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Jessica Neves: ‚ÄúO ato de escrever √© pura liberta√ß√£o!‚ÄĚ

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Jessica Neves nasceu a 8 de Mar√ßo de 1994, em Coimbra. Descobriu o gosto pela poesia aos 17 anos de idade. Tem como motiva√ß√£o principal a paix√£o pela vida. O tema que lhe d√° mais prazer escrever √© o amor, destacando-se pelo seu estilo sensual e ousado. Tem participa√ß√£o em v√°rias antologias po√©ticas. Publicou o seu primeiro livro ‚Äú(Sem) Papel e Caneta, (Com) Alma e Cora√ß√£o‚ÄĚ, em Julho de 2012, sob a chancela da Chiado Editora.

Livros & Leituras ‚Äď Que significado tem para si o ato de escrever e a partir de que altura este se tornou ‚Äúprofissional‚ÄĚ?¬†

Jessica Neves ‚Äď O ato de escrever √© pura liberta√ß√£o! √Č assim que me sinto quando escrevo. Despertei aos 17 anos para a escrita e, desde ent√£o que, foi adquirindo import√Ęncia ao longo do percurso. Olhando o ‚Äúantes‚ÄĚ e o ‚Äúagora‚ÄĚ, sinto que h√° uma evolu√ß√£o gratificante. Sinto-me cada vez mais ‚Äúpresa‚ÄĚ e dentro da teia das palavras e assim pretendo continuar.¬†

 

L&L ‚Äď √Č preciso ser um bom leitor para se ser um bom escritor?

JN ‚Äď Talvez. Penso que, essencialmente para quem faz da escrita um dos seus ‚Äúlemas de vida‚ÄĚ, h√° a necessidade constante da leitura, pois, estimula bastante. ‚ÄúAbre‚ÄĚ a mente e coloca-nos mais al√©m, ao n√≠vel do pensamento, do saber ser e estar, do modo como olhamos as coisas e a sociedade. Tamb√©m aprendemos e crescemos com o que escrevemos, mas, sobretudo, com o que lemos.

 

L&L ‚Äď O seu trabalho √© vers√°til ou, pelo contr√°rio, tem um estilo muito pr√≥prio e facilmente identific√°vel pelos leitores?

JN ‚Äď √Č vers√°til, na medida em que, tanto escrevo paix√£o, amor, como solid√£o ou melancolia. Ainda assim, n√£o deixo de ter um estilo muito pr√≥prio, repleto de sensualidade, erotismo e ousadia que √© realmente o meu estilo predileto e predominante.

 

 

L&L ‚Äď √Āreas como, por exemplo, a ilustra√ß√£o e a m√ļsica t√™m vindo a afirmar-se na sua rela√ß√£o com a Literatura. Como encara esse facto?

JN ‚Äď Sendo ambas √°reas complementares, faz todo o sentido. Agrupar diferentes formas de arte √© sempre uma mais-valia.

L&L ‚Äď A tradi√ß√£o oral representa, nalguns pa√≠ses da lusofonia, uma importante marca de identidade cultural. A globaliza√ß√£o e a dificuldade em editar podem ser uma amea√ßa √† perda desse patrim√≥nio?

JN ‚Äď Podem ser amea√ßas, mas cabe a cada um de n√≥s fazer a nossa parte, para que o patrim√≥nio cultural n√£o se perca e n√£o morra.

L&L ‚Äď A L√≠ngua Portuguesa √© uma mais-valia no panorama liter√°rio mundial?¬†

JN ‚Äď Gostaria de dizer que sim mas, tendo em conta que somos ‚Äúpequeninos‚ÄĚ acabamos por estar um pouco ‚Äúlimitados‚ÄĚ por outras l√≠nguas mais influentes e globais, como a l√≠ngua inglesa.

L&L ‚Äď Quais os seus escritores lus√≥fonos favoritos e porqu√™?

JN ‚Äď Fernando Pessoa pelo desassossego, Florbela Espanca pela mestria, na constru√ß√£o dos sonetos, e Mia Couto pela figura incontorn√°vel que √© e pelo que transmite em toda a sua escrita.

 

L&L ‚Äď Ao n√≠vel da Literatura, que medidas poder√£o ser implementadas para que o universo lus√≥fono seja uma realidade mais coesa entre escritores de diferentes nacionalidades?

