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Filipe Marinheiro: "Se não fosse escritor, seria poeta"

ENTREVISTAS - Escritores

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Livros & Leituras - Quem é?

Filipe Marinheiro - sou um eu e todos os outros meus eus em turbilhão obscuro. sou também os outros todos… talvez nem sequer exista. como disse o arthur rimbaud « Que vida! A verdadeira vida está ausente. Não estamos no mundo.». quem sempre esteve certo foram o Rimbaud e o Herberto Helder…  

L&L - Como e quando começou a interessar-se por literatura? 

FM - nunca me interessei ou interessarei alguma vez pela dita “literatura”. essa que é meramente: académica, métrica, canônica, intelectual = um circo de celebridades que não sabem o que é uma lâmina acesa de lume a esgaçar-lhes de alto a baixo os miolos da cabeça retalhando depois o coração a ferver de amor e paixão eterno. todo um sangramento sensível. terrível. eu sou um contrário de tudo isso. não, não quero essa “literatura” para mim. não quero ser confundido com o literato. contudo respeito-os.

tenho sim amor pela escrita, leitura e meditação poética. a origem desse amor genuíno e silencioso e obscuro surgiu quando certo dia um tio avô meu me levou a atravessar a penumbra do corredor da sua casa/museu até alcançar a sua biblioteca. deveria ter uns 7 anos…

naquele momento descobri o silêncio e a eternidade. tudo tava  escuro naquele compartimento. senti-me o meu verdadeiro eu.  

L&L - Por que motivo resolveu escrever livros?

FM - de repente apeteceu-me… talvez seja para me reencontrar a mim e aos outros todos e partilhar a minha visão de BELEZA.  

L&L - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

FM - aquela que estou a rever neste momento: as «escuridões» (prosa poética). «escuridões» será a minha única obra auto-biográfica onde defronto e travo uma tremenda e subtil luta contra os meus medos e demónios e paraísos.  

L&L - Em que é que se inspira para escrever um livro?

FM - na natureza visível e oculta…

L&L - Se não fosse escritor, o que gostava de ser? 

FM - Ser poeta!

L&L - Quais são seus autores preferidos?

FM - são tantos… enfim, vou enumerar os que se me entranham e me fazer sangrar: Arthur Rimbaud, Herberto Helder, Al berto, António Ramos Rosa, Joëlle Ghazarian, Mário Cesariny, Franz Kafka, Paul Verlaine, Lautréamont, Stéphane Mallarmé, Charles Baudelaire, Paul Bowles, Antonio Gamoneda, Albano Martins, Jorge Sousa Braga, Fyodor Dostoevsky, Sartre, Camilo Castelo Branco, Urbano Tavares Rodrigues, Gonçalo M. Tavares, Boris Vian entre muitos outros... 

L&L - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor? 

FM - só imaginação, sabedoria, técnica de escrita e sensibilidade não chega há que trabalhar arduamente… muito e sempre. Eternamente.

L&L - Para quando um novo projeto editorial?

FM - se tudo correr bem no final do próximo ano 2015 com a obra «escuridões».


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Luís Contente: "Um bom leitor nem sempre é aquele que lê muitos livros"

ENTREVISTAS - Escritores

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Luís Contente nasceu em Beja, Alentejo, no ano de 1962. É professor de língua francesa no ensino básico. Frequentou o mestrado em Literatura Medieval Comparada da Universidade Nova de Lisboa e fez uma especialização em gestão de bibliotecas escolares. Participou em várias coletâneas, escreveu peças infantis, musicais, adaptações para teatro e publicou o livro, “Transiberiano – a grande viagem”, em 2013. A sua paixão por novas paragens levou-o a percorrer os lugares mais improváveis do planeta desde montanhas a desertos e florestas tropicais a glaciares.

Livros & LeiturasQue significado tem para si o ato de escrever e a partir de que altura este se tornou “profissional”? 

Luís Contente – Neste momento, dedico-me exclusivamente à literatura de viagens, o que para mim, é a consequência natural do meu desejo de percorrer o mundo. Posso dizer que viajo para escrever e escrevo para viajar. Os dois são indissociáveis e, principalmente, escrevo para mim e não para um público específico. A escrita permite-me fixar na memória os cheiros, as sensações, as emoções, as conversas, os ambientes, captar todos os momentos onde a fotografia não consegue chegar. Ser um profissional da escrita não significa forçosamente que escrever se tenha tornado a minha profissão. Encaro esta ideia do profissionalismo no sentido da responsabilidade com os meus leitores e da criação de um público que se reveja na minha escrita e com o qual possa partilhar o gosto pelos livros e pelas viagens.

