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Susana Freitas: "O ato de escrever é desnudar-me"

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Susana Freitas nasceu em março de 1975, em Marco de Canaveses. Fez Licenciatura em Geografia, na Universidade de Coimbra, exercendo a docência em Geografia desde 1998. Fez mestrado em Geografia Humana pela mesma universidade, tendo concluído em 2008. Foi formadora de adultos, acumulando com o ensino regular. Em 2011, começou o seu percurso na pintura como hobby. Tem frequentado aulas de pintura, sempre que possível. Foi uma evolução rápida e dois anos depois começou a expor, tendo já realizado várias exposições. Em Setembro de 2014, lançou o seu primeiro livro. Um conto escrito e ilustrado por si própria “A Menina e a Sábia”. Colabora com a Rádio Província 100.8 FM numa rúbrica semanal sobre livros e autores intitulada: “Escritas e Leituras” a par do blogue: “A Rádio também gosta de Livros”. Tem ainda um blogue pessoal onde vai partilhando a sua evolução e o seu percurso na escrita e pintura em: http://sanafreitas.blogspot.pt/

 

Livros & LeiturasQue significado tem para si o ato de escrever e a partir de que altura este se tornou “profissional”? 

Susana Freitas – O ato de escrever é desnudar-me, daí a dificuldade em escrever, ou melhor, em mostrar o que escrevo. Mesmo que seja uma personagem inventada, fictícia, é colocar no ato de a criar, muito de quem cria, coloco muito de mim em tudo o que escrevo e faço. A escrita jamais será, para mim, “profissional” mesmo que venha a trabalhar no mundo dos escritores, que é o que pretendo. Escrever é dar de mim, e isso só se faz por amor.

 

L&L – É preciso ser um bom leitor para se ser um bom escritor?

SF – É preciso ser leitor. É preciso ler muito. Mas não me parece que existam fórmulas. Há quem seja um bom leitor e não escreva e há quem escreva e não seja grande leitor.

 

L&L – O seu trabalho é versátil ou, pelo contrário, tem um estilo muito próprio e facilmente identificável pelos leitores?

SF – Só publiquei um livro infanto-juvenil, é um conto que ilustrei com pinturas minhas. O segundo livro que já está pronto, vai ser do mesmo género, mas pretendo vir a concretizar projetos já iniciados de outros estilos. Superar-me está na minha essência, veremos se depois conseguirei agradar aos leitores e se estes identificam um estilo próprio.

 

L&L – Áreas como, por exemplo, a ilustração e a música têm vindo a afirmar-se na sua relação com a Literatura. Como encara esse facto?

SF – No meu livro “A Menina e a Sábia” eu apostei na ilustração muito original e diferente do habitual para livros, principalmente para o público-alvo. Estou a preparar um projeto musical para associar a este livro. Acredito que o caminho é mesmo misturar as diferentes artes e, principalmente, misturar os diferentes conhecimentos e experiências dos diversos intervenientes. Ninguém sobrevive sozinho. Associar a música, a ilustração, a fotografia, o cinema, etc… aos livros, são mais-valias em que todos ficam a beneficiar e ninguém fica a perder, uma vez que as várias sinergias se podem motivar e complementar e assim atingir novos públicos.

L&L – A tradição oral representa, nalguns países da lusofonia, uma importante marca de identidade cultural. A globalização e a dificuldade em editar podem ser uma ameaça à perda desse património?

SF – Acredito que não. A tradição oral é cada vez mais protegida até pela publicação, pelo menos quero acreditar nisso. Não me parece que seja assim tão difícil editar, o mais difícil é divulgar os trabalhos e fazer com que tenham a projeção que alguns merecem. A oferta é grande e nem sempre um novo autor tem facilidade em se impor. Mas em alguns casos, a globalização e as redes sociais ajudam muito.

L&L – A Língua Portuguesa é uma mais-valia no panorama literário mundial? 

SF – Não sei responder. Sei que há dificuldade em traduzir uma língua complexa como a nossa. O meu livro tem estado a ser traduzido para francês e a dificuldade prende-se com os sentidos que eu dei às palavras. Já está na terceira tentativa de tradução. Desta vez, estou a trabalhar diretamente com a tradutora para lhe explicar o sentido que pretendo na escolha das minhas palavras. Se não estivesse a trabalhar diretamente com a tradutora, o livro seria traduzido à letra o que faria com que se perdesse alguma riqueza do que pretendi escrever. Talvez seja esse o problema de alguns livros portugueses, pois em Portugal e em português há trabalhos tão bons como em qualquer parte do mundo ou língua.

L&L – Quais os seus escritores lusófonos favoritos e porquê?

SF – Paulo Coelho está no topo de uma longa lista de preferências, seria mesmo muito longa.

L&L – Ao nível da Literatura, que medidas poderão ser implementadas para que o universo lusófono seja uma realidade mais coesa entre escritores de diferentes nacionalidades?

