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Ana Cristina Luz: "Escrever completa a minha existência"

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Ana Cristina Luz nasceu, em 1960, na vila de Maceira, concelho de Leiria, residindo atualmente em S. Pedro de Moel. É licenciada em Tradução pelo I. P. Leiria. Tem contos e artigos publicados em diversos jornais e revistas em Portugal e no estrangeiro, integrando algumas antologias, embora a maior parte do seu trabalho se destine ao público mais jovem. É detentora do Prémio Afonso Lopes Vieira (Leiria), em 2001, de dois primeiros lugares no Prémio Literário Rodrigues Cordeiro (Cortes, Leiria) de uma menção honrosa no Prémio Literário Manuel Teixeira Gomes (Portimão), em 2003 e, entre outros, do 2º lugar no Prémio Literário IPL – 2008. A convite do Instituto Camões participou, em 2003, na 1.ª Feira do Livro Lusófono, em Timor Leste, e no “8.º Foro International por el Fomento del Libro y la Lectura”, na Argentina. Entre os títulos já publicados contam-se: “Timor – Histórias com lendas” (2002), ed. Universidade de Aveiro; “Três viagens e uma história que quase não acontecia” (2004), ed. Câmara Municipal de Portimão; “O dia em que quase perdemos o 5” (2005), ed. Livros Horizonte; “O pequeno trevo” (2005), ed. A.P.P.C. Leiria; “Histórias à beira-mar” (2005), ed. Folheto; “Contos a Oeste” (2008), ed. Textiverso, Alcochete/Leiria; “A pegada misteriosa” (2010), ed. CMP - Cimentos Maceira e Pataias, S. A. (prod. Textiverso); “Amigos como nós” (2011), ed. Associação Zoófila de Leiria; "Fiéis Amigos" (prod. Textiverso) e “Aristides, o semeador de estrelas” (2012), ed. da Autora (prod. Textiverso).

Livros & LeiturasQue significado tem para si o ato de escrever e a partir de que altura este se tornou “profissional”? 

Ana Cristina Luz – Escrever completa a minha existência. É a frase que me ocorre perante esta pergunta e não deixa, em parte, de ser verdade. Passei grande parte da minha vida a sentir que me faltava fazer algo que me preenchesse. Procurei na fotografia, em vão. Nem sequer tentei no desenho, pois tenho duas mãos esquerdas, e refugiei-me na leitura. Lembro-me de adorar ler o Jornal de Letras e embrenhar-me naquele mundo que me fascinava. E, de repente, aconteceu a escrita e a  minha vida mudou. A partir do momento que submeti um texto para apreciação e o mesmo foi aceite para publicação, o ato de escrever transformou-se num desafio que passou a fazer parte da minha vida.

L&L – É preciso ser um bom leitor para se ser um bom escritor?

ACL – A esta pergunta poderei apenas responder baseada na minha experiência pessoal. Sempre gostei de ler, penso até que, em determinada altura da minha vida, não fiz outra coisa que não fosse ler, tal era a minha vontade de viajar para outros universos, outras realidades. Quanto mais leio, mais vontade tenho de melhorar, é verdade. Penso que as duas coisas estão ligadas.

L&L – O seu trabalho é versátil ou, pelo contrário, tem um estilo muito próprio e facilmente identificável pelos leitores?

ACL – A nível de áreas da literatura, penso que sou um pouco versátil naquilo que escrevo, pois fascinam-me várias vertentes da escrita. Se, por um lado, a maior parte dos meus livros publicados se destina ao público mais jovem, por outro, adoro escrever no campo do fantástico e do terror. Um dos textos que irá ser editado, em breve, pela Editora Draco, no Brasil, é um conto erótico. Quanto ao estilo, já me confessaram ter reconhecido um texto meu pela forma como escrevo. Penso que, quem assim falou, foi por cortesia, mas deixou-me satisfeita. De qualquer forma, penso que inconscientemente vamos ganhando o nosso estilo que, mesmo que não seja identificável, marca a nossa maneira de estar na escrita e com o qual nos identificamos.