JN ‚Äď Os eventos liter√°rios onde se partilham e divulgam autores s√£o imprescind√≠veis. O contacto com diferentes realidades/nacionalidades √© sempre enriquecedor. Assim sendo, tornam-se essenciais, os encontros liter√°rios.

L&L ‚Äď A Internet e os recentes suportes inform√°ticos contribuem para o refor√ßo e promo√ß√£o do seu trabalho?

JN ‚Äď Sim, contribuem para a promo√ß√£o e para a divulga√ß√£o de uma forma simples e de r√°pido acesso, sendo f√°cil chegar √†s pessoas.

L&L ‚Äď Qual o maior desafio que j√° enfrentou ou que gostaria de enfrentar em termos profissionais?

JN ‚Äď O maior desafio √© viver sempre apaixonada pela vida. Caminhando degrau a degrau, gostaria de, um dia mais tarde, ser reconhecida pelo que escrevo.

 

*Entrevista realizada no √Ęmbito do ‚ÄúMunda Lus√≥fono ‚Äď 1¬ļ Encontro Liter√°rio de Montemor-o-Velho‚ÄĚ


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Joana Gomes: ‚ÄúNo mundo da escrita, quem n√£o tem padrinhos n√£o vai longe‚ÄĚ

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Livros & Leituras - Quem é?

Joana Gomes ‚ÄďSou uma mulher de 53 anos, casada, m√£e de um rapaz de 33 anos e j√° av√≥ de tr√™s netos. Fiz estudos de psicologia, tenho muitos centros de interesse como a pol√≠tica, justi√ßa, moto GP, esot√©rica, m√ļsica, viajar, leitura e desporto. Mas a minha maior paix√£o √© a escrita!

L&L - Como e quando começou a interessar-se por literatura?

JG - Desde que me lembro que sempre adorei livros, mesmo quando ainda n√£o sabia ler. Agrade√ßo √† minha av√≥ materna, uma maravilhosa contadora de est√≥rias, que sempre me incentivou √† leitura. Comprava-me livros desde muito cedo. Comecei a escrever tinha 10 anos de idade. Fechava-me no meu quarto, e s√≥ saia quando j√° tivesse pelo menos tr√™s p√°ginas escritas. Com a idade, fui tomando cada vez mais gosto pela leitura. Todos os livros que via, queria l√™-los. Livros escolares, revistas, livros pol√≠ticos, novelas. Ler dava-me muito prazer e paz. Ler e escrever para mim √© como desabafar. √Č como tirar um peso dos meus ombros. Os livros sempre foram o meu ref√ļgio; um objeto que eu levava para escrever ou ler e que tive sempre o poder de me acalmar. Sempre disse: ‚Äúquando for grande, quero ser escritora‚ÄĚ.

L&L - Por que motivo resolveu escrever livros?

JG - N√£o sei explicar. Apareceu naturalmente.

L&L - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

JG ‚Äď Os Masturbadores da Internet. A raz√£o pela qual escrevi este livro foi apenas por ter sido testemunha do inferno vivido por muitas mulheres e homens por causa dos encontros virtuais!

L&L - Em que é que se inspira para escrever um livro?

JG ‚Äď Direi, simplesmente, que a minha inspira√ß√£o √© inata. Eu s√≥ preciso de sentar-me confortavelmente e de ter um computador para que as ideias venham.

L&L - Se não fosse escritor, o que gostava de ser?  

JG ‚ÄďPsic√≥loga.

L&L - Quais s√£o seus autores preferidos?

JG - Eu não tive ninguém como exemplo para escrever este livro. Os meus escritores favoritos são Paulo Coelho, Marc Levy, Alain Kardec, José Rodrigues dos Santos, Fernando Pessoa, Vergílio Ferreira e muitos outros…

L&L - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor?

JG ‚Äď Fa√ßa o que gosta, mas que fique a saber que s√≥ o gosto pela escrita, imagina√ß√£o, sabedoria, sensibilidade n√£o chega. Um escritor tem de trabalhar muito. √Äs vezes de dia e de noite. Muitas vezes deixar a fam√≠lia e muita coisa para traz.

L&L - Para quando um novo projeto editorial?