SF – Talvez mais encontros entre autores de várias nacionalidades em que pudessem partilhar experiências e levar até outras paragens o que se vai fazendo dentro das fronteiras.

L&L – A Internet e os recentes suportes informáticos contribuem para o reforço e promoção do seu trabalho?

SF – Sem dúvida alguma. Neste momento acredito que é o maior recurso de promoção. Em projetos pequenos ou de novos autores que não têm capacidade de pagar campanhas publicitárias, o recurso mais acessível e fácil é a Internet e as redes sociais.

L&L – Qual o maior desafio que já enfrentou ou que gostaria de enfrentar em termos profissionais?

SF – Como docente de Geografia em vários tipos de ensino, já tive muitos desafios, a pintura e a escrita também foram desafios que fui superando; mas acredito que os maiores desafios estão ainda para vir: novos projetos relacionados com este mundo maravilhoso dos livros.

 

*Entrevista realizada no âmbito do “Munda Lusófono – 2.º Encontro Literário de Montemor-o-Velho”


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Tânia Gomes: "A escrita cresceu lado a lado com o meu amor pela leitura"

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Tânia Gomes é, acima de tudo, uma criadora apaixonada. O seu mundo é o da fantasia e magia, e é a este mundo, assim como à Natureza, que ela vai buscar a sua inspiração. Tudo começou com a criação do seu primeiro mundo de fantasia – o mundo de Aiah. Depois de terminar o curso de Artes Plásticas – Escultura, Tânia dedica-se à escrita e a melhorar as suas capacidades de desenho. As histórias que escreve começam a ganhar uma dimensão maior, dando lugar ao seu primeiro livro, que é o início de uma longa saga – “A Era dos Elfos”. O gosto pela ilustração fá-la explorar outras técnicas e, desde o final de 2013 dedica-se à aprendizagem de técnicas artísticas digitais. Num instante, interessa-se pela técnica 3D, que em muito a faz lembrar a escultura e, ao mesmo tempo, continua a aprender pintura digital e foto-manipulação. Entretanto, estuda linguística e a criação de línguas. Todas as atividades criativas a que se dedica têm como finalidade a criação completa de mundos de fantasia.

Livros & Leituras – Que significado tem para si o ato de escrever e a partir de que altura este se tornou “profissional”?

Tânia Gomes – Eu sempre escrevi, desde criança. Sempre adorei criar histórias e sempre adorei colocá-las no papel. Para mim foi e é uma maneira de trazer para este mundo tudo o que a minha imaginação cria, de materializar os mundos que existem na minha mente e que são de certo modo uma das mais íntimas manifestações do meu ser. Durante muito tempo escrevia simplesmente o que fosse imaginando, sem grande preocupação em criar algo conciso. Pequenas histórias de uma página, descrições de seres que imaginava... Qualquer coisa que me apetecesse. Até ao momento em que decidi que queria mesmo começar a criar e estruturar estes mundos que me iam florescendo na mente. Honestamente, não ligo muito à questão de ser profissional ou não. Escrever é um gosto, uma paixão. Criar mundos de fantasia é das coisas mais maravilhosas que me podem dar para fazer. Claro que a partir do momento em que publico um livro passo a ser considerada escritora profissional e as responsabilidades em relação aos livros publicados e à sua continuação, visto trabalhar com sagas, aumenta. Mas o ato de escrever continua a ser para mim um ato íntimo em que a minha mente, o meu ser, a minha imaginação se pode manifestar livremente neste mundo. É uma ato de pura criação imaginativa.

L&L – É preciso ser um bom leitor para se ser um bom escritor?

TG – Não sei se tenho o direito de falar por toda a gente, mas acredito que sim. Para mim sem dúvida é. O meu amor pela escrita cresceu lado a lado com o meu amor pela leitura. Ainda hoje se por algum motivo a escrita não está a correr bem, a salvação é ler um livro. Para se ser um bom escritor não basta saber escrever, assim como para ser um bom maratonista não basta saber correr. É preciso saber criar (entre muitas outras coisas) uma boa estrutura de história, é preciso conseguir envolver o leitor através das palavras, da construção das frases, da expressividade do texto. A mesma ideia pode ser dita de infindáveis formas diferentes, transmitindo um sentido diferente em cada uma delas. Ler livros de diferentes autores expõe-nos a diferentes formas de transmitir ideias. Ser leitora ensina-me a ser escritora pois, ao ler, eu sinto pessoalmente o que me prende a diferentes histórias e o que me cria desinteresse. Eu aumento o meu vocabulário e o meu conhecimento de sintaxe, levando-me a explorar formas diferentes de construir o texto, mantendo-me numa evolução constante enquanto escritora.

L&L – O seu trabalho é versátil ou, pelo contrário, tem um estilo muito próprio e facilmente identificável pelos leitores?