L&L – Áreas como, por exemplo, a ilustração e a música têm vindo a afirmar-se na sua relação com a Literatura. Como encara esse facto?

ACL – A ilustração acompanha a maior parte do meu trabalho, uma vez que escrevo muito para os mais jovens. As minhas palavras ganham uma outra vida quando interpretadas, através da cor e da forma, por uma outra pessoa que tem a capacidade de dar rosto às minhas personagens. Acontece, muitas vezes, ter uma ideia, à partida, de como gostaria que fosse a ilustração e o resultado final vai ao encontro do que imaginava. E a música, bem, essa está presente a todo o instante. Quando não tenho rádio ou televisão, lá vou cantarolando, depois de me certificar de que estou sozinha, claro.

L&L – A tradição oral representa, nalguns países da lusofonia, uma importante marca de identidade cultural. A globalização e a dificuldade em editar podem ser uma ameaça à perda desse património?

ACL – Penso que, mais do que as dificuldades em editar, a dificuldade em arranjar disponibilidade para escutar quem tem tanto para contar é que poderá contribuir para o desaparecimento de uma riqueza incalculável. Claro que depois esbarramos com a dificuldade em concretizar determinados projetos por falta de meios ou apoios. Mas o importante é recolher e guardar essa riqueza. E para isso é necessário tempo para ouvir, para escutar. Nos tempos agitados de hoje, tempo é um bem que tende a ser escasso.

L&L – A Língua Portuguesa é uma mais-valia no panorama literário mundial? 

ACL – Sem dúvida. Por tudo o que, nomes como Gil Vicente, Fernão Lopes e Camões, entre tantos outros, deram no passado à literatura e por tudo aquilo que autores continuaram depois deles e continuam a dar ao mundo. Aliás, tal como em todos os outros países. A palavra é universal, independentemente da língua em que é escrita, e todas as literaturas contribuem para o enriquecimento da humanidade.

L&L – Quais os seus escritores lusófonos favoritos e porquê?

ACL – Esta pergunta leva-me a uma resposta incompleta. São muitos os autores que gostaria de mencionar aqui, mas vou apenas dar um exemplo de uma resposta possível entre tantas outras. Poderei mencionar José Saramago, porque me apaixonei pela sua escrita no momento em que li, de um fôlego só, o “Memorial do convento” e “A jangada de pedra”, Mia Couto, pelo mundo mágico e fascinante que nos revela nas palavras inventadas nas suas “estórias” e Luís Cardoso por me ter falado na sua escrita tão própria em “Crónica de uma travessia” da sua terra encantada que, apesar de tão distante no mapa, está muito próxima graças às suas palavras e às recordações que guardo.

L&L – Ao nível da Literatura, que medidas poderão ser implementadas para que o universo lusófono seja uma realidade mais coesa entre escritores de diferentes nacionalidades?

ACL – Mais encontros literários. E convites a todo o tipo de escritores, nacionais, locais, mais conhecidos, menos conhecidos. Penso que seria importante um esforço no sentido de fomentar a troca de experiências e saberes de escritores dos diversos países onde se fala e escreve em português. E, por exemplo, criarem-se meios que permitam a edição de obras conjuntas. Penso que seria interessante ver antologias publicadas nos diversos países dos respetivos autores com alguma regularidade. Era uma forma de dar a conhecer vários autores numa edição só, em jeito de ponto de partida para um conhecimento mais aprofundado.

L&L – A Internet e os recentes suportes informáticos contribuem para o reforço e promoção do seu trabalho?

ACL – A Internet veio facilitar a divulgação do trabalho de cada um, na minha opinião. Os meios de que dispomos hoje em dia permitem dar a conhecer o que fazemos rapidamente, sem dúvida. Mas não gosto nada de ouvir falar em livros digitais. Adoro o formato tradicional, com cheiro e forma.

L&L – Qual o maior desafio que já enfrentou ou que gostaria de enfrentar em termos profissionais?