JG - Escrever é minha paixão. Já tenho três livros acabados, mas ainda tenho muita coisa a rever antes de publicar.

L&L - Agora que j√° conhece a revista Livros & Leituras, que opini√£o tem deste projeto editorial sem fins lucrativos?

Acho estes projetos muito interessantes e honor√°veis. √Č maravilhoso saber que h√° quem se interesse pela cultura portuguesa. Que aposte e se preocupe com a divulga√ß√£o de novos escritores. Um muito obrigado pela vossa exist√™ncia e trabalho!


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Irene Vaz: "Ainda me lembro da alegria que senti quando consegui ler a minha primeira legenda completa na televis√£o"

ENTREVISTAS - Escritores

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Quem é?

Irene Vaz ‚Äď Sempre que me fazem essa pergunta, tenho sempre vontade de responder com a frase do Romeiro, no Frei Lu√≠s de Sousa de Almeida Garrett: - Ningu√©m, se nem j√° tu me conheces!

Não sei porquê, mas é sempre o que me vem à cabeça. Acho-a uma frase forte, cheia de significado, nunca a esqueci.

Agora respondendo mais directamente √† quest√£o: Eu sou a Irene Vaz, pessoa, ser humano; com qualidades e defeitos; com paix√Ķes; com coragem; com temores; com medos; com aud√°cias; com vontades; com desilus√Ķes; com ganhos; com perdas; com sonhos; com pesadelos, mas sempre com vontade de voar.

Como e quando começou a interessar-se por literatura? 

IV - Desde que me lembro que sempre adorei livros, mesmo quando ainda n√£o sabia ler, j√° me fascinava folhe√°-los; na altura tinha uma cole√ß√£o em que cada livro trazia um disco com a est√≥ria e eu enquanto a ouvia, acompanhava-a com as imagens. Ouvi tantas vezes que j√° sabia as est√≥rias de cor e depois fingia que lia e enganava as amigas da minha av√≥, que exclamavam ‚Äď Ah, t√£o pequenina e j√° sabe ler! ‚Äď Eu achava imensa piada.

No meu íntimo, mal conseguia esperar pelo dia em que todas aquelas letras, finalmente iriam fazer sentido para mim.

Ainda me lembro da alegria que senti quando consegui ler a minha primeira legenda completa na televisão, foi fantástico. Num repente o mundo abriu-se ainda mais. Agradeço aos meus Pais que sempre me incentivaram à leitura, comprando-me livros desde muito cedo e à minha Avó materna, uma excelente contadora de estórias.

Por que motivo resolveu escrever livros?

IV - Nem sei bem. Um dia comecei a sentir dentro de mim uma vontade enorme de escrever, vontade essa que fui adiando por vários motivos, até que se proporcionou e apareceu

‚ÄúO que foi um Amor‚ÄĚ, o meu primeiro romance.

O exercício da escrita dá-me um prazer enorme, enquanto escrevo sou feliz, sou livre. Há em mim uma constante inquietude que se atenua enquanto o faço e vou dando largas à minha imaginação. Pensar, criar, fantasiar, ainda não paga imposto, pelo menos por enquanto.

Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

IV - At√© agora ainda s√≥ escrevi dois livros ‚ÄúO que foi um Amor‚ÄĚ, j√° editado e ‚ÄúPor ti, Liberdade!‚ÄĚ, ainda no prelo, √† procura de editora. Adorei escrever os dois, apesar de serem livros diferentes, fui eu que os criei, tenho por eles igual amor.

Em que é que se inspira para escrever um livro?

IV - Em tudo. No que sinto, no que me rodeia, no que ouço, no que observo, no que leio. Tudo me serve de inspiração.

Se não fosse escritora, o que gostava de ser? 

IV - Acho que a pergunta não é bem esta, é mais: - Gostava de ser escritora? Sim, adorava! Talvez um dia o consiga.

Quais são seus autores preferidos? 

IV - Muitos, sou muito ecl√©tica tanto na literatura como na m√ļsica, gosto de muitos g√©neros e estilos. Mas tenho uma paix√£o assolapada por E√ßa de Queiroz.

Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor? 

IV - Que siga em frente. √Č um mundo fechado e dif√≠cil, mas quando se quer muito, tem que se tentar. Se n√£o o fizer, nunca vai saber.