TG – Apesar de conseguir escrever em muitos estilos diferentes não, o meu trabalho não é versátil e, ligando um pouco à questão anterior, a minha leitura também não é muito versátil. A minha grande paixão é a fantasia e quer como leitora quer como escritora é aquilo a que me dedico. Claro que já li muitas coisas que não são de fantasia e continuarei a fazê-lo, mas enquanto escritora é a criação de mundos de fantasia e das suas histórias a que me dedico. Não sei se o meu estilo é ou não facilmente identificável pelos leitores, mas acredito que sim, que tenho um estilo muito próprio quer a nível das histórias quer da escrita em si. Algumas pessoas conhecidas de facto disseram-me, depois de ler o livro que, conhecendo-me, é tão fácil ver-me, sentir-me em cada palavra e frase, que o livro “é tão eu”... É, talvez, o melhor elogio que me podiam dar, uma vez que me entrego de alma e coração às minhas criações. Para além disso, estes mundos que crio são de facto algo muito íntimo do meu ser. São os meus refúgios, os locais onde gosto de me passear quando não quero passear-me por este mundo. Materializá-los é uma forma de os tornar reais... Partilhá-los é uma forma de me partilhar a mim mesma com o mundo.

L&L – Áreas como, por exemplo, a ilustração e a música têm vindo a afirmar-se na sua relação com a Literatura. Como encara esse facto?

TG – É algo completamente intrínseco para mim. Na realidade a minha área de estudos é Belas-Artes e não Literatura. Para mim é estranho ver-me simplesmente como uma escritora. Eu vejo-me e sinto-me mais como uma criadora. Essa é a minha paixão: criar. Para isso, utilizo todas as ferramentas que possuo. Na realidade, as histórias dos meus livros aparecem-me como imagens animadas na minha mente. Eu vejo a história a acontecer visualmente, como se fosse um filme e depois descrevo por escrito aquilo que vejo. Muitas vezes, para ajudar a esta descrição faço esboços do que visualizo, crio as personagens em 3D, materializo visualmente aquilo de que sinto necessidade (ou que simplesmente quero muito ilustrar)... Utilizo todos os meios que tenho para dar vida aos meus mundos. O meu gosto pelo desenho, e pela ilustração é uma mais-valia na criação dos meus livros, apesar de não ser ilustradora profissional. Para além disso, há uma satisfação imensa em poder realmente ver as minhas tão adoradas personagens. É como vê-las nascer... Quanto à música a relação é diferente. Não sou nem nunca fui música, é uma área de criação a que nunca me dediquei, com alguma pena minha. Mas a música é uma parte muito importante na minha vida. Para além de embalar toda a minha escrita, inspira-me e ajuda-me a sonhar, a viajar através destes mundos de fantasia. Este amor pela música acaba por se manifestar nos meus livros quer no uso de recursos estilísticos quer como uma parte da história, visto que a música e a dança fazem parte do dia-a-dia das minhas personagens.

L&L – A tradição oral representa, nalguns países da lusofonia, uma importante marca de identidade cultural. A globalização e a dificuldade em editar podem ser uma ameaça à perda desse património?

TG – Penso que a tradição oral tem vindo a perder-se imenso não só em países lusófonos como em todo o mundo. Penso ser algo natural tendo em conta o caminho evolutivo em que estamos. A transmissão oral teve já muita força por diversas razões diferentes, sendo uma das principais o facto de uma grande generalidade da população não saber ler nem escrever ou, mesmo que soubesse, não ter acesso a material de leitura ou à informação. Deste modo é natural que, à medida que a facilidade de aceder à informação aumenta, se perca a tradição de contar histórias ou de passar informação oralmente. Isto pode ser uma mais-valia. Como artista marcial, tenho uma grande consciência da quantidade de informação valiosíssima que se perdeu por ser passada apenas oralmente. Deste modo, penso que a globalização da informação tem sim um papel muito relevante para esta diminuição da tradição oral. Em relação à identidade cultural, não é algo estático, mas antes um organismo vivo que evolui ao longo dos tempos. Muitos defendem que acabar com as touradas é uma perda de identidade cultural, eu pessoalmente acho que é simplesmente acabar com sofrimento gratuito. Obviamente que a tradição oral, ao contrário das touradas, não é prejudicial a ninguém, mas no caminho evolutivo há sempre coisas que são deixadas para trás. Este é um processo natural. Podemos claro tentar manter tradições que consideramos de valor, mas nada existe eternamente.

L&L – A Língua Portuguesa é uma mais-valia no panorama literário mundial?