L&L – É preciso ser um bom leitor para se ser um bom escritor?

Luís Contente – Um bom leitor nem sempre é aquele que lê muitos livros. À semelhança de um bom compositor que passou pela escola dos grandes mestres da música clássica, um bom escritor precisa de conhecer as obras de referência da literatura. É essa gramática, não apenas da língua mas também da literatura onde se inserem as estruturas do imaginário, que um bom escritor tem de assimilar. E isso passa forçosamente pela leitura dos clássicos.

L&L – O seu trabalho é versátil ou, pelo contrário, tem um estilo muito próprio e facilmente identificável pelos leitores?

Luís Contente – É uma escrita muito visual, sem ser demasiado descritiva, por vezes, quase poética, com algum humor à mistura, inscrevendo-se no que eu designo por “pintar por palavras”. É um estilo que consegue conquistar um universo diversificado de públicos, onde a cada página o leitor passa de mero recetor a cúmplice da leitura.

L&L – Áreas como, por exemplo, a ilustração e a música têm vindo a afirmar-se na sua relação com a Literatura. Como encara esse facto?

Luís Contente – Não tenho nenhuma dúvida de que a literatura influencia a música e que ambas se contaminam. Seja ele o poema que depois de musicado passa a canção de sucesso, ou o romance que acaba numa sala de cinema com personagens de carne e osso. Quanto à ilustração, encontra um terreno fértil de germinação na literatura infantil onde não se pode dissociar o texto da imagem. A ilustração funciona aí como complemento da imagem e não apenas como reprodução visual do texto em si. Na literatura de viagens, encontramos muita publicação onde a fotografia tem um papel importante. Talvez a possamos considerar também ilustração, uma vez que tem a função de ilustrar determinados trechos literários, o que, no meu entender pode ser pernicioso porque distrai o leitor do essencial, do texto em si, e limita-o na sua construção mental. Como autor prefiro que seja o leitor a construir as suas imagens mentais pelo que não recorro à fotografia.

L&L – A tradição oral representa, nalguns países da lusofonia, uma importante marca de identidade cultural. A globalização e a dificuldade em editar podem ser uma ameaça à perda desse património?

Luís Contente – Pelo contrário. É cada vez mais fácil editar e publicar livros, sejam eles em formato e-book, digital ou impresso. O que antes estava reservado a apenas alguns está neste momento acessível a todos através de um simples clique na Internet, nomeadamente através de plataformas pay-per-print, ou de edições de autor recorrendo a editoras que se dispõem a publicar textos de autores pouco conhecidos. Por isso, a fixação desse património está muito mais facilitada nos dias de hoje e não depende apenas da memória social de um coletivo, havendo infinitas possibilidades de registo e de salvaguarda desse património oral.

L&L – A Língua Portuguesa é uma mais-valia no panorama literário mundial? 

Luís Contente – Sem dúvida. Basta verificarmos que o português é a sexta língua mais falada no mundo, e que a França, por exemplo, ocupa o nono lugar. O problema prende-se antes com os elevados níveis de iliteracia que encontramos nos países de língua oficial portuguesa. Acho que a escola, a sociedade e nomeadamente as famílias, têm um papel muito importante na resolução deste problema.

L&L – Quais os seus escritores lusófonos favoritos e porquê?

Luís Contente – Mia Couto, pela forma como conseguiu inventar uma nova linguagem.

 

L&L – Ao nível da Literatura, que medidas poderão ser implementadas para que o universo lusófono seja uma realidade mais coesa entre escritores de diferentes nacionalidades?

Luís Contente – Julgo que, por exemplo, o evento “Munda Lusófono – Encontro Literário de Montemor-o-Velho” pode permitir uma aproximação entre os escritores da lusofonia. Mas também é necessário que a escola se debruce cada vez mais sobre o assunto, integrando os autores lusófonos no currículo escolar.

L&L – A Internet e os recentes suportes informáticos contribuem para o reforço e promoção do seu trabalho?

Luís Contente – Completamente. Tudo passa pela promoção nas redes sociais. Inclusive, muitas editoras consagradas procuram aí o próximo sucesso editorial e não se limitam apenas a analisar originais recebidos. Do mesmo modo, não há autor que não tenha uma página no Facebook com milhares de seguidores. Existem também movimentos marginais que dispensam as grandes editoras, chegam a evitar os mass media implementados, promovendo as suas publicações apenas na Internet, e por vezes é a própria comunicação social que anda a reboque das redes sociais.

