Fair

19°C

Lisboa

L&L MOBILE

Faixa publicitária

ATUALIDADE

Sondagem

Razões para não ler livros?

Pesquisa

Opinião dos Leitores

Tradutor

CONCURSOS PNL

Livros & Leituras TV

Escritores

António Bondoso: "A literatura é fundamental, apesar de não ver o seu valor reconhecido"

Avaliação: / 3
FracoBom 

ENTREVISTAS - Escritores

alt

António Bondoso nasceu em Moimenta da Beira, mas viveu em São Tomé e príncipe, até Outubro de 1974. É licenciado e Mestre em Relações Internacionais pela Universidade Lusíada do Porto e com o 12º Curso de Pós-Graduação em Direito da Comunicação pelo Instituto Jurídico de Comunicação da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Na Rádio Clube de São Tomé iniciou a sua carreira radiofónica em 1967, passando para a ex – E.N. em 1973. Nas décadas de 1980 e de 1990 foi colaborador da RTP na área do Jornalismo Desportivo. Na RDP (1975-2005) e na TDM – Rádio Macau (1994-2000) exerceu cargos de chefia e de direção. É docente colaborador na área do audiovisual no Instituto Multimédia, do Porto, desde 2009, tendo dedicado muitos anos à área da formação, nomeadamente no CFJ e na Escola Superior de Jornalismo do Porto, da qual foi fundador. Membro da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto e da Associação Portuguesa de Jornalistas de Turismo. “Em Macau por Acaso” (1999) foi o seu primeiro livro de poesia, seguindo-se “Tons Dispersos” em 2003 e “A Cidade e a Paixão – Poemas de Azul e Branco” em 2004. “Escravos do Paraíso – Vivências de S. Tomé e Príncipe”, em 2005, foi a sua primeira abordagem de “memórias” em prosa. De novo a poesia em 2008, com “...Da Beira! Alguns Poemas e uma Carta para Aquilino”. Março 2010 – “Seios Ilhéus”, poesia. Temática: S. Tomé e Príncipe. “Luís Veiga Leitão: Homem de Letras por inteiro. Teria Gostado de Ser Jornalista?” (ensaio). Edição da C.M. de Moimenta da Beira (Outubro de 2012). “O Poder e o Poema” (ex-citações de leituras e textos com algum sentido poético). Livro/ensaio sobre a relação entre o Poder e o Poema. (Dezembro de 2012). Em finalização: “Lusofonia e CPLP – Desafios na Globalização”. Baseado na Dissertação de Mestrado em Relações Internacionais e “Terra de Ninguém – A Revolta Poética da Interioridade”.

 

Livros & Leituras  – Como é que a escrita entrou na sua vida e que papel ocupa?

António Bondoso – Entre os dezassete e os vinte anos, em São Tomé, houve aquela fase de dar expressão e algum sentido aos pormenores que mais nos tocaram – e permaneceram – do que nos era transmitido no ensino da Literatura durante a última fase do ensino secundário. A poesia foi um caminho. Depois, foi a atividade radiofónica, com a elaboração de programas e a redação de notícias. E a profissão acabou por interromper aquele ímpeto inicial que, no entanto, ficou latente. A escrita jornalística (muito seca, muito direta, eventualmente menos elaborada pelo seu imediatismo), ao longo de 40 anos, certamente contribuiu para esse limbo – até que irrompeu de novo em finais do século XX. Os últimos anos da administração portuguesa no território de Macau foram muito marcantes. As pessoas, a História e as histórias entranharam-se, os contactos com gente e agentes da Cultura multiplicaram-se, nomeadamente, com o grande romancista Henrique de Senna Fernandes, com alguns poetas que muito me deram – como António Correia, Beatriz Basto da Silva, António Aresta e Estima de Oliveira, para além de historiadores como Celina Veiga de Oliveira. Nasceu aí o meu primeiro livro de poesia “Em Macau Por Acaso”,1999, e que teve o apoio do governo de Macau. Sem isso, nada feito. Hoje, já aposentado da RDP/RTP, a escrita ocupa um lugar primordial na minha vida – depois de ter “parido” Tons Dispersos, A Cidade e a Paixão – Poemas de Azul e Branco, Escravos do Paraíso (prosa), Da Beira…alguns Poemas e uma Carta para Aquilino, Seios Ilhéus, “ensaio” sobre Luís Veiga Leitão, também um “ensaio/livro” sobre O Poder e O Poema, e agora este “estudo” sobre a Lusofonia e a CPLP – Desafios na Globalização.  