TG – Não tenho muita noção da importância da Língua Portuguesa (ou de autores portugueses) no panorama literário mundial. Sei que para mim, pessoalmente, escrever em português não é de todo uma mais-valia a nível de internacionalização. O estilo de fantasia não é muito lido em Portugal, mas é bastante a nível mundial. No entanto, como escritora portuguesa, ou encontro agências que trabalham com autores portugueses mas não com fantasia, ou agências que trabalham com fantasia mas não com textos em português. A escrita em português torna-se assim um obstáculo à publicação do meu livro noutras línguas.

L&L – Quais os seus escritores lusófonos favoritos e porquê?

TG – Na realidade, não tenho escritores lusófonos preferidos. Os meus autores favoritos são autores de fantasia e não há muitos que eu conheça lusófonos. Para ser sincera leio muito pouca literatura lusófona e só depois da publicação do meu primeiro livro comecei a conhecer alguns autores de fantasia lusófonos, acima de tudo por conversas que tenho com leitores que referem o facto de haver muito poucos. Como escritora em Portugal, e conhecendo em primeira mão as dificuldades que temos em divulgar e vender, até sinto vontade de procurar mais literatura lusófona, mas de facto não encontro muitos temas que me deem gosto ler. Começa a haver cada vez mais escritores brasileiros na área da fantasia, mas mesmo assim ainda não têm um peso muito forte nas minhas estantes. Algo a mudar.

L&L – Ao nível da Literatura, que medidas poderão ser implementadas para que o universo lusófono seja uma realidade mais coesa entre escritores de diferentes nacionalidades?

TG – Para ser muito sincera não sei. Confesso que estas são questões sobre as quais não me debruço muito. Sou mais uma escritora/criadora de estar no meu mundinho a criar, não de me envolver muito em eventos ou reuniões culturais. Na realidade, esta é a parte que menos gosto em ter agora um livro publicado. Participar em apresentações, encontros literários e outros eventos é parte do trabalho e algo de grande importância para a divulgação de um autor. No entanto, sempre que participo em algum evento, não consigo deixar de pensar que naquele tempo teria conseguido escrever mais um capítulo, desenhado mais uma parte do mapa, acabado uma ilustração... O que for. Sou uma pessoa mais introvertida e com um grande gosto em estar no meu espaço a criar as minhas coisas.

L&L – A Internet e os recentes suportes informáticos contribuem para o reforço e promoção do seu trabalho?

TG – Sim, bastante. Na realidade acredito que cerca de 80% da divulgação de meu trabalho é feito através da Internet.

L&L – Qual o maior desafio que já enfrentou ou que gostaria de enfrentar em termos profissionais?

TG – O maior desafio que podia ter, enfrento diariamente, que é conseguir ter tempo para me dedicar a tudo o que faço. A escrita e a arte não são o que me sustenta economicamente. O que significa que tenho um emprego (aliás, dois) que, apesar de ligados a artes gráficas, não estão ligados ao meu trabalho pessoal. Para além disso, sou professora e aluna de artes marciais (Bujinkan Budo Taijutsu), o que significa que dou aulas e também vou a aulas. E no meio de tudo isto ainda vou conseguindo ter tempo para escrever e, de vez em quando, para me dedicar às artes. Para além disso, estou agora a ter o grande desafio de tentar publicar o meu livro no Brasil, o que significa andar a contactar com editoras brasileiras sempre que consigo ter algum tempo extra. O último ano da minha vida tem sido marcado por desafios atrás de desafios e conseguir superá-los todos e conjugar tudo o que faço é fantástico e altamente motivador.

*Entrevista realizada no âmbito do “Munda Lusófono – 2.º Encontro Literário de Montemor-o-Velho”


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Ana Luísa Carapinheiro: "Ato de escrever é eternizar palavras"

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Ana Luísa Carapinheiro nasceu em 1982. É licenciada em Psicologia pela Universidade Lusíada do Porto e em Educação de infância pela Escola Superior de Educação Jean Piaget de Vila Nova de Gaia. Possui mestrado em Psicologia da Educação pela Universidade Lusófona do Porto e um doutoramento na Universidade de Santiago de Compostela em Literatura para a Infância. Professora/Formadora desde 2009. Alguns dos títulos editados são: “Ser Amigo É”, “Ini”, “Ser Português é”, “Leonardo e a Máquina Voadora” e “O Porto é”. Além da escrita, também faz trabalhos de ilustração. É consultora editorial na Petit Publisher.

 

Livros & Leituras – Que significado tem para si o ato de escrever e a partir de que altura este se tornou “profissional”?

Ana Luísa Carapinheiro – Para mim, o acto de escrever é muito importante, pois permite-me sonhar e fazer os outros sonhar, é, acima de tudo, eternizar palavras. Escrevo desde criança, comecei por escrever poesia e posteriormente contos. O meu primeiro livro infantil surgiu durante a elaboração da minha tese de mestrado em Psicologia da Educação. A tese tinha como finalidade identificar as conceções de amizade num grupo de crianças de cinco anos e, através da análise das entrevistas pensei: porque não fazer um livro infantil que explique aos mais pequenos o que é amizade? Daí, nasceu o meu primeiro livro “Ser amigo é”, a partir desse momento nunca mais consegui parar de escrever e, consequentemente, de publicar livros infantis.