L&L – Qual o maior desafio que já enfrentou ou que gostaria de enfrentar em termos profissionais?

Luís Contente – Especificamente para o meu universo das viagens, penso que a internacionalização seria algo de bastante importante na minha carreira.

 

*Entrevista realizada no âmbito do “Munda Lusófono – 1.º Encontro Literário de Montemor-o-Velho”


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Milu Loureiro: "Para se escrever com alguma qualidade tem de se ser um bom leitor"

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Milu Loureiro nasceu em Aguiar da Beira, onde fez os seus estudos até ao atual nono ano. Após o secundário, no então Liceu Nacional de Lamego, ingressou na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Filologia Românica. A partir daí dedicou-se ao ensino. Desempenhou, durante alguns anos, a função de professora bibliotecária. Foi no desempenho dessa atividade que redescobriu a paixão pelas histórias, na Biblioteca Escolar, a contar histórias aos mais pequenos. Entretanto, deixou o ensino para se dedicar à escrita, ilustração, narração e confeção de tapetes narrativos. Tem publicadas as obras: “O esquilo que amava as palavras e outras histórias”, 2010, (escrita), “A mantinha de retalhos”, 2013, (escrita), “El-Rei comilão”, 2013, (escrita e ilustração), “Castanho e Branco”, 2014 (ilustração) e “Nem todos os pardais são pardos”, (escrita), (a publicar).

 

Livros & LeiturasQue significado tem para si o ato de escrever e a partir de que altura este se tornou “profissional”? 

Milu Loureiro – Primeiramente, escrever é uma catarse. Depois, como até aqui só tenho escrito para crianças, os meus textos, sem a pretensão de serem moralizadores, transmitem valores que é preciso incutir desde a mais tenra idade: amor aos livros, às palavras, amizade, preservação do meio-ambiente (recorrente), diferenças, obesidade! Sempre gostei de escrever, mas a gaveta da escrita esteve fechada durante muito tempo! Dediquei-me a outras! Ainda não me considero “profissional”, sou amadora no verdadeiro sentido da palavra: amo o que faço! E esta gaveta voltou a abrir-se quando fui convidada para Professora Bibliotecária. Como uma das missões da Biblioteca Escolar é promover o livro e a leitura, comecei a fazer a Hora do Conto! Comecei a ler de novo as histórias infantis e a sentir novas histórias a fervilharem na minha imaginação (por mimese!)! Decidi pô-las no papel! Contei-as aos meninos e a reação foi ótima! Mostrei-as à Dra. Leonor Riscado que me incentivou a publicá-las! Neste momento, estão publicadas cinco histórias, sendo que três fazem parte do mesmo livro! Ilustrei um livro para a colega Manuela Ribeiro e está para breve a publicação de mais uma história, desta feita ilustrada pela ilustradora Joana Rita. Mas antes deste, estarei representada em várias coletâneas.

 

L&L – É preciso ser um bom leitor para se ser um bom escritor?

ML – Estou plenamente convicta que para se escrever com alguma qualidade tem de se ser um bom leitor. Desde que aprendi a ler, nunca mais deixei de ser leitora! De um leque diversificado de leituras. Sou bibliófila! Adoro comprar livros! Gosto de me passear pelas livrarias, gosto de ir a bibliotecas. Quando entro aí, sou invadida por um sentimento de fugacidade, de brevidade! A vida é demasiado pequena, para lá caber as leituras de todos os livros que gostaria de ler! Bom, isto para dizer, que realmente se colhem frutos dos grandes mestres! 

 

L&L – O seu trabalho é versátil ou, pelo contrário, tem um estilo muito próprio e facilmente identificável pelos leitores?

ML – Não saberei responder com segurança a esta pergunta. O meu público é que estará mais avalizado para se pronunciar sobre o meu trabalho. No entanto, posso acrescentar que sou versátil quanto aos temas, mas talvez fiel a um estilo linguístico!

 

L&L – Áreas como, por exemplo, a ilustração e a música têm vindo a afirmar-se na sua relação com a Literatura. Como encara esse facto?

ML – Como já disse atrás, tenho uma grande consciência da efemeridade da vida! Como tal, tenho urgência em fazer coisas e ver o resultado. Sendo a minha formação ligada às Letras, nunca antes tinha sentido nenhum apelo pela ilustração. Veio agora! Mas como mais vale tarde que nunca, decidi experimentar! Relativamente à música, não temos um convívio fácil, pois sou muito dura de ouvido! Sou muito mais visual do que auditiva!