ACL – O maior desafio que já enfrentei foi, tentar partilhar em castelhano as minhas experiências, enquanto autora de textos infantis. Perante um público de professores e bibliotecários, onde não havia uma única pessoa que falasse português, tentei exprimir-me numa nova língua, algures entre o português e o castelhano, durante quatro horas. O objetivo era falar sobre o trabalho desenvolvido, a partir dos meus textos, em escolas e outras instituições. O desafio tornou-se ainda mais difícil no momento em que me apercebi que aquele público esperava ouvir uma escritora cubana e não uma vinda de Portugal. Mas a verdade é que no final das quatro horas ninguém demonstrou vontade de sair da sala. Desde que comecei a escrever que alimento secretamente três sonhos. Um deles, já concretizado, apesar de não ser do conhecimento público, era escrever letras para canções. Um outro, escrever um romance que seja levado ao cinema. E o último, mas não menos importante, criar uma personagem que fique depois de eu partir.

 

*Entrevista realizada no âmbito do “Munda Lusófono – 1.º Encontro Literário de Montemor-o-Velho”



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Sílvia Bandas: "Adoro ser capaz de fazer sonhar as crianças"

ENTREVISTAS - Escritores

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Livros & Leituras - Quem é?

Sílvia Bandas – Nasci em 1977 em Braine- L'Alleud-France . Segui as classes de berçário e interrompi o meu sexto ano do liceu para viver em Portugal.
L&L – Como e quando começou a interessar-se por literatura?

SB - Fiquei interessada pela literatura durante o meu estágio com crianças. Foi aí que aprendi o gosto de ler e escrever. Sempre adorei as crianças. O meu interesse pela escrita veio a partir de uma preocupação pessoal. Infelizmente, tenho problemas de fertilidade e não posso ter filhos. Então mergulhei na escrita, a fim de esquecer a minha vida diária e, naturalmente, aproximei-me pelas histórias e contos para crianças para escrever essas obras.

L&L – Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

SB - O que mais amo é escrever para crianças. Adoro ser capaz de fazer sonhar as crianças.

L&L – Em que é que se inspira para escrever um livro?

SB - Para escrever um livro tudo nasce da minha imaginação e meus sonhos.

L&L - Se não fosse escritor, o que gostava de ser? 

SB - Se eu não fosse um escritora queria ser cantora, porque adoro a música. Mas é melhor não pensar nisso, porque parece que eu não canto muito bem...

L&L - Quais são seus autores preferidos?

SB - Meus autores favoritos são Agatha Christie e Higgins Clark.

L&L - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor?

SB - O conselho que eu daria a alguém que quer ser escritor  é tentar e nunca desistir, porque na vida tudo é possível com muito trabalho.

L&L - Para quando um novo projeto editorial?

SB - Já estou a escrever um novo livro para crianças. Intitulado "Océane et la bibliotèque magique". A Ilustradora é Maria João Raimundo.


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Cristina Valente: "Muitas vezes não atingimos os nossos sonhos porque não os queremos assim tanto"

ENTREVISTAS - Escritores

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Cristina Valente é autora do livro “Coaching para Pais” da Editora A Esfera dos Livros, dedicado a Pais, Professores e Técnicos de Saúde Infantil. Apenas uma semana após o lançamento, em Julho passado, a obra entra diretamente para o 4º lugar do Top de vendas na Categoria Não-Ficção. Três meses depois, chega às livrarias a 2ª edição! Desde Setembro, participa no programa “Mais Mulher” (SIC Mulher) como autora da rubrica “Pais Positivos”. Psicóloga formada pelo I.S.P.A. – Instituto Superior de Psicologia Aplicada, ex-jornalista e apresentadora de televisão, Cristina Valente interessou-se pela Educação Parental e pela sua aplicação prática nos dias de hoje.

Livros & Leituras - Quem é?


