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Neca Machado: "Escrever é um ato emotivo"

ENTREVISTAS - Escritores

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Neca Machado é brasileira, nascida no extremo norte da Amazónia, em 05.08.1961. É administradora geral, artista plástica impressionista e abstrata, licenciada em Pedagogia, bacharel em Direito Ambiental, jornalista e pesquisadora de mitos da Amazónia com mais de 2000 publicações entre crónicas, contos e artigos literários, e co-autora na obra poética portuguesa “Ecos de Apolo”.

Livros & Leituras - Como e quando começou a interessar-se por literatura? 

Neca Machado - Desde criança amava viajar pelos livros, sonhando um dia tornar-me escritora o que realizei quando fui editora de cultura de um periódico local por mais de 5 anos.

L&L - Por que motivo resolveu escrever livros?

NM - Os livros perpetuam lembranças, estórias e encantam as novas gerações.

L&L - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

NM - Sou autora de mais de dois mil artigos sobre Mitologia da Amazónia, e todos eles são especiais para mim.

L&L - Em que é que se inspira para escrever um livro?

NM - O meu Livro de Contos da Amazónia são releituras de estórias de pioneiros das entranhas da floresta.

L&L - Se não fosse escritora, o que gostava de ser? 

NM - Realizei meus sonhos ao longo do percurso de mais de 50 anos, fui à universidade 3 vezes, fiz 2 especializações, ainda sonho com um Mestrado em Lisboa na área de Direito, e viajei por 11 países pesquisando administração urbana e gestão ambiental.

L&L - Quais são seus autores preferidos? 

NM - Gosto imensamente de Fernando Pessoa e Antoine Saint Exupery, sempre atual.

L&L - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor? 

NM - Que desbrave sua sensibilidade através da emoção, escrever é um ato emotivo.

L&L - Para quando um novo projeto editorial?

NM - Publiquei em Lisboa uma Obra Poética Coletiva em 20.03.2016. Fui da Amazónia para Lisboa para o lançamento e pretendo publicar a vida e obra de um português que nasceu em Vila Nova de Gaia e ajudou a construir cidades no extremo norte do Brasil, sou pesquisadora de sua obra.


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Francine Camargo: "A ideia da rejeição me apavorava."

ENTREVISTAS - Escritores

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Francine S. C. Camargo, de 36 anos, é médica pediatra, mãe e escritora, tudo em tempo integral, pronta para o que couber em palavras.

Livros & Leituras - Quem é?

Francine Camargo - Sou meio de fases, na maior parte do tempo lua nova, porém velha, em eterno renascimento, outros dias sou lua cheia, quando a plenitude me ataca, lua crescendo ou minguando quando me cubro de incertezas e sigo assim meus dias, meu ciclo.

L&L - Como e quando começou a interessar-se por literatura? 

FC - Eu me interesso pela leitura desde antes de ser alfabetizada. Tinha um desejo infindo em ler obras literárias da coleção de meu pai. Meu gosto pela escrita surgiu alguns anos depois, por conta de devorar livros, de ter paixão por ler, quando comecei a escrever despretensiosamente e fui adquirindo interesse cada vez maior.

L&L - Por que motivo resolveu escrever livros?

FC - Decidi me aventurar na escrita desde sempre, mas a ideia de expor-me, de trazer meus textos ao mundo real para, de facto, serem lidos, surgiu há pouco mais de um ano pois, até então, a ideia da rejeição me apavorava.

L&L - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

FC - Esse livro é de contos e crónicas que foram compilados, é a minha primeira publicação. Dos textos que estão contidos nele, tenho o favorito, um conto chamado “A revolução dos livros”, que traz vida e personalidade a livros de uma estante, mostrando que eles não estão solitários, aguardando que alguém os retire da prateleira, eles têm os seus próprios meios de se abrirem para o mundo. Gosto particularmente desse conto pela ideia de liberdade que está incutida nele e no restante do livro.

L&L -Em que é que se inspira para escrever um livro?

FC - Para mim, tudo vira motivo de inspiração, tudo e qualquer coisa: uma paisagem bucólica, uma conversa ouvida em algum lugar, a medicina, a maternidade, as lembranças de infância, a morte, enfim, gosto de buscar nas situações comuns um ponto de vista que não se pensou ainda ou, ao menos, que não tenham conseguido verbalizar.

L&L - Se não fosse escritora, o que gostava de ser? 

FC - Eu já tenho a minha profissão de formação, que é a Pediatria, então, posso dizer com todas as letras, que sou e faço exatamente aquilo que sempre sonhei ser e fazer.