L&L – A tradição oral representa, nalguns países da lusofonia, uma importante marca de identidade cultural. A globalização e a dificuldade em editar podem ser uma ameaça à perda desse património?

ML – Em relação à globalização até entendo que veio trazer alguns benefícios! Pelo menos em relação à Literatura Infantil, que é a minha área, há imensos concursos a nível mundial, portanto haverá lugar para escritores lusófonos! Há contadores de histórias que deambulam entre países e que poderão divulgar esse património oral! Agora, no que respeita à dificuldade em editar, poderá ser uma ameaça! E eu ainda não me movo muito bem no mercado editorial para responder cabalmente! Posso acrescentar, no entanto, que nunca houve tantas editoras! Por algum motivo será… O óbice é que certas editoras apostam no lucro fácil; são muito comerciais, não apostando na qualidade! Refiro-me à área do infanto-juvenil!

L&L – A Língua Portuguesa é uma mais-valia no panorama literário mundial? 

ML – Eu penso que sim, já que somos a quinta língua mais falada no mundo, se não me engano! E porque temos um Prémio Nobel! Poderão ser fatores que funcionem como mais-valias a nível do panorama literário mundial.

L&L – Quais os seus escritores lusófonos favoritos e porquê?

ML – Tenho uma vasta lista! Mas vou citar Jorge Amado (no dia em que morreu, 6 de agosto de 2001, na hora em que foi anunciada a sua morte, eu estava na sua Casa Museu, na Baía!) Machado de Assis, Pepetela, Mia Couto, Agualusa, José Luís Peixoto, João Tordo, Domingos Amaral, Valter Hugo Mãe, Afonso Cruz… Eu sei lá, há uma infinidade de escritores atuais de quem eu gosto, embora o meu escritor de eleição seja o Eça! Porquê favoritos? Pelos temas, pelos estilos e porque são capazes de me fazer entrar nas suas histórias!

L&L – Ao nível da Literatura, que medidas poderão ser implementadas para que o universo lusófono seja uma realidade mais coesa entre escritores de diferentes nacionalidades?

ML – O “Munda Lusófono – Encontro Literário de Montemor-o-Velho” constitui uma boa oportunidade! Por que não fomentar outras iniciativas do género noutros locais?

L&L – A Internet e os recentes suportes informáticos contribuem para o reforço e promoção do seu trabalho?

ML – Sim, sem dúvida! Há um bom par de anos seria difícil chegar onde se chega hoje e de maneira tão célere e tão cómoda! Há uma aproximação de leitor/escritor!

L&L – Qual o maior desafio que já enfrentou ou que gostaria de enfrentar em termos profissionais?

ML – Bom, já enfrentei vários desafios que foram atingidos! Agora, resta-me sonhar… Gostaria de ver editadas todas as histórias que já escrevi (mais de uma vintena!) e, pelo menos, algumas através de uma grande editora! E gostaria de viver com e para a escrita ilustrada!

 

*Entrevista realizada no âmbito do “Munda Lusófono – 1º Encontro Literário de Montemor-o-Velho”


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José Vieira: "Ler permite uma variedade de saberes, indispensável na fala e na escrita"

ENTREVISTAS - Escritores

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José Vieira é o pseudónimo de Teresa Vieira Lobo, uma jovem nascida numa pequena terra, chamada Gaula, no final dos anos 80. Apaixonada por literatura acalentava o sonho de se tornar escritora. Em 2013 escreve “Estranhas Coincidências” que é publicado no ano seguinte em Setembro. No momento o desejo é outro… Continuar a escrever!

Livros & Leituras - Quem é?

José Vieira - Uma jovem nascida no final dos anos 80 numa pequena terra deste Portugal, chamada Gaula. Localidade conhecida como a terra das amoras, padres e doutores. Sou uma jovem com muitos sonhos e consequentemente alguns receios. Ainda assim acredito que a força de vontade colmata qualquer medo. Posso ainda mencionar que faço parte da geração “nem-nem”, jovens que nem trabalham nem estudam. Embora as circunstâncias sejam adversas acredito que há que manter a perseverança e não deixar cair neste círculo vicioso de negativismo. Gosto de livros, chocolate e chá. Gosto de dias cinzentos, do frio e da chuva.  Gosto de filmes franceses, sorrisos e abraços. Há muita coisa que não gosto… No entanto, o que é bom supera sempre o que é mau. E é assim que devemos considerar tudo na vida.