L&L – É preciso ser um bom leitor para se ser um bom escritor?

ALC – Sim, sem dúvida.

L&L – O seu trabalho é versátil ou, pelo contrário, tem um estilo muito próprio e facilmente identificável pelos leitores?

ALC –Na minha opinião, o meu trabalho é facilmente identificável, pois escrevo livros infantis com pouco texto e abordam temáticas relevantes para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional das crianças (talvez por ser licenciada em educação de infância consiga mais facilmente compreender como pode e deve ser um livro infantil). O meu estilo consiste basicamente em texto simples mas não simplista, não nos podemos esquecer que o público infantil pode e deve ter acesso a livros ajustados às suas características, ou seja, pouco texto, vocabulário que possa ser compreendido e que capte a sua atenção, promovendo assim hábitos de leitura.

L&L – Áreas como, por exemplo, a ilustração e a música têm vindo a afirmar-se na sua relação com a Literatura. Como encara esse facto?

ALC – A ilustração bem como a pintura sempre tiveram um papel importante na minha vida, isto porque a minha mãe é pintora e também ilustradora, acabando por me levar para o mundo da arte. Pinto desde criança e recentemente decidi igualmente experimentar a ilustração, tendo por isso realizado alguns workshops de ilustração com ilustradores que admiro e com quem aprendi imenso. Encaro esta aproximação com a ilustração como algo de muito positivo já que muitas vezes é complicado para um escritor explicar ao ilustrador como pretende ver o livro ilustrado, torna-se por vezes complicado criar a união entre o texto e a ilustração e é por isso mesmo que o último livro publicado foi escrito e ilustrado por mim. Neste sentido, a ilustração é, neste momento, uma área na qual pretendo adquirir mais conhecimentos e investir cada vez mais.

L&L – A tradição oral representa, nalguns países da lusofonia, uma importante marca de identidade cultural. A globalização e a dificuldade em editar podem ser uma ameaça à perda desse património?

ALC – Penso que não. Embora possam existir dificuldades em editar essas mesmas histórias e/ou lendas estas são transmitidas de forma oral, de geração em geração, portanto creio que embora seja mais difícil aceder à tradição oral (através do livro) está jamais desaparecerá, pois cabe a nós não deixar que tal aconteça.

L&L – A Língua Portuguesa é uma mais-valia no panorama literário mundial?

ALC – Claro que sim, foi, é e será sempre uma mais-valia no panorama literário mundial.

L&L – Quais os seus escritores lusófonos favoritos e porquê?

ALC – Gosto de vários escritores lusófonos, no entanto, o meu escritor favorito é, sem dúvida, o Fernando Pessoa, um génio e também “inventor de almas”.

L&L – Ao nível da Literatura, que medidas poderão ser implementadas para que o universo lusófono seja uma realidade mais coesa entre escritores de diferentes nacionalidades?

ALC – Várias medidas podem e devem ser tomadas para criar uma realidade mais coesa entre escritores lusófonos, entre as quais: a criação de encontros literários, permitindo a divulgação do trabalho dos diferentes escritores bem como a partilha/troca de ideias e informação; concursos literários para a promoção da língua portuguesa e a publicação de coletâneas de diferentes autores lusófonos num único livro.

L&L – A Internet e os recentes suportes informáticos contribuem para o reforço e promoção do seu trabalho?

ALC – Sim. Através das redes sociais o meu trabalho facilmente chega a qualquer parte do mundo, recebo frequentemente mensagens sobre os meus livros e com pedidos de informação sobre estes.

L&L – Qual o maior desafio que já enfrentou ou que gostaria de enfrentar em termos profissionais?

ALC – O maior desafio que enfrentei e tenho enfrentado é o plágio, é muito desagradável saber que existem pessoas com falta de originalidade e que se limitam a copiar o nosso trabalho.


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Helena Osório: "Escrever é um desabafo da alma"

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                                                                                                                           Foto: Joel Snitram