E principalmente que olhe para a ‚Äúfolha em branco‚ÄĚ como um mundo de oportunidades e n√£o como uma assombra√ß√£o. Onde n√£o h√° coisa alguma, pode fazer-se tudo.

Para quando um novo projeto editorial?

IV - Como j√° referi anteriormente, existe um novo livro j√° escrito ‚ÄúPor ti, Liberdade!‚ÄĚ, falta agora edit√°-lo. √Č sempre a fase mais dif√≠cil para quem n√£o √© ainda reconhecido no meio como autor, nem √© figura p√ļblica. Grande maioria das editoras gosta de jogar pelo seguro e optar pelo garantido.

Agora que j√° conhece a revista Livros & Leituras, que opini√£o tem deste projeto editorial sem fins lucrativos?

IV - Acho estes projetos muito louv√°veis. √Č sempre bom saber que h√° quem se interesse pela cultura em Portugal e que aposte e se preocupe com a divulga√ß√£o de novos talentos.

Hoje em dia, o interesse pelo próximo é cada vez menor, estamos todos demasiados virados para nós próprios. A ambição e o lucro têm ganho terreno a valores fundamentais, tais como a generosidade, preocupação, inter-ajuda; então é bom saber que existem projectos como este, que nos fazem lembrar esses mesmos valores e que nos incentivam a sermos melhores. 


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Pedro de S√°: " H√° qualquer coisa num livro que o distingue dos demais objetos"

ENTREVISTAS - Escritores

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Livros & Leituras - Quem é?

Pedro de S√° - Ainda n√£o descobri.

L&L - Como e quando começou a interessar-se por literatura?

PS - Desde muito novo. Por influências familiares, tenho um Tio poeta, por inclinação pessoal, sempre me vi rodeado de livros, o gosto e o fascínio por aquele objeto. Há qualquer coisa num livro que o distingue dos demais objetos. Talvez por nunca adormecer…

L&L - Por que motivo resolveu escrever livros?

PS - Quando entendi que tinha algo para dizer. Acho que é uma premissa essencial a qualquer forma de expressão artística. Só se deve avançar para trazer uma nova luz. De contrário, conserve-se o silêncio.

­ L&L - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

PS - O meu segundo romance (Queria Rever o teu Rosto ao Entardecer). Por v√°rios motivos. O facto de ser ambientado nos anos 80, √©poca da minha inf√Ęncia, a hist√≥ria de amor, as paisagens‚Ķ Foi um livro que me deu prazer escrever. Os outros, n√£o. Foram dolorosos. Sobretudo o √ļltimo (Do outro lado do rio, h√° uma margem), embora o considere o meu melhor romance.

L&L - Em que é que se inspira para escrever um livro?

PS - Numa voz, num olhar, numa paisagem, numa parede de caliça numa tarde de Verão… Talvez num silêncio partido de mim.

L&L - Se n√£o fosse escritor, o que gostava de ser?

PS - O que gostaria de ser um p√°ssaro se n√£o o fosse?

L&L - Quais s√£o seus autores preferidos?

PS - Tantos… Kundera, Márai, Steinbeck, Dostoiévski, Camus… Portugueses destaco: Pessoa e Vergílio Ferreira.

L&L - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor?

PS - Emigre! Por aqui, ou há a cunha certa ou há o eterno anonimato! Esta é a mais pura verdade.

L&L - Para quando um novo projeto editorial?

PS - Quando houver algu√©m que d√™ a devida relev√Ęncia √† minha obra liter√°ria.


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Marineide Santos: "A escrita, para mim, é, sobretudo, um ato de liberdade"

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Marineide Sim√Ķes dos Santos nasceu a 28 de Outubro de 1976, em Caracas, Venezuela, onde, ent√£o, viviam seus pais, emigrantes de Bustos. Mora, h√° 30 anos, com a fam√≠lia nesta localidade do concelho de Oliveira do Bairro. Frequentou o IPSB (Instituto de Promo√ß√£o Social da Bairrada) em Bustos e licenciou-se em L√≠nguas, Literaturas e Culturas ‚Äď percurso Portugu√™s, Latim e Grego pela Universidade de Aveiro, em Junho de 2006. Participou em alguns encontros po√©ticos realizados na Bairrada. ‚ÄúCanto e Amanhece‚ÄĚ √© o t√≠tulo do seu primeiro livro.