Cristina Valente – Nasci em Angola e vivo em Paço de Arcos (Lisboa, Portugal) com os meus dois filhos, perto da praia. A minha paixão são os cavalos. A Psicologia. E o Empreendedorismo Digital. Licenciei-me pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA) e desenvolvi um Projecto de Educação Parental a que chamei "Como Educar Crianças Responsáveis e Positivas" com o qual intervim (na minha prática de counselling, de palestrante e de formadora) junto de Pais, Professores, Pediatras e Enfermeiras Pediátricas. Sou autora de uma obra (“Coaching para Pais”, da Editora A Esfera dos Livros) dedicado a Pais, Professores e Técnicos de Saúde Infantil. Apenas uma semana após o lançamento, em Julho passado, a obra entrou diretamente para o 4º lugar do Top de vendas na Categoria Não-Ficção. E quatro meses depois, chegou às livrarias a 2ª edição. Sou autora também de uma outra dedicada a novos negócios digitais de empreendedorismo (“O Facilitador”, da Editor Mahatma Edições) projeto que desenvolvo e que ajuda qualquer cidadão comum a transformar-se num empresário de sucesso. Fui Editora, Apresentadora e Jornalista de Televisão nas Áreas do Entretenimento, Educação e Cultura em vários canais nacionais: RTP, RPT/Açores, Canal de Notícias de Lisboa (actual SIC Notícias) e TVI. Na ZON estive ligada às Áreas de Formação & Desenvolvimento e de Responsabilidade Social.


L&L - Como e quando começou a interessar-se por literatura? 

CV – Leio desde muito pequenina. Acabei por ter que usar óculos a partir dos oito anos, alegadamente pelo tempo que gastava a ler os meus livros de criança.

L&L - Por que motivo resolveu escrever livros?

CV – Na verdade, não fui eu que fui ter com o mundo dos livros mas sim o contrário. Nas minhas sessões de Parenting Coaching, muitos pais, professores e pediatras perguntavam-me se tinha livros da minha autoria que pudesse indicar-lhes. Não tinha nem era esse o meu foco. Mas a verdade é que no exacto mês em que decidi despedir-me da empresa onde trabalhava acabei por receber um convite totalmente inesperado por parte da editora-chefe da Esfera dos Livros, Sofia Monteiro, depois de saber da existência das sessões para pais que realizo no El Corte Inglés de Lisboa.


L&L - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

CV – Adorei escrever ambos os livros. Ambos têm mensagens muito fortes sobre superação e fala sobre os verdadeiros desafios na vida: “Coaching para Pais” fala de como poderemos tornar-nos melhores seres humanos para podermos ser melhores pais; “O Facilitador” fala de novos veículos económicos que permitem a qualquer pessoa alcançar os seus sonhos.


L&L - Em que é que se inspira para escrever um livro?

CV – No livro “Coaching para Pais” inspirei-me na minha própria experiência de mãe, na experiência de maternidade da minha avó, a quem dedico o livro e nos casos reais de muitos pais e mães que fui conhecendo e acompanhando ao longo destes anos. Quanto ao “O Facilitador” inspirei-me na vida real de um homem que há dois anos atrás não tinha um tostão e uma dívida de 200.00 euros de um empresa sua que faliu e que hoje é um milionário que criou um verdadeiro movimento de “milionários com propósito”. Neste livro estão também testemunhos de algumas pessoas que fazem parte do movimento (entre as quais eu própria) que têm histórias de superação de vida absolutamente poderosas e inspiradoras.


L&L - Se não fosse escritor, o que gostava de ser? 

CV – Eu sou e gosto de ser muitas coisas. A recente experiência de escritora fascinou-me. Adoro a ideia de poder inspirar e ajudar outras pessoas através da leitura e dos livros. Mas também adoro a minha profissão de psicóloga (coach parental) e de poder ajudar outras mães e pais a melhorarem a sua relação com os seus filhos. E também já não vivo sem este Projecto de Empreendedorismo Digital em que sou Mentora de famílias de sucesso.


L&L - Quais são seus autores preferidos? 