L&L - Quais são os seus autores preferidos? 

FC - A lista é grande, mas vou citar aqueles que mais me inspiram e mais leio: Clarice Lispector, José Saramago, Mario Vargas Llosa, Machado de Assis, Dostoievski, Marcelo Rubens Paiva.

L&L - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor? 

FC - Meu conselho é “liberte-se”. Dê vida às palavras desde que elas carreguem quem você é.

L&L - Para quando um novo projeto editorial?

FC - No momento, estou inteirada na divulgação de “Mãos livres”, mas tenho um novo projeto em andamento (um romance psicológico, dessa vez) e já quase pronto um novo livro de contos.

Blog: Papo de Fran (https://papodefran.com/)

Facebook: Francine S.C. Camargo escritora (https://www.facebook.com/francinesccamargo)

Twiter: https://twitter.com/francamargo8


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Ana Ribeiro: O caminho de um escritor pode ser longo e trabalhoso mas, devagarinho, chega-se lá

ENTREVISTAS - Escritores

Ana Ribeiro nasceu no último dia do mês de Maio. Tem 28 anos. É licenciada em Análises Clínicas e Saúde Pública, mas nutre pela escrita uma enorme paixão desde a adolescência.

Livros & Leituras - Quem é?

Ana Ribeiro - Chamo-me Ana Ribeiro, tenho 28 anos, vivo em Chaves. Sou licenciada em Análises Clínicas e de Saúde Pública; mas tenho a paixão pela escrita praticamente desde sempre. Considero-me uma leitora compulsiva, adoro ler qualquer género literário, sou apaixonada pelos animais, pela fotografia, pela música – não há um dia em que não oiça música – e por um bom filme romântico.

L&L - Como e quando começou a interessar-se por literatura? 

AR - No início da adolescência, com a escrita de alguns diários. Cresci a gostar muito de ler e foi logo no início da adolescência que me inscrevi no Clube Caminho Fantástico da Editorial – do qual ainda hoje sou sócia. Recebia trimestralmente uma revista, na qual vinham sempre alguns desafios de escrita, comecei a participar e a ganhar pequenos prémios: essencialmente livros e foi isso que me incentivou a continuar sempre a escrever.

L&L - Por que motivo resolveu escrever livros?

AR - Era uma espécie de sonho. Um dia mostrei alguns textos meus a um amigo que deu a ideia de eu os compilar em livro; apesar de ter gostado da ideia e de ter ficado imenso tempo a pensar nela. Sentia que não estava preparada para mostrar os meus textos aos outros, eram textos pessoais e autobiográficos, gostava de escrever só para mim. Para além disso achava que só publicava livros quem era famoso e já tinha muita qualidade a escrever, algo que hoje não se verifica porque há cada vez mais editoras a apostar em jovens escritores.

Depois de muito pensar naquela ideia, decidi ir à aventura e enviar alguns daqueles textos para editoras. Recebi apenas uma resposta positiva; mas foi o suficiente para seguir em frente e realizar o meu sonho em Março de 2011 com o meu primeiro livro de poesia.

L&L - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

AR - É uma questão algo difícil de responder porque todos os livros que um autor publica são especiais e marcam, surgem em alturas específicas da vida e marcam momentos muito especiais. No entanto, sinto também que todos os autores têm um livro mais especial que os outros, nesse sentido, o livro que mais gostei de escrever foi o que irá ser publicado no próximo ano. Comecei a trabalhar na história em 2011, inicialmente como uma história infantil, mas depois acabou por evoluir para um romance onde a amizade é a rainha e o amor surge por acréscimo.

Escrever a história marcou-me muito, vivi muito o que escrevi: ri, chorei, sofri, sonhei acordada. Nutro por ela um carinho muito especial, e sempre que leio alguns excertos emociono-me.

L&L - Em que é que se inspira para escrever um livro?

AR - Vou buscar inspiração aos meus autores preferidos, aos livros que leio, aos filmes que vejo, às pessoas que me rodeiam: família e amigos. A tudo o que me envolve.

L&L - Se não fosse escritor, o que gostava de ser? 

AR - Veterinária. Adoro animais – desde pequena que cresci com animais em casa – e é uma profissão que me fascina, compreender o mundo animal ensina-nos muito e principalmente ajuda-nos a sermos melhores pessoas.

L&L - Quais são seus autores preferidos? 