Livros & Leituras ‚Äď Que significado tem para si o ato de escrever e a partir de que altura este se tornou ‚Äúprofissional‚ÄĚ?¬†

Marineide Santos ‚Äď A escrita, para mim, √©, sobretudo, um ato de liberdade. Tanto mais que pelo facto de eu ter defici√™ncia f√≠sica e a consequente mobilidade reduzida, o ato de escrever sempre permitiu que a minha mente derrubasse as barreiras que na maior parte das vezes o meu corpo √© incapaz de ultrapassar, atrav√©s dela eu vou para onde quero. Ao escrever, sinto que se por um lado o corpo me prende, por outro a mente liberta-me. Penso que a escrita se torna ‚Äúprofissional‚ÄĚ s√≥ ap√≥s a edi√ß√£o do primeiro livro. Porque s√≥ a partir da compila√ß√£o de v√°rios textos do mesmo autor √© que o leitor pode tra√ßar um parecer mais ou menos realista sobre a escrita do mesmo. E s√≥ depois de editada √© que essa escrita se torna realmente p√ļblica e sujeita √† aprecia√ß√£o dos outros.¬†¬†¬†¬†¬†

L&L ‚Äď √Č preciso ser um bom leitor para se ser um bom escritor?

MS ‚Äď O primeiro contacto com o livro, por parte de um escritor, d√°-se, fundamentalmente, atrav√©s da leitura, ocorrida normalmente v√°rios anos antes de criar novos textos. Penso, ali√°s, que a leitura de outros autores agu√ßa em n√≥s a criatividade e a vontade de escrever. E quanto melhores forem os livros que lermos, melhores s√£o os livros que escrevemos e mais vers√°til √© a nossa escrita. S√£o as palavras dos outros que nos ajudam a encontrar as nossas melhores palavras para poder expressar os nossos pontos de vista, as nossas mais profundas emo√ß√Ķes‚Ķ Antes de se apaixonar pela escrita, o escritor apaixona-se pela leitura.

L&L ‚Äď O seu trabalho √© vers√°til ou, pelo contr√°rio, tem um estilo muito pr√≥prio e facilmente identific√°vel pelos leitores?

MS ‚Äď At√© este momento, apenas editei um livro de poemas, embora um segundo livro j√° esteja conclu√≠do e outro j√° tenha sido iniciado, inserindo-se, estes √ļltimos, no g√©nero narrativo. No entanto, gostaria que a minha escrita tocasse outros estilos liter√°rios. Mas, por agora, acho que quando escrevo procuro preferencialmente contar tudo de modo a ser o mais realista poss√≠vel, porque nesta coisa do sentir, n√£o gosto de fic√ß√£o. Para fazer compreender aos leitores aquilo que pretendo dizer, com verdade, utilizo comummente a dupla, tripla, e, por vezes, quadrupla adjetiva√ß√£o, e deste modo, mais do que fazer compreender situa√ß√Ķes, prefiro dar a conhecer as emo√ß√Ķes que cada uma das situa√ß√Ķes despertou em mim. Pois √© fascinante compreender a capacidade que cada ser humano tem de superar cada obst√°culo, viver cada sentimento, sentir cada emo√ß√£o. E compreendendo o melhor a cada um deles, procuro conhecer-me um pouco mais.

L&L ‚Äď √Āreas como, por exemplo, a ilustra√ß√£o e a m√ļsica t√™m vindo a afirmar-se na sua rela√ß√£o com a Literatura. Como encara esse facto?

MS ‚Äď A arte n√£o √© nada mais do que um dos ve√≠culos preferencialmente utilizados pelo homem para se expressar. Seja ao n√≠vel da escrita, da m√ļsica, da pintura, do desenho‚Ķ Por isso, √© perfeitamente natural e at√© l√≥gico que as diversas formas de express√£o art√≠stica se complementem. Ou seja, o sentido de um determinado texto completa-se bem mais, e √© bem mais perfeito na rela√ß√£o com o desenho adequado e/ou com a m√ļsica certa, e esta rela√ß√£o pode permitir que o texto abarque novos limites que ele por si s√≥ seria incapaz de alcan√ßar.¬†¬†¬†

L&L ‚Äď A tradi√ß√£o oral representa, nalguns pa√≠ses da lusofonia, uma importante marca de identidade cultural. A globaliza√ß√£o e a dificuldade em editar podem ser uma amea√ßa √† perda desse patrim√≥nio?