 

L&L – Escreve por inspiração ou objeto de um trabalho apurado e consciente? 

AB – Dizia Manuel António Pina que a Poesia é um ofício difícil. Outros grandes e consagrados poetas afirmam que haverá 10% de inspiração e 90% de transpiração. Claro que a inspiração é determinante… mas, depois, há que trabalhar muito. Há projetos que amadurecem durante meses ou anos. Deixe-me contar-lhe rapidamente: – exatamente em Macau, onde, na Rádio, produzi o espaço “Palavras – para ouvir e sentir…”, tive a felicidade de conhecer e conviver com o (também) Poeta Estima de Oliveira. E reparei que ele, quando conversávamos, de vez em quando puxava da caneta e de um qualquer pedaço de papel – daquele autocolante ou até mesmo os recibos das caixas de multibanco – e tomava notas. “O que é isso Estima? – É o clique da inspiração”, dizia. E arrumava no bolso da camisa ou na carteira… até um dia! E eu comecei por aí e fui apurando a “técnica”! Paralelamente, tive a sorte de trabalhar com camaradas de uma grande sensibilidade estética, como o Hélder Fernando e o Cardoso Pinto. A transpiração vem também com muita leitura, com muito estudo, com uma grande dose de consulta aos dicionários. Fazer e refazer, sempre!

L&L – No seu entender, há uma verdadeira comunidade de escritores lusófonos, unidos em torno da Língua Portuguesa, sem fronteiras de nacionalidade?

AB – Escritores há, pois nós conhecemos e lemos. Duvido é que haja um verdadeiro espírito de “comunidade”. No que me diz respeito, nunca fui contactado para coisa alguma. E tenho a certeza que o meu nome não consta de qualquer arquivo de uma qualquer instituição com esse objetivo de “união”. Mas tenho escritores amigos, quer em Portugal, quer em São Tomé ou em Macau.

L&L – De que forma pode a Literatura reforçar os laços no espaço da Lusofonia?

AB – A literatura é fundamental, apesar de não ver o seu valor reconhecido, e é a expressão da língua comum. Mas é preciso que uns conheçam os outros. Trocando obras e opiniões sobre a escrita. E que esse conhecimento resulte das formas mais diversas, desde encontros “bilaterais” a convívios e retiros mais alargados. E que seja feito em todos os sentidos: do Brasil com África, de Timor com Portugal, de África com Macau e Goa, todos com todos. E a entidade política, que é a CPLP, deve fomentar, deve incentivar esses movimentos, sem exercer qualquer tutela que não seja essa de proporcionar e promover! E depois, há uma questão fundamental que é relacionada com o preço dos livros. Os Estados-membros devem encontrar uma forma de valorizar a Cultura, tornando-a acessível de acordo com as especificidades de cada um.

L&L – Enquanto escritor(a), que dificuldades encontra, no que diz respeito à edição e divulgação do seu trabalho?

AB – O “circuito” é difícil e complexo. E se a edição é onerosa – excetuando os grandes nomes como Agualusa, Mia Couto, Manuel Alegre – a divulgação é ainda mais difícil. A abertura dos meios de comunicação social aos escritores menos conhecidos é quase impossível. Se não houver amizades, o interesse não existe! Particularmente, no que respeita às minhas edições, elas têm sido muito onerosas de forma geral, sobretudo as obras com o carimbo de edição de autor, mas encontrei agora uma maior abertura nas “Edições Esgotadas” – uma editora jovem do interior do país (Viseu) – mas que tem desenvolvido um excelente trabalho com autores menos mediáticos e não só da região. Um grupo com enorme dedicação e muito esforço que, penso, irá colher frutos num futuro próximo.

L&L – Que estratégias de incentivo à leitura gostaria de ver implementadas?