Helena Osório nasceu em Benguela, Angola, em 1967. É escritorahistoriadora, jornalista e editora de livros e outras publicações. Doutorada em Estudos sobre a História da Arte e da Música pela Universidade de Santiago de Compostela , com nota máxima ('Sobresaliente cum Laude') e reconhecimento do grau académico português de Doutor registado, na Universidade do Porto; pós-graduada e mestre em Artes Decorativas pela Universidade Católica Portuguesa e licenciada em Estudos Europeus pela Universidade Moderna de Lisboa. Foi assessora editorial no Mosaiko Instituto para a Cidadaniadocente nos grupos de Artes Visuais e Economia, mentora e coordenadora editorial da revista de artes Bombart (registada como VomVart e editada pelo Projeto, Núcleo de Desenvolvimento Cultural de V.N. Cerveira), guionista do programa televisivo Família Galaró. Em 2009, fundou a Animedições, editora de arte e literatura. Desde 1989 que escreve para várias revistas e jornais . Foi igualmente distinguida com o XIX, XXII e XXIII Prémio Abril de Jornalismo, em 1993, 1996, 1997 respetivamente, da Casa Cláudia PortugalEditora Abril Brasil. Em 1989 obteve o II Prémio do Concurso Moda de Gala sobre a Revolução FrancesaHotel Le MeridienPorto. Possui ainda formações em: Design de Moda (Externato de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro), Jornalismo Geral e Televisivo (CENJOR), Pintura (c/ Gabriela Albergaria Marta Wengorious), Interpretação da Obra de Arte (c/ Delfim Sardo), História e Teoria da Arte (AR.CO), Escrita Criativa (c/ Nuno Artur Silva, Escola do Risco), Escrita para Teatro (c/ Jorge Silva Melo), Design e Arquitetura de Interiores (IATA) e Formação para Formadores (CENATEX) . Tem participação como autora e ilustradora em várias coletâneas, assim como editora de várias obras em literatura infanto-juvenil, contos, crónica, novela e romance com a chancela Animedições. Bibliografia infanto-juvenil: “Dos 8 aos 80”, “A Árvore que Falava e O Menino do Deserto”, “O Grande Feiticeiro Amarelo”, “Num Tempo em que os Animais Falam”, “Viagem de José pelo Mundo dos Sonhos”, “Quem Chama pelo Galo Preto? Aventuras de um galo com dentes”, “Tempo de magia: Duendes, Elfos e Gnomos para adormecer sem medo” e “Osvaldo Encantador de Cobras e Lagartos”. Bibliografia adulto-juvenil (romance): “Voando nas Asas de um Pombo Verde. Em Viagem por Angola (1917-2013)”.

Livros & LeiturasQue significado tem para si o ato de escrever e a partir de que altura este se tornou “profissional”? 

Helena Osório – Escrever é um desabafo da alma. Os pensamentos volitam dentro de mim, como se fossem vozes alheias que se sobrepõem a tudo. Falam mais alto e obrigam-me a aprisioná-los no papel para que não se evaporem, pereçam, ganhem a possibilidade de serem repensados por outras pessoas. Comecei a escrever com oito anos quando deixei a terra-mãe (Angola). Os sentimentos agrestes e contrários como o próprio mar e o ambiente romântico da Foz Velha, no Porto, despertaram em mim a vontade de desabafar no silêncio. Escrevi e desenhei muito em cadernos que transformei em livros e contei um sem fim de histórias inventadas, a meninos como eu, no sótão da casa oitocentista onde vivi. Mas só a partir dos 22 o fiz profissionalmente, primeiro como jornalista e mais tarde como autora.

 

L&L – É preciso ser um bom leitor para se ser um bom escritor?

HO – Não. É preciso estar vivo e viver intensamente, rir, amar, sofrer, sem medo, e embrenhar-se em todo o tipo de histórias escritas, vividas e contadas.

 

L&L – O seu trabalho é versátil ou, pelo contrário, tem um estilo muito próprio e facilmente identificável pelos leitores?

HO – Escrevo contos para crianças e jovens, romances e poesia para adultos, mas sempre num registo poético e muito descritivo onde enalteço cores, ritmos, emoções.

 

L&L – Áreas como, por exemplo, a ilustração e a música têm vindo a afirmar-se na sua relação com a Literatura. Como encara esse facto?

HO – Sempre fui multifacetada e confesso que sinto dificuldade, ainda hoje, em encontrar um rumo num só sentido. Disperso muito, interesso-me por várias matérias, o que também me enriquece como autora pois passo-o à escrita. Assim optei por unir as disciplinas, todas num só suporte (o livro), procurando aliar-me a novos talentos e consagrados para levar as artes mais longe e para os artistas poderem ser estudados em contexto de sala de aula uma vez que me dedico muito à literatura infanto-juvenil.

L&L – A tradição oral representa, nalguns países da lusofonia, uma importante marca de identidade cultural. A globalização e a dificuldade em editar podem ser uma ameaça à perda desse património?

HO – Esse património que circula através da voz não morre, passa de boca em boca, de geração em geração e fica. No caso de Angola, onde nasci e que sofreu dezenas de anos de guerra, tendo os seus povos perdido a identidade, sim, corre-se esse risco. É muito importante hoje lermos os registos do suíço Héli Chatelain publicados no século XIX e mesmo os mais polémicos do italiano Antonio Cavazzi de Montecuccolo que acompanhou a Rainha Njinga no século XVII. Mas os livros podem ser publicados e nunca lidos, ficam em estantes de casas, bibliotecas, livrarias. São tantas vezes queimados, deitados ao lixo e ainda com folhas coladas por ler... Confirmei-o na investigação efetuada para os estudos de doutoramento e mestrado. A globalização acaba por ser uma ameaça ao 'eu' pensante, mas felizmente nunca deixarão de haver ovelhas tresmalhadas a marcar a diferença nos rebanhos.