MS ‚Äď Nas culturas ancestrais das tribos africanas e ind√≠genas, apenas uma pequen√≠ssima parte da sua popula√ß√£o era letrada. Portanto, os primeiros textos eram dados a conhecer √†s crian√ßas pelos contadores de hist√≥rias, pelos av√≥s, pelos pais por via oral; lendas, contos que transmitiam princ√≠pios morais, a boa conduta que cada um precisava de conhecer para assim sobreviver na sua pr√≥pria tribo. √Č caracter√≠stico dos povos primitivos profundamente ligados √† terra e √† natureza a import√Ęncia dada √† oralidade, visto que em determinadas civiliza√ß√Ķes o pr√≥prio sistema de escrita foi implementado muito tardiamente. A sabedoria popular n√£o era conhecida porque se lia, mas porque se ouvia contar. Se ouvia contar pela boca de alguns, poucos s√°bios, que guardavam esse saber cultural transmitido de gera√ß√£o em gera√ß√£o e que eram o garante da sobreviv√™ncia e da uni√£o desses povos. Ora, neste tempo de globaliza√ß√£o, onde aquilo que √© dito tem muito menos import√Ęncia do que aquilo que √© escrito, √© imperioso que esse saber popular se guarde antes que se perca definitivamente com a vida daqueles que o possuem. Para que assim aconte√ßa os estados devem encarregar-se de passar esse saber oral para um registo escrito, e devidamente publicado para que as popula√ß√Ķes atuais contactem com os prim√≥rdios da sua literatura, a preservem e a respeitem, compreendendo-a. Sejam quais forem os m√©todos utilizados para a sua difus√£o, o mais importante √© dar a esse legado etnogr√°fico riqu√≠ssimo, a dignidade que merece.¬†¬†

L&L ‚Äď A L√≠ngua Portuguesa √© uma mais-valia no panorama liter√°rio mundial?¬†

MS ‚Äď Com certeza. Mais que n√£o seja pelos milhares de falantes que a nossa l√≠ngua possui. E, al√©m disso, deve-se referir que os leitores lus√≥fonos s√£o os herdeiros de um saber tribal important√≠ssimo, que se difundiu a partir de √Āfrica e da Am√©rica Latina, com as tribos africanas e ind√≠genas brasileiras, j√° referidas anteriormente, e que primordialmente atrav√©s da L√≠ngua Portuguesa se deu a conhecer ao mundo. E √© de suma import√Ęncia concluir tamb√©m que alguns dos mais relevantes escritores da atualidade, alguns deles galardoados inclusivamente com o Pr√©mio Nobel, escrevem na l√≠ngua de Cam√Ķes.¬†

L&L ‚Äď Quais os seus escritores lus√≥fonos favoritos e porqu√™?

MS ‚Äď Sophia de Mello Breyner √© a minha escritora portuguesa favorita. Porque as marcas n√≥rdicas, do seu ser de mulher dinamarquesa, d√£o √† sua escrita um toque de sofistica√ß√£o e exotismo, que a distingue do t√≠pico escritor portugu√™s e, porque n√£o diz√™-lo, uma certa severidade sombria n√£o t√£o presente nos povos latinos, bem mais cheios de sol. Mia Couto √© o meu escritor mo√ßambicano favorito. Porque escreve sobre aspetos do quotidiano, de uma forma clara, sens√≠vel e erudita sem perder a sua liga√ß√£o √† terra, √† aldeia que formou o seu caracter, fazendo quest√£o de nunca negar as suas origens. Carlos Drummond de Andrade e Cec√≠lia Meireles s√£o os meus escritores brasileiros favoritos. O primeiro, porque consegue dizer de forma jocosa e com bastante sentido de humor verdades que √† partida n√£o deviam despertar qualquer riso por parte dos leitores, isto sem perder o seu jeito acutilante de dizer a verdade custe o que custar. A segunda, sempre me fascinou pela sua intelig√™ncia sens√≠vel e doce de mulher, que transparece nas suas palavras.