AR - Tenho vários. Na literatura portuguesa o meu autor preferido é o José Luís Peixoto, adoro a escrita dele, a forma como se expressa, como escreve – escrita simples e terra-a-terra – e como cativa quem lê.  É um autor indispensável na minha biblioteca.

Gosto também de Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner, Margarida Rebelo Pinto, Nicholas Sparks entre muitos outros.

L&L - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor? 

AR - Para não desistirem do seu sonho e lutarem sempre afincadamente por ele até ao fim. Compreendo que o facto de ser difícil para jovens escritores vingarem no mundo da literatura, na actualidade, acaba por fazer com que esses mesmos jovens escritores desistam de realizar o seu sonho e de mostrarem o que valem. O mundo é pequeno para tantos autores que surgem e o mercado livreiro ainda não está aberto a divulgar o nosso trabalho como gostaríamos, ainda dão mais ênfase aos escritores veteranos que, na verdade, já fizeram o mesmo caminho que os jovens escritores estão a fazer agora.

O caminho pode ser longo e trabalhoso; mas devagarinho chega-se lá. E vale a pena, porque cada vitória e cada conquista nos fazem evoluir e crescer. Amadurecem-nos.

L&L - Para quando um novo projeto editorial?

Tenho tudo planeado para editar o meu próximo romance no início de 2017, estou agora na fase de edição e revisão da obra. Estou muito entusiasmada e ansiosa para mostrar esta nova história aos meus leitores. Sendo que, as personagens principais deste novo livro já surgem no livro anterior. Tenho partilhado alguns pequenos excertos nas redes sociais e o público tem recebido muito bem a história do próximo livro.

Site/blogue: http://omeublogdeescrita.wordpress.com.


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Diogo Xavier: "Claro que a atividade de pensar se desenvolve lendo"

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Diogo Xavier, que tem como pseudónimo literário Diogo Lucas Linhares, nasceu em Coimbra, em 1993. É estudante de História na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Teve cargos associativos na Associação Académica de Coimbra, nomeadamente no Conselho Fiscal. Foi membro do Conselho Pedagógico da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. É treinador de minibasquetebol, no CAD Ass. Coimbra Basquete. Tem dois livros de poesia publicados: “Dias de sorte” (2011) e “A Mondeguina” (2014).

Livros & LeiturasQue significado tem para si o ato de escrever e a partir de que altura este se tornou “profissional”? 

Diogo Xavier – Eu não sou um profissional da escrita, nem penso que eles existam. Os seres humanos têm as suas vidas, os seus hábitos, os seus vícios... É a partir desse quotidiano que descobrimos formas de expressar aquilo que sentimos e que pensamos da vida ou da sociedade que nos rodeia. Nunca é, portanto, uma atividade profissional. José Saramago dizia que escrevia para aprender. Penso que todos escrevemos para aprender e, de certo modo, para que o que nos estão mais próximos compreendam pontos de vista que não conseguimos explicar de outra forma. Posso afirmar, assim, que escrevo para tentar suprimir as minhas próprias falências.

L&L – É preciso ser um bom leitor para se ser um bom escritor?

DX – Será preciso, necessariamente, conseguir pensar. Claro que a atividade de pensar se desenvolve lendo. É, claramente, preciso que se leia o que à partida se desconhece. Não percebi nada do primeiro livro desafiante que li, “Uma Espécie de Vida”, de Graham Greene. Tinha, talvez, 13 anos. Foi o livro que mais me fez pensar e desenvolver aquilo que escrevia. O confronto com o que nos parece impercetível é indispensável.

L&L – O seu trabalho é versátil ou, pelo contrário, tem um estilo muito próprio e facilmente identificável pelos leitores?

DX – O meu primeiro livro, “Dias de sorte”, reside num jovem sonhador que pensa um mundo justo e igualitário e se depara com a antítese daquilo que imagina. O segundo livro, “A Mondeguina”, a ideia é a criação de um cenário mitológico que tem o real como ponto de partida. São dois livros distintos. Não obstante, tento, sempre que posso, fugir daquilo a que se pode chamar "literatura light", procurando deixar à vista a realidade visível, com todas as dicotomias sociais que nela vivem. É com isso que podem contar de mim.

L&L – Áreas como, por exemplo, a ilustração e a música têm vindo a afirmar-se na sua relação com a Literatura. Como encara esse facto?

DX – Fundamentalmente, a Música. Todas as formas de expressão artística são, digamos, parentes umas das outras. A Música e a Literatura são, sem dúvida, amantes.