L&L – A Língua Portuguesa é uma mais-valia no panorama literário mundial? 

HO – Claro que sim. Pena que a Língua Portuguesa esteja a ser tão maltratada e a perder também ela a identidade. As várias grafias vigentes relacionam-se com a própria história dos países onde se afirmam. Há que preservá-las, o que não impede que haja uma natural evolução. Mas está a acontecer uma confusão geral porque a maioria das pessoas escreve em três grafias sem se aperceber. Na tese de doutoramento, estudei obras de 14 autores publicadas em finais do século XIX e tive o cuidado de transcrever a grafia de cada qual para se poder notar a evolução até hoje. Já na época e antes da primeira revisão da Língua em 1911, se escrevia de várias formas como hoje, estando uns autores mais ligados à antiga grafia e outros já com a pena no século XX. Na verdade, antes das invasões estávamos mais perto da cultura francesa e depois passamos a estar da inglesa, o que suscitou alterações nos modos de estar e viver e na grafia. Ou seja, antes não usávamos maiúscula nas estações e meses, depois passámos a usar e agora voltámos ao princípio. O Brasil não sofreu o conflito e por isso manteve a escrita. Esta é a minha teoria que dá pano para mangas e por isso não a posso defender aqui. Mas a nossa língua é linda e riquíssima, é mãe, e devia sofrer uma nova revisão à altura.

L&L – Quais os seus escritores lusófonos favoritos e porquê?

HO – Não tenho escritores preferidos, aprecio mais umas do que outras obras.

 

L&L – Ao nível da Literatura, que medidas poderão ser implementadas para que o universo lusófono seja uma realidade mais coesa entre escritores de diferentes nacionalidades?

HO – Devem promover-se mais eventos literários e festivais que façam circular e divulguem não apenas os escritores mais conhecidos. Dar lugar aos novos.

L&L – A Internet e os recentes suportes informáticos contribuem para o reforço e promoção do seu trabalho?

HO – Sim, mas é maior a fama do que o proveito.

L&L – Qual o maior desafio que já enfrentou ou que gostaria de enfrentar em termos profissionais?

HO – O maior desafio foi a crise, ficar sem emprego com dois filhos a cargo e ter de usar a imaginação. Mas já estou farta de lutar, de bracejar no vazio. Gostaria de poder publicar toda a minha obra e voltar a viver da escrita como aconteceu durante mais de 20 anos. Enquanto espero por um editor, guardo entretanto na gaveta a tese de doutoramento, a dissertação de mestrado, dois livros de poesia, uma coleção de livros infanto-juvenis e um segundo romance. Até quando? O que antes realizava com o apoio de mecenato, hoje é praticamente impossível.

 *Entrevista realizada no âmbito do “Munda Lusófono – 2º Encontro Literário de Montemor-o-Velho”


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Rui Figueiredo: "O maior desafio foi o que me levou a ter a companhia da escrita"

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Rui Figueiredo é natural da Freguesia de Maiorca. É mestre em Biologia e Doutorando de Ciências Farmacêuticas na Universidade de Coimbra. Conjugando a paixão pela fotografia com a beleza dos campos que o viram crescer, publicou o livro de fotografias "Baixo Mondego", assim como o livro “A Luz em Papel”. No livro “A Vida Num Dia”, com a chancela da Chiado Editora, escreveu pequenos textos que associa com a fotografia. É autor de um poema selecionado para a VI Antologia de Poesia Contemporânea “Entre o Sono e o Sonho”, editado pela mesma editora. Por último, publicou o livro em formato frasco, “Doces Palavras”, da “Corpos Editora”. Tem sido convidado a expor as suas fotografias em diversos espaços, de salientar a última exposição na Galeria da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho.

Livros & Leituras – Que significado tem para si o ato de escrever e a partir de que altura este se tornou “profissional”?

Rui Figueiredo – Gosto de escrever. Escrevo para esquecer. Em momentos tristes, gosto de escrever palavras, captar momentos, fazer trocadilhos, brincar com as palavras. E no fim rir do que escrevi. Sempre foi algo que me fascinou, a escrita, desde a aprendizagem, mas esta diversão foi aprofundada a partir de 2013. Quando assimilei o significado de “a minha pátria é a língua portuguesa” de Fernando Pessoa.

L&L – É preciso ser um bom leitor para se ser um bom escritor?

