou um lugar de relevo que ia sendo elogiada pela carga sentimental que me é natural.

L&L – Escreve por inspiração ou objeto de um trabalho apurado e consciente? 

SC – Escrevo por inspiração. Contudo, posteriormente, trabalho o poema.

L&L – No seu entender, há uma verdadeira comunidade de escritores lusófonos, unidos em torno da Língua Portuguesa, sem fronteiras de nacionalidade?

SC – Não, na minha opinião, cada escritor ainda se encontra muito voltado para a sua própria escrita.

L&L – De que forma pode a Literatura reforçar os laços no espaço da Lusofonia?

SC – Ao permitir a pluralidade dos estilos, a marca pessoal, a literatura pode ser a ponte para a aproximação Lusófona. A língua, na sua forma escrita, não é barreira mas sim um canal de aproximação, comparação e enriquecimento.

L&L – Enquanto escritor(a), que dificuldades encontra, no que diz respeito à edição e divulgação do seu trabalho?

SC – Atualmente, não sinto dificuldades relativamente às metas a que me propus atingir, tanto na edição como na divulgação do meu trabalho. Mas terá de haver sempre muito investimento pessoal para que a escrita saia do papel para os leitores.

L&L – Que estratégias de incentivo à leitura gostaria de ver implementadas?

SC – O preço dos livros é um obstáculo à difusão da leitura, mas os próprios hábitos dos portugueses não a privilegiam. É preciso percorrer um grande caminho para atingirmos os índices desejados. Outra estratégia que me parece importante passaria por uma divulgação mais ativa dos escritores através do patrocínio estatal que se deve garantir o desenvolvimento individual dos cidadãos, da cultura e da faceta humano-social. Assim o desenvolvimento era inevitável e o enriquecimento inquestionável.

 

L&L – Acha que o uso das novas tecnologias desvaloriza os encontros com escritores e outras atividades presenciais, nomeadamente, o contacto com os leitores?

SC – As novas tecnologias, na minha opinião, aproximam populações que pela união de objetivos particulares se movimentam na concretização do seu objetivo, a escrita. Por outro lado, a divulgação assume uma nova forma de acesso à cultura presencial ou não. Os leitores informados mantem-se motivados valorizando e potenciando os encontros.

L&L – Tem preferência pelo livro em suporte de papel ou crê que os suportes digitais são o futuro?

SC – Gosto do contacto com o papel, o cheiro e sentir o livro, revirar, transportá-lo, abrindo inesperadamente num ou noutro lugar, não consigo imaginar uma nova era sem livros. Claro que os suportes digitais são facilitadores na vida consumista de hoje.

L&L – Para os leitores que estiverem a pensar em ler um livro seu, pela primeira vez, qual aconselha e porquê?

SC – Seguindo algumas críticas de editores, escritores e até mesmo de alguns leitores, o segundo livro intitulado "nos teus olhos" é o que transpira mais sensibilidade poética.

L&L – Que projetos literários tem para o futuro?

SC – Conto com a edição de um livro infantil totalmente inclusivo, abrangendo todas as formas de leitura (SPC, gestual, braille, sonora) e de acesso universal. A continuação de divulgação de poesia em coletâneas de diversas editoras e revistas digitais. A edição de um livro de contos e talvez um segundo projeto infantil.


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Helena Nogueira: Quem quiser ser escritor tem de amar o que escreve

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Helena Nogueira nasceu há sessenta e seis anos na bonita cidade de Lisboa. Atravessou os anos sessenta numa não menos bela vila Ribatejana, Benavente, regressando a Lisboa no início dos anos setenta. Casou, teve um filho que lhe deu dois netos. Desde que se recorda, que escreve pequenas histórias, mas principalmente, poesia que nunca mostrou a ninguém por achar ter falta de qualidade e foi assim que durante anos foi alimentando o seu cesto de papéis. Em janeiro de dois mil e onze, mostrou uma pequena história a uma amiga e a partir daí o seu cesto de papéis morre de fome, simplesmente porque essa amiga, Rita Fortuna, gostou do que leu e acreditou na sua capacidade de escrever. Em dois mil e onze foi publicado o seu primeiro e único livro de poesia “ Sentimentos”. Nesse mesmo ano escreveu para o primeiro número da revista da Inspeção Geral de Defesa Nacional (IGDN) três poemas, em junho de dois mil e treze, no primeiro número da revista Arco-Íris, foram publicados cinco poemas seus, estando agora a trabalhar em poemas para o segundo número da mesma revista. E escreveu nove poemas para uma coletânea da Editora OZ, que sairá brevemente assim como o seu segundo livro de poesia “ Letras com Alma” Quem sou? Sou uma mulher a quem deram o nome de Helena, há 66 anos atrás. Decidida, exigente e com um gosto especial pela escrita, que é para mim uma catarse, desenvolvendo-se num impulso. 

Como e quando começou a interessar-se pela literatura?

Nos anos sessenta, na pequena vila onde vivia, Benavente, minha mãe abriu uma papelaria/livraria e aí comecei a devorar livros tendo sido “O Juiz do Hall Caine, depois apaixonei-me por Pearl Buck, Emílio Zola, Stefan Zweig, Camilo, Eça, Pessoa, José Régio, Florbela Espanca e fui lendo até hoje vários autores.

Por que motivo resolveu escrever livros?

Sempre escrevi, desde muito pequena, mas sempre os dei a ler ao cesto dos papéis por não gostar do que escrevia, até que um dia uma amiga, Rita Fortuna, leu um texto meu gostou e incentivou-me a continuar a escrever. Até que pela mão de outro amigo, Dr. Paulo Lajoso, surgiu o meu primeiro e único livro “Sentimentos”. Lanço agora o segundo: Letras com Alma. Uma coleção de sentimentos e pensamentos de uma vida...

Em que se inspira para escrever um livro?

Em tudo que vejo desde que o Amor, a Amizade, a Saudade e a Paixão possam entrar. Em todos os sentimentos que o ser humano experimenta.

Se não fosse escritora o que gostaria de ser?

Eu já deixei a minha vida ativa, fui bancária e funcionária do Ministério da Defesa (Inspeção Geral de Defesa Nacional) agora estou reformada e porque me ensinaram a gostar do que escrevo vou escrevendo enquanto puder.

Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escrito?

Que ame o que escreve.

Para quando um novo projeto editorial?

Breve, talvez dentro de um mês com o titulo “ Letras com Alma”


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