L&L – A tradição oral representa, nalguns países da lusofonia, uma importante marca de identidade cultural. A globalização e a dificuldade em editar podem ser uma ameaça à perda desse património?

DX – A tradição oral é uma marca de identidade cultural em todos os países da lusofonia. Quando se diz que "a falar é que a gente se entende", isso não é só, na minha opinião, um conselho para não discutirmos com violência. É, também, uma frase demonstrativa do grau de amizade e de confiança que as pessoas podem estabelecer entre si. Tenho alguns amigos na memória, não por terem partilhado grandes aventuras comigo, mas por me terem ensinado trocadilhos ou frases que me marcaram. Lembro-me de um colega de escola que, antes de uma aula de Matemática, me perguntou por que raio é que "separado" se escrevia tudo junto e "tudo junto" se escrevia separado. Passei a admirá-lo. Usei, até, esse pensamento, num poema. A globalização, se fizermos bom uso dela, aumentará exponencialmente essa transmissão cultural.

L&L – A Língua Portuguesa é uma mais-valia no panorama literário mundial? 

DX – Sem qualquer dúvida. O Mundo da Literatura viveria sem a Literatura Lusófona, mas viveria menos bem.

L&L – Quais os seus escritores lusófonos favoritos e porquê?

DX – José Saramago, António Lobo Antunes, Drummond de Andrade, Jorge Amado, Mia Couto, Pepetela, José Eduardo Agualusa... A lista é extensíssima. Todos encontraram uma abordagem única, todos contribuíram decisivamente para retirar poeira dos nossos olhos. Há, ainda, novos nomes, de gente com sangue menos gasto. A Matilde Campilho é, na minha opinião, a expressão disso. É como se ela se tivesse deitado com a cabeça em Portugal e os pés no Brasil. É uma ponte de brilho e aroma a verão.

L&L – Ao nível da Literatura, que medidas poderão ser implementadas para que o universo lusófono seja uma realidade mais coesa entre escritores de diferentes nacionalidades?

DX – Penso que os Ministérios da Cultura, onde os houver, devem proporcionar encontros entre escritores da Lusofonia. Fomentar prémios Literários também seria uma boa medida. É urgente que a Literatura seja mais vista como oxigénio. Neste momento, vendem-se mais livros de receitas culinárias do que de poemas, em Portugal, no Brasil, em todo o lado...

L&L – A Internet e os recentes suportes informáticos contribuem para o reforço e promoção do seu trabalho?

DX – A Literatura acompanha, inevitavelmente, o progresso tecnológico no tempo. Penso que criarei, nos próximos tempos, um blogue com alguns poemas.

L&L – Qual o maior desafio que já enfrentou ou que gostaria de enfrentar em termos profissionais?

DX – Gostava de acrescentar algo no plano da História. Sempre surgem novas interpretações em relação ao Passado da Humanidade. É, em parte, isso que ajuda a construir o nosso Futuro.

 *Entrevista realizada no âmbito do “Munda Lusófono – 2º Encontro Literário de Montemor-o-Velho”


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Susana Freitas: "O ato de escrever é desnudar-me"

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Susana Freitas nasceu em março de 1975, em Marco de Canaveses. Fez Licenciatura em Geografia, na Universidade de Coimbra, exercendo a docência em Geografia desde 1998. Fez mestrado em Geografia Humana pela mesma universidade, tendo concluído em 2008. Foi formadora de adultos, acumulando com o ensino regular. Em 2011, começou o seu percurso na pintura como hobby. Tem frequentado aulas de pintura, sempre que possível. Foi uma evolução rápida e dois anos depois começou a expor, tendo já realizado várias exposições. Em Setembro de 2014, lançou o seu primeiro livro. Um conto escrito e ilustrado por si própria “A Menina e a Sábia”. Colabora com a Rádio Província 100.8 FM numa rúbrica semanal sobre livros e autores intitulada: “Escritas e Leituras” a par do blogue: “A Rádio também gosta de Livros”. Tem ainda um blogue pessoal onde vai partilhando a sua evolução e o seu percurso na escrita e pintura em: http://sanafreitas.blogspot.pt/

 

Livros & LeiturasQue significado tem para si o ato de escrever e a partir de que altura este se tornou “profissional”? 

Susana Freitas – O ato de escrever é desnudar-me, daí a dificuldade em escrever, ou melhor, em mostrar o que escrevo. Mesmo que seja uma personagem inventada, fictícia, é colocar no ato de a criar, muito de quem cria, coloco muito de mim em tudo o que escrevo e faço. A escrita jamais será, para mim, “profissional” mesmo que venha a trabalhar no mundo dos escritores, que é o que pretendo. Escrever é dar de mim, e isso só se faz por amor.