L&L ‚Äď Ao n√≠vel da Literatura, que medidas poder√£o ser implementadas para que o universo lus√≥fono seja uma realidade mais coesa entre escritores de diferentes nacionalidades?

MS ‚Äď Considero que o mercado livreiro entre pa√≠ses lus√≥fonos √© um grande entrave √† leitura dos diferentes escritores que escrevem em l√≠ngua portuguesa, pois n√£o d√° f√°cil acesso aos seus livros escritos. O que √© negativo quer para quem escreve e deseja ver divulgada a sua obra, quer para quem l√™ e v√™-se assim impedido de tomar contato com autores da sua prefer√™ncia. Quanto ao mercado editorial, penso ser positivo que outros pa√≠ses lus√≥fonos deem a possibilidade a novos escritores de editarem as suas obras, desde que a qualidade da sua escrita em l√≠ngua portuguesa assim o justifique, sempre e quando se verificar que o universo de leitores do seu pa√≠s de origem n√£o o consegue absorver. Por √ļltimo, parece-me importante que haja mais interc√Ęmbios culturais entre criadores de l√≠ngua portuguesa para favorecer a partilha de saberes e o conv√≠vio salutar entre todos.¬†¬†¬†

L&L ‚Äď A Internet e os recentes suportes inform√°ticos contribuem para o refor√ßo e promo√ß√£o do seu trabalho?

MS ‚Äď A sociedade atual √© decisivamente influenciada pelas tecnologias de informa√ß√£o e comunica√ß√£o. A Internet √© um dos meios de elei√ß√£o para que a sociedade de massas tenha acesso √† atualidade informativa √† dist√Ęncia de um simples clique. Esta comodidade que permite saber tudo, ou quase, tantas vezes sem sequer sair do conforto da sua casa, leva a que cada vez mais pessoas a ela possam recorrer. E porque a Internet aproxima quase tudo do sujeito curioso, somos for√ßados a recorrer a ela caso queiramos estar mais pr√≥ximos dos nossos potenciais leitores e por eles ser conhecidos. A ponto de aquele que √© divulgado pela Internet existir para as massas, e o que n√£o o √©, √© como se nem sequer existisse, auto excluindo-se da sociedade em que ele pr√≥prio vive a para a qual pode e deve criar.

L&L ‚Äď Qual o maior desafio que j√° enfrentou ou que gostaria de enfrentar em termos profissionais?

MS ‚Äď Eu, ao n√≠vel profissional, ainda n√£o enfrentei um desafio que possa considerar suficientemente relevante, porque fa√ßo parte de uma gera√ß√£o de licenciados que na sua grande maioria n√£o teve direito ao pleno emprego. Por√©m, j√° cansada de um estatuto de pessoa desempregada sem prazo para acabar, decidi criar um projeto pr√≥prio com o objetivo de a partir dele criar o meu emprego. E devo dizer que para mim este foi at√© agora o maior desafio que j√° enfrentei; em primeiro lugar, porque fazer um projeto crescer a partir do nada √© absolutamente fascinante, um desafio, sobretudo, ao n√≠vel intelectual que nos mostra que, tantas vezes, somos capazes de fazer aquilo que pensamos ser imposs√≠vel. Em segundo lugar, esta supera√ß√£o de dificuldades ajuda a conhecer-nos melhor a n√≥s pr√≥prios e a descobrir quais s√£o realmente os nossos gostos e prefer√™ncias. Al√©m do mais, este projeto, no qual trabalho com uma segunda pessoa, levou-me a aceitar melhor o outro com todas as suas prefer√™ncias e pontos de vista e assim crescer a dois em toler√Ęncia e conhecimento. Com o desenvolvimento deste projeto, que implica o contato com textos tradicionais de v√°rias culturas e civiliza√ß√Ķes, espero conhecer ‚Äúin loco‚ÄĚ essas mesmas civiliza√ß√Ķes e esses mesmos pa√≠ses cuja sabedoria e tra√ßos culturais tanto me fascinaram e me fascinam ainda. Porque n√£o h√° nada que mais me interesse do que conhecer o ser humano em todos os seus aspetos.

 

*Entrevista realizada no √Ęmbito do ‚ÄúMunda¬†Lus√≥fono ‚Äď 1.¬ļ Encontro Liter√°rio de Montemor-o-Velho‚ÄĚ


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