L&L - Como e quando começou a interessar-se por literatura? 

JV - Não foi desde sempre. O interesse pela literatura surgiu há sensivelmente dez anos e nunca mais parou. É um vício!

L&L - Por que motivo resolveu escrever livros?

JV - Desde que comecei a interessar-me por literatura começou a nascer um pequeno desejo, de um dia escrever e ver publicado o meu trabalho. Há algum tempo que acalentava este sonho mas nunca havia começado a escrever até ao ano de 2013. As coisas não acontecem por acaso e o facto de ter começado a escrever naquele ano foi o resultado das vivências pessoais e das circunstâncias. A escrita foi encarada como uma necessidade, posso até mencionar que foi mesmo uma terapia. E depois de nascer não parou.

L&L - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

JV - Até ao momento só escrevi um livro, contudo penso que o primeiro será sempre aquele que guardarei com especial carinho, uma vez que foi o que “abriu portas” para esta minha aventura.

L&L - Em que é que se inspira para escrever um livro?

JV - Não acho que escrevo por inspiração. É claro que há histórias, momentos, sensações que são o impulso para a escrita, para o nascimento de uma estória e consequentemente de um livro, contudo é a imaginação que faz o tudo o resto.

L&L - Se não fosse escritor, o que gostava de ser?  

JV - Ainda não me considero uma escritora… possivelmente uma aspirante a tal. Se não escrevesse gostaria de trabalhar em algo em prol dos outros, possivelmente em alguma ONG.

L&L - Quais são seus autores preferidos?

JV - É difícil responder a esta questão. Tenho muitos escritores que gosto imenso…  Não consigo dizer qual o meu preferido, ainda assim há escritores que aconselho a ler, nomeadamente José Saramago, Jorge Amado e Jane Austen.

L&L - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor?  

JV - Leiam! A leitura é fundamental! Ler permite uma variedade de saberes, indispensável na fala e na escrita. Contribui para que o indivíduo adquira conhecimento, reflicta e se torne naturalmente culto. Que pense sobre o mundo, a vida, o outro e naturalmente sobre si mesmo. A leitura não tem tempo nem espaço, transpõe qualquer pessoa para outras realidades. É sem qualquer dúvida imprescindível, para qualquer pessoa, principalmente para todo o escritor ou aspirante a tal. 

L&L - Para quando um novo projeto editorial?

JV - Espero que para o próximo ano haja novidades.


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Filipe Monteiro: "A ilustração dá forma e cor a simples textos, embelezando muito mais as histórias"

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Filipe L. S. Monteiro nasceu em Belide, concelho de Condeixa-a-Nova, em Janeiro de 1966 e é licenciado em Química Analítica pela Universidade de Aveiro desde 1988. Iniciou a sua aventura literária em Novembro de 2011, com o lançamento do seu primeiro livro infantil, “O Menino que Sonhava Salvar o Mundo”. Seguiu-se, em Janeiro de 2014, o seu primeiro romance, “O Segredo dos Candeeiros” e, em finais do mesmo ano, um novo livro infanto-juvenil intitulado o “Mestre Carbono, o Cientista”. Apaixonado pelo ilusionismo, é membro das duas principais associações em Portugal, o Clube Ilusionista Fenianos e a Associação Portuguesa de Ilusionismo, com quem colabora regularmente na promoção desta Arte. Tem percorrido o país em várias apresentações das suas obras, aliando sempre a faceta de mágico à de escritor. Reunindo ainda sua faceta de mágico a homem da ciência, criou e dinamiza o “Espetáculo de Ciência Mágica”, evento que tem cativado o público nas salas onde tem sido apresentado.

 

Livros & LeiturasQue significado tem para si o ato de escrever e a partir de que altura este se tornou “profissional”? 

Filipe Monteiro – Antes de me definir como “escritor” ou “autor”, sou primeiramente um leitor. Como todos nós, acredito! E daí a vontade de, também eu, poder encantar outros leitores que venham a contatar com as minhas obras. E é gratificante “ver-nos” nas mãos de leitores anónimos, lendo as nossas histórias e “viajando” pelo mundo da imaginação. O meu primeiro livro foi editado apenas em 2011, mas o primeiro manuscrito foi terminado em 2009.

 

L&L – É preciso ser um bom leitor para se ser um bom escritor?