 

L&L – É preciso ser um bom leitor para se ser um bom escritor?

SF – É preciso ser leitor. É preciso ler muito. Mas não me parece que existam fórmulas. Há quem seja um bom leitor e não escreva e há quem escreva e não seja grande leitor.

 

L&L – O seu trabalho é versátil ou, pelo contrário, tem um estilo muito próprio e facilmente identificável pelos leitores?

SF – Só publiquei um livro infanto-juvenil, é um conto que ilustrei com pinturas minhas. O segundo livro que já está pronto, vai ser do mesmo género, mas pretendo vir a concretizar projetos já iniciados de outros estilos. Superar-me está na minha essência, veremos se depois conseguirei agradar aos leitores e se estes identificam um estilo próprio.

 

L&L – Áreas como, por exemplo, a ilustração e a música têm vindo a afirmar-se na sua relação com a Literatura. Como encara esse facto?

SF – No meu livro “A Menina e a Sábia” eu apostei na ilustração muito original e diferente do habitual para livros, principalmente para o público-alvo. Estou a preparar um projeto musical para associar a este livro. Acredito que o caminho é mesmo misturar as diferentes artes e, principalmente, misturar os diferentes conhecimentos e experiências dos diversos intervenientes. Ninguém sobrevive sozinho. Associar a música, a ilustração, a fotografia, o cinema, etc… aos livros, são mais-valias em que todos ficam a beneficiar e ninguém fica a perder, uma vez que as várias sinergias se podem motivar e complementar e assim atingir novos públicos.

L&L – A tradição oral representa, nalguns países da lusofonia, uma importante marca de identidade cultural. A globalização e a dificuldade em editar podem ser uma ameaça à perda desse património?

SF – Acredito que não. A tradição oral é cada vez mais protegida até pela publicação, pelo menos quero acreditar nisso. Não me parece que seja assim tão difícil editar, o mais difícil é divulgar os trabalhos e fazer com que tenham a projeção que alguns merecem. A oferta é grande e nem sempre um novo autor tem facilidade em se impor. Mas em alguns casos, a globalização e as redes sociais ajudam muito.

L&L – A Língua Portuguesa é uma mais-valia no panorama literário mundial? 

SF – Não sei responder. Sei que há dificuldade em traduzir uma língua complexa como a nossa. O meu livro tem estado a ser traduzido para francês e a dificuldade prende-se com os sentidos que eu dei às palavras. Já está na terceira tentativa de tradução. Desta vez, estou a trabalhar diretamente com a tradutora para lhe explicar o sentido que pretendo na escolha das minhas palavras. Se não estivesse a trabalhar diretamente com a tradutora, o livro seria traduzido à letra o que faria com que se perdesse alguma riqueza do que pretendi escrever. Talvez seja esse o problema de alguns livros portugueses, pois em Portugal e em português há trabalhos tão bons como em qualquer parte do mundo ou língua.

L&L – Quais os seus escritores lusófonos favoritos e porquê?

SF – Paulo Coelho está no topo de uma longa lista de preferências, seria mesmo muito longa.

L&L – Ao nível da Literatura, que medidas poderão ser implementadas para que o universo lusófono seja uma realidade mais coesa entre escritores de diferentes nacionalidades?

SF – Talvez mais encontros entre autores de várias nacionalidades em que pudessem partilhar experiências e levar até outras paragens o que se vai fazendo dentro das fronteiras.

L&L – A Internet e os recentes suportes informáticos contribuem para o reforço e promoção do seu trabalho?

SF – Sem dúvida alguma. Neste momento acredito que é o maior recurso de promoção. Em projetos pequenos ou de novos autores que não têm capacidade de pagar campanhas publicitárias, o recurso mais acessível e fácil é a Internet e as redes sociais.

L&L – Qual o maior desafio que já enfrentou ou que gostaria de enfrentar em termos profissionais?

SF – Como docente de Geografia em vários tipos de ensino, já tive muitos desafios, a pintura e a escrita também foram desafios que fui superando; mas acredito que os maiores desafios estão ainda para vir: novos projetos relacionados com este mundo maravilhoso dos livros.

 

*Entrevista realizada no âmbito do “Munda Lusófono – 2.º Encontro Literário de Montemor-o-Velho”


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