AB – O preço dos livros é fundamental mas não é decisivo. E apesar das crises com que nos confrontamos hoje – financeira, económica, política, de valores morais e éticos, de princípios humanistas – penso que o grande incentivo deve começar em casa de cada um. E se há quem não possa, de todo, adquirir um livro (será mais importante o pão do que as palavras), há muitos que – embora (ou sobretudo) com poder financeiro – preferem comprar o último grito da tecnologia. Não é que isso seja um mal em si mesmo, mas há que não rejeitar a leitura. Depois da família vem a “escola”. Tem havido um grande esforço nos últimos trinta anos, mas o Estado não deve e não pode descartar uma atenção maior. Os cortes orçamentais e a sua fórmula não justificam tudo. E há que levar os escritores e os livros às escolas. Apresentar, debater, incentivar a leitura – “ensinar a dizer” poesia! E o teatro, claro.

  

L&L – Acha que o uso das novas tecnologias desvaloriza os encontros com escritores e outras atividades presenciais, nomeadamente, o contacto com os leitores?

AB – Onde houver oportunidade de apresentar e promover a leitura por meio das novas tecnologias – que se faça! E se desenvolva! Não serão elas a negar os encontros dos escritores com os leitores. Mas é preciso ter em atenção que tipo de obras e que autores é que estão disponíveis nos suportes tecnológicos. Os escritores menos conhecidos terão essa oportunidade?

L&L – Tem preferência pelo livro em suporte de papel ou crê que os suportes digitais são o futuro?

AB – O futuro é digital, sem dúvida. Mas volto a questionar se todos os autores – pelo menos a maioria – terão acesso a esse tipo de “mercado”. Eu prefiro ainda o papel. É uma relação de muitos anos…

L&L – Para os leitores que estiverem a pensar em ler um livro seu, pela primeira vez, qual aconselha e porquê?

AB – De todos aqueles que enumerei no início, recomendaria “Tons Dispersos” (Vega, 2003) – uma espécie de roteiro sentimental das minhas “viagens” pelo mundo da Lusofonia – e “O Poder e o Poema” (Edições Esgotadas, 2012) – um estudo muito atual sobre a relação desigual e difícil entre os poetas e a poesia, por um lado, e os diversos poderes, por outro, e no qual também a Lusofonia está muito presente.

L&L – Que projetos literários tem para o futuro?

AB – No imediato está em finalização o livro de poemas “Terra de Ninguém – A Revolta Poética da Interioridade” – depois um estudo sobre a Rádio com memórias de muitos camaradas e com um sentido de intervenção sobre o que eu penso como deve ser a rádio com gente dentro com o título “A Rádio dos Meus Amigos e os Meus Amigos da Rádio”… e lá mais para a frente um romance, igualmente lusófono, situado em Moimenta da Beira, São Tomé e Angola – sem esquecer uma rápida ligação ao Brasil.

 


Add a comment

Fátima Almeida: "Escrever é um ato de reconstrução da realidade"

Avaliação: / 5
FracoBom 

ENTREVISTAS - Escritores

alt

Fátima Almeida nasceu em Vila Real de Trás-os-Montes. Viveu em Viseu, até à conclusão da licenciatura em Humanidades, pela Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa e em Coimbra. Regressou a Viseu em 2000. É mestre em Ciências da Educação (na área da Educação Especial), possui duas especializações: em Educação Especial e em Supervisão Pedagógica e Avaliação de Docentes. Foi professora de Português no 3.º ciclo e ensino secundário até 2003, altura em que integrou a Educação Especial. É Vice-Presidente da DISLEX e integra a equipa do Centro de Dislexia da Universidade Católica Portuguesa de Viseu. É autora do romance “et al.” (2012), que tem como fio condutor a Dislexia.

 

Livros & Leituras  – Como é que a escrita entrou na sua vida e que papel ocupa?

Fátima Almeida – A escrita sempre representou uma forma, durante muito tempo, inconsciente, de compensar alguma introversão. Sempre foi o melhor lugar onde poderia estar. Escrever é um ato de reconstrução (de significados) da realidade. Enquanto escrevo, aquela é a realidade (o que é a realidade?). No meu mundo ideal, apenas leria e escreveria.