Filipe Monteiro – Já o referi anteriormente. Aliás, custa-me a crer que um bom escritor não seja, em primeiro lugar, um bom leitor…

 

L&L – O seu trabalho é versátil ou, pelo contrário, tem um estilo muito próprio e facilmente identificável pelos leitores?

Filipe Monteiro  – Acredito que seja um pouco versátil. Apesar de ter apenas dois livros publicados (sairá um terceiro em Dezembro deste ano e tenho um segundo romance em fase de revisão final, para lançar em 2015), todos estes quatro livros são distintos entre si. Pela ordem cronológica: o primeiro, infantil, conta a história de um menino que inventa os seus jogos, brincando com a imaginação. No segundo, um romance, acompanhamos a aventura de uma família pelas grutas de Mira d’Aire e Candeeiros, numa corrida contra o tempo e contra uma sinistra Organização, pela decifração de misteriosos achados que revelam a forma de poder controlar o clima, a inclinação da Terra e a sua velocidade de rotação, sempre usando alguma base científica e, claro, entrando no campo da ficção. O que irá ser lançado fala da temática do aquecimento global, mostrando que a Química pode ser não a causa, mas fazer parte da solução. É um livro infanto-juvenil, igualmente ilustrado, mas que aborda a Química como ciência, procurando igualmente apresentar alguns conceitos desta ciência e “influenciar” os jovens para ela (ou para a ciência, no geral). Por último, o segundo romance fala-nos de um escritor, saltitando entre recordações da sua infância e o momento presente, que se vê (e à sua família) acossado por uma editora brasileira que tudo faz para com ele trabalhar… com intuitos criminosos por detrás desse interesse. Mas, por agora, não revelarei mais.

                                                                                                               

L&L – Áreas como, por exemplo, a ilustração e a música têm vindo a afirmar-se na sua relação com a Literatura. Como encara esse facto?

Filipe Monteiro – Complementam-se lindamente. A ilustração dá forma e cor a simples textos, embelezando muito mais as histórias. Já a música é inspiradora.

L&L – A tradição oral representa, nalguns países da lusofonia, uma importante marca de identidade cultural. A globalização e a dificuldade em editar podem ser uma ameaça à perda desse património?

Filipe Monteiro – Tenho visto e acompanhado alguns eventos relacionados com a tradição oral. Diria que esta está viva e recomenda-se. Quero, pois, acreditar, que tal não irá acontecer. E também temos vindo a assistir a um incremento na oferta literária. Infelizmente, nem todos com a qualidade desejada, mas ainda assim partilhando as suas histórias, as suas ideias, o seu próprio património.

L&L – A Língua Portuguesa é uma mais-valia no panorama literário mundial? 

Filipe Monteiro – Sem dúvida! Somos “apenas” a sétima língua mais falada no mundo. Temos um escritor nobilizado (curiosamente, apenas um!). Temos literatura clássica, moderna, poesia… Enfim, seguramente que os estudiosos da literatura mundial terão um capítulo só sobre literatura em português.

L&L – Quais os seus escritores lusófonos favoritos e porquê?

Filipe Monteiro – Os mais clássicos, como Alves Redol, Júlio Dinis, Camilo e Eça; Saramago e, mais recentes, Gonçalo Tavares, Valter Hugo Mãe, João Aguiar, José Rodrigues dos Santos, Mia Couto e Afonso Cruz. Porquê? Talvez por ter um gosto eclético e a leitura de diversos autores “satisfaz-me a gulodice literária”.

 

L&L – Ao nível da Literatura, que medidas poderão ser implementadas para que o universo lusófono seja uma realidade mais coesa entre escritores de diferentes nacionalidades?

Filipe Monteiro – Iniciativas como, por exemplo, o “Munda Lusófono – Encontro Literário de Montemor-o-Velho”, pois promove encontro, partilha e divulgação de ideias, existentes ou novas.

L&L – A Internet e os recentes suportes informáticos contribuem para o reforço e promoção do seu trabalho?

Filipe Monteiro – Sem dúvida. Estando nós mais afastados dos grandes centros urbanos (Porto e Lisboa, principalmente), é quase o único meio que nos permite divulgar as nossas obras e as nossas iniciativas. Sem divulgação, as obras perecem no cemitério dos livros esquecidos.

L&L – Qual o maior desafio que já enfrentou ou que gostaria de enfrentar em termos profissionais?

Filipe Monteiro – Não penso muito nisso. Eles chegam e nós enfrentamo-los.

 

*Entrevista realizada no âmbito do “Munda Lusófono – 1.º Encontro Literário de Montemor-o-Velho”


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