CV – Adoro Jim Rohn, Brian Tracy, Robert Kyosaki, Tony Robbins, Zig Ziglar e Scott Peck…e o português Eça de Queiroz.


L&L - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor? 

CV – O mesmo conselho que dou a todas as pessoas que querem realizar os seus sonhos e que me escolhem como Mentora: em primeiro lugar, que descubra realmente o que ambiciona ser, ter e fazer…porque para o conseguir vai ter que desejá-lo intensamente! Muitas vezes não atingimos os nossos sonhos porque afinal não os queremos assim tanto…nem sempre estamos dispostos a pagar o preço. Em segundo lugar; em ser persistente, focar toda a sua energia para esse sonho e não se desviar um milímetro. Ah…e entretanto ir trabalhando muito!


L&L - Para quando um novo projeto editorial?

CV – Tenho a certeza que em breve estarei a lançar um novo livro.




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Domingas Monte: "Sinto a necessidade e a urgência em escrever para expelir sentimentos"

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Domingas Monte nasceu em Angola, em 1982, no Uíge. Foi aí que iniciou os seus estudos primários, que acabou por terminar em Luanda onde fez, ainda, o secundário, o Puniv completo e se licenciou em Línguas e Literaturas Africanas, pela Universidade Agostinho Neto. Obteve o grau de Mestre em Estudos Literários Culturais e Interartes (Faculdade de Letras de Universidade do Porto) com a tese: “Tradições Nacionais e Identidades: Recolha e Estudo de Canções Festivas e de óbito Kongo e Ovimbundu”. Começou por ser professora do ensino primário, depois do ensino médio e, atualmente, é professora do ensino universitário, na Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto, no Departamento de Línguas e Literaturas Angolanas. Também desempenhou as funções de secretária, jornalista da Rádio LAC, locutora, entre outras. Orgulhosa das suas raízes, criou o Blogue, Mwelo Weto, do qual é, também, administradora. Este blogue é dedicado a Africa, em geral, particularizando, contudo, o lado angolano, a sua língua, cultura, literatura e tradições. Como hobbies, além da leitura e da escrita, tem a fotografia e a guitarra. Vem sendo uma presença cada vez mais assídua em congressos, jornadas e encontros sobre a cultura africana e a literatura. É coautora do romance interativo “O cruzeiro da morte” e das antologias “Sonhos sem fronteiras” e “O Perfume”. Tem, ainda, poemas publicados na coleção “Crónicas e Contos El Dorado” e um conto na Antologia de Poesia e Prosa “Ate de Viver”, ambos da Celeiro de Escritores do Brasil. Publicou, recentemente, o livro infantil “O Gelado de Múkua da Mamita”.

Livros & Leituras – Que significado tem para si o ato de escrever e a partir de que altura este se tornou “profissional”?

Domingas Monte – Escrever, para mim, tem um significado vital, porque, às vezes, sinto a necessidade e a urgência em escrever para expelir sentimentos, vontades, tormentos, frustrações, sonhos, etc., como se a caneta e o papel fossem o ar que eu preciso para me manter feliz. A escrita tornou-se uma profissão muito cedo, na adolescência, mesmo não tendo uma noção clara disso, eu já era profissional, pois nessa altura escrevia muito.

L&L – É preciso ser um bom leitor para se ser um bom escritor?

DM – Não necessariamente, é preciso ter-se talento e trabalhar afincadamente para tal. Porém, ser bom leitor ajuda-nos a evoluir e a afinar algumas técnicas e procedimentos para atingirmos altos voos e estar ao nível de grandes escritores e corresponder às expetativas dos leitores, que, a cada dia que passa, se tornam mais exigentes.

L&L – O seu trabalho é versátil ou, pelo contrário, tem um estilo muito próprio e facilmente identificável pelos leitores?

DM – Sou versátil.

L&L – Áreas como, por exemplo, a ilustração e a música têm vindo a afirmar-se na sua relação com a Literatura. Como encara esse facto?