RF – Não sei… Pois não sei se algum bom escritor lê muito. Apenas acho a natureza humana com caráter de aprendizagem, e ao ler muito, vai bebendo um pouco de cada livro, tirando alguma ideia, construindo pensamento, abrindo a mente. Por isso, no final, acaba-se por ter não o fruto de um pensamento, um bom escritor, mas a mistura de vários pensamentos e experiências, talvez um bom comunicador.

L&L – O seu trabalho é versátil ou, pelo contrário, tem um estilo muito próprio e facilmente identificável pelos leitores?

RF – Gosto de associar a fotografia à poesia. Olho para cada fotografia e tento escrever algo sobre o que ela me transmite. Por vezes, mais tristes, outras, mais alegres. Como costumo dizer, o meu livro “A Vida Num Dia” é bom pois conjuga a vertente fotográfica e a poesia, por isso, quem não gostar de poesia pode ver as fotografias e quem não gostar de fotografia pode apenas ler a poesia.

L&L – Áreas como, por exemplo, a ilustração e a música têm vindo a afirmar-se na sua relação com a Literatura. Como encara esse facto?

RF – As artes, sejam elas qual forem, estão sempre enraizadas na sociedade, em cada um de nós. É bonito ver declamação de poesia acompanhada com música, mesmo obras de artes acompanhadas de pequenos poemas, ou mesmo a produção vídeo-musical de imagens, poesia e música ao mesmo tempo. Desta forma a interiorização da poesia e a aproximação do sentimento do escritor ao leitor torna-se mais íntima.

L&L – A tradição oral representa, nalguns países da lusofonia, uma importante marca de identidade cultural. A globalização e a dificuldade em editar podem ser uma ameaça à perda desse património?

RF – Penso que não. Hoje em dia é muito fácil editar um livro, no entanto, o seu conteúdo, já será outro assunto. Mas a facilidade de publicação permite a permanência da língua portuguesa, superando a globalização. Há muita população no mundo, de certeza que se arranja sempre público-alvo.

L&L – A Língua Portuguesa é uma mais-valia no panorama literário mundial?

RF – Creio que sim. Sendo a língua oficial de 9 países, e falada por quase 300 milhões de pessoas. Penso que a língua portuguesa tem muito para ser desenvolvida e aproveitada pelos escritores.

L&L – Quais os seus escritores lusófonos favoritos e porquê?

RF – Luís de Camões, talvez por ser dos primeiros poetas, ter estudado em Coimbra e ter divulgado a língua portuguesa durante os descobrimentos. O outro, para mim é algo de excecional, Fernando Pessoa. O escritor com quem me identifico, talvez por não ler muito dos outros, mas em Pessoa adoro a sua capacidade de mudar de personalidade, escrita simples, como eu gosto e escrevo, paradoxos, pela capacidade de adaptação e a sua escrita sempre atual ao longo do tempo. Na sua literatura, eu revejo a minha escrita, pensamentos isolados, mas relacionados com outros, e que nem todas a pessoas têm a sensibilidade para conectar e perceber o pensamento.

L&L – Ao nível da Literatura, que medidas poderão ser implementadas para que o universo lusófono seja uma realidade mais coesa entre escritores de diferentes nacionalidades?

RF – Deveria de haver reuniões anuais em cada um dos países da lusofonia de forma a haver essa interação entre os escritores. Para além disso, as editoras deveriam de ter um papel mais ativo nesse intercâmbio, na divulgação de escritores de diferentes nacionalidades. Embora algumas editoras já façam a divulgação de diversos escritores de diferentes nacionalidades, continua-se, por um lado, a ter escritores portugueses a não chegar a todos os países da lusofonia, e muitos dos países da lusofonia não conseguem colocar a sua literatura em Portugal, ou noutros países. A inclusão de escritores lusófonos no plano nacional de leitura, mesmo nas escolas, seria uma mais-valia para essa internacionalização, essa coesão de diversos escritores da lusofonia. E penso que o vosso sítio na internet já é um bom ponto de partida.

L&L – A Internet e os recentes suportes informáticos contribuem para o reforço e promoção do seu trabalho?

RF – A escrita e a fotografia começaram pelo entusiasmo de centenas de amigos e seguidores nas redes socias que me incentivaram à publicação de livros, tanto de poesia como de fotografia. Neste momento, já são 4 livros publicados e novos leitores e seguidores vão-se aproximando e gostando do que escrevo. Por isso, a Internet e as redes sociais, quando bem usadas permitem a divulgação do trabalho.

L&L – Qual o maior desafio que já enfrentou ou que gostaria de enfrentar em termos profissionais?

RF – O maior desafio foi o que me levou a ter a companhia da escrita. O que me levou a captar cada momento, de forma a eternizá-lo. O que me levou a sorrir em cada verso que escrevia. Esse foi o maior desafio.

*Entrevista realizada no âmbito do “Munda Lusófono – 2.º Encontro Literário de Montemor-o-Velho”


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