DM – Para mim, é fundamental na medida em que essa relação tem vindo, de alguma forma, a contribuir no enriquecimento da literatura, porque com elas conseguimos dar mais expressividade à nossa escrita e nos aproximam mais dos leitores. Por exemplo, as ilustrações são de grande valia para transmitir e descodificar as mensagens que se passam aos mais novos.

L&L – A tradição oral representa, nalguns países da lusofonia, uma importante marca de identidade cultural. A globalização e a dificuldade em editar podem ser uma ameaça à perda desse património?

DM – Sim, tem sido uma grande ameaça, e nos grandes centros urbanos desses países os valores culturais têm sido trocados por valores ocidentais, que não correspondem à nossa tradição. Ainda assim, tem sido preservada e legada às gerações futuras pelos mais velhos, considerados os guardiões da tradição oral.

L&L – A Língua Portuguesa é uma mais-valia no panorama literário mundial?

DM – Evidentemente que sim, e ao longo dos tempos vem-se afirmando no panorama literário mundial, ganhando, com isso, através dos seus grandes escritores, o seu espaço.

L&L – Quais os seus escritores lusófonos favoritos e porquê?

DM – Agostinho Neto, Pepetela, Mia Couto, Florbela Espanca, Sophia de Melo Breyner, José Saramago, Nuno Júdice, Mário Quintana, Rubem Fonseca, Adélia Prado...

L&L – Ao nível da Literatura, que medidas poderão ser implementadas para que o universo lusófono seja uma realidade mais coesa entre escritores de diferentes nacionalidades?

DM – A realização de fóruns e encontros periódicos nos diversos países.

L&L – A Internet e os recentes suportes informáticos contribuem para o reforço e promoção do seu trabalho?

DM – Sim e em larga escala. É muito gratificante para mim.

L&L – Qual o maior desafio que já enfrentou ou que gostaria de enfrentar em termos profissionais?

DM – Gostava de escrever um romance. Algo que para mim é ainda de difícil execução. Tenho alguns romances desenhados na minha cabeça, mas não consigo, de imediato, passá-los ao papel.

*Entrevista realizada no âmbito do “Munda Lusófono – 1.º Encontro Literário de Montemor-o-Velho”


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Possidónio Cachapa: "Os meus autores favoritos são todos os que resistem ao tempo"

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LIVROS & LEITURAS - Quem é?

Possidónio Cachapa

L&L - Como e quando começou a interessar-se por literatura? 

PC - Desde sempre. Primeiro como leitor voraz, depois como escritor que gosta de ler.

L&L - Por que motivo resolveu escrever livros?

PC - Por duas razões: a) perceber o mundo. b) porque o melhor instrumento de comunicação que possuo é a voz. Escrita, na ocorrência.

L&L - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

PC - Gosta-se de todas por razões diferentes. “Materna Doçura” pela emoção, “O Mar por Cima” pela presença dos Açores,  “Viagem ao Coração dos Pássaros” pela escuta que me permitiu fazer da Natureza e das pessoas... E assim, sucessivamente.

L&L - Em que é que se inspira para escrever um livro?

PC - Não me inspiro. As imagens ou personagens surgem-me. E eu materializo-as, apenas,

L&L - Se não fosse escritor, o que gostava de ser? 

PC - Sou muitas outras coisas, em menor grau: professor universitário, realizador, mergulhador, pai, cozinheiro amador, corredor nas horas livres... etc, etc.

L&L - Quais são seus autores preferidos? 

PC - Todos os que resistem ao tempo. Por exemplo, Steinbeck.

L&L - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor? 

PC - Que isso não existe. A pessoa não é porque quer.  A vontade própria não conta. Mas pode sempre ficar à escuta das coisas invisíveis, do que não se conhece, do que não tem nome. E se ouvir alguma coisa e conseguir registá-la devidamente por escrito, talvez aconteça. Talvez.

L&L - Para quando um novo projeto editorial?

PC - Estou a terminar um novo romance que deve sair este ano e tenho um outro começado há muitos anos e que talvez sofra evoluções mais para o final de 2015.


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