L&L – Escreve por inspiração ou objeto de um trabalho apurado e consciente? 

FA – Existe um estado muito consciente de escrita, intercalado com algo a que se poderá chamar inspiração. Sou, creio, bastante reflexiva, analítica, e a escrita transforma-se num processo de construção e desconstrução de teses, de sinapses. Como se fosse o meu sofá psicanalítico, no qual procuro a compreensão do possível.

L&L – No seu entender, há uma verdadeira comunidade de escritores lusófonos, unidos em torno da Língua Portuguesa, sem fronteiras de nacionalidade?

FA – Do mundo de escritores lusófonos continuo a ter o olhar de quem lê, não tanto de quem escreve. Existem «movimentos» que se reúnem, mesmo que virtualmente, em torno da escrita lusófona. As tais partilhas. Se poderemos falar de uma verdadeira comunidade, não consigo formular uma opinião.

L&L – De que forma pode a Literatura reforçar os laços no espaço da Lusofonia?

FA – Multiplicando-se os encontros entre escritores e leitores da lusofonia.

L&L – Enquanto escritor(a), que dificuldades encontra, no que diz respeito à edição e divulgação do seu trabalho?

FA – Estou muito grata à Editora Edições Esgotadas por ter recebido muito bem as propostas que tenho apresentado. Não encontrei dificuldades quanto à edição do que tenho proposto publicar. A Editora tem feito um excelente trabalho de divulgação do meu trabalho, nomeadamente em incluir a apresentação do meu livro em vários encontros, como o “3º Encontro com Escritores da Lusofonia”.

L&L – Que estratégias de incentivo à leitura gostaria de ver implementadas?

FA – Creio que seria interessante um trabalho de informação nas escolas sobre as implicações da leitura no desenvolvimento cerebral. Existem estudos muito interessantes sobre este assunto e talvez fosse mais um contributo para a urgência de ler. As bibliotecas escolares têm desenvolvido diversos projetos, alguns deles nacionais, e uma proposta neste sentido poderia ser outro caminho para o objetivo de LER+.

 

L&L – Acha que o uso das novas tecnologias desvaloriza os encontros com escritores e outras atividades presenciais, nomeadamente, o contacto com os leitores?

FA – Creio que, no mundo de escassez de tempo, como este que temos, o uso das tecnologias é a única forma possível de se estar em muitos lados, em muitas partilhas. A forma como comunicamos está em rápida transformação, faz-se entre outras tarefas, entre várias janelas abertas do computador. Contudo, quando o encontro presencial é possível, a experiência continua a ser única.

L&L – Tem preferência pelo livro em suporte de papel ou crê que os suportes digitais são o futuro?

FA – Embora leia bastante em suporte digital, sobretudo livros científicos, tenho claramente preferência pelo livro em papel. No futuro, até por uma questão de sustentabilidade ambiental, deverá haver uma prevalência dos suportes digitais. Esse facto, contudo, poderá comprometer a perenidade da escrita: haverá algum suporte digital que não se torne obsoleto (sem possibilidade de ser lido, como as disquetes dos computadores, hoje ilegíveis) e que permita a permanência da palavra escrita por milénios, como acontece com livros que chegaram até nós de vários séculos A.C.?

L&L – Para os leitores que estiverem a pensar em ler um livro seu, pela primeira vez, qual aconselha e porquê?

FA – “et al.”, o meu primeiro, e ainda único, romance, escrito nos momentos de pausa da elaboração da minha tese de mestrado em Dislexia. Foi o questionar do outro lado daquilo que investigava. A tese de mestrado (http://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/9094/1/DISSERTA%C3%87%C3%83O.pdf) centra-se na intervenção de alunos com Dislexia por parte de professores de Educação Especial, e a questão colocada no “et al.” é «como será ter Dislexia?». Talvez o grande tema do livro seja a incompreensão das várias diferenças: ser disléxico num mundo de letras, ser mulher num mundo de homens, ser filha de uma casa vazia. Ser só num mundo de gente… só (aqui não há diferença entre nós e o outro). Creio que este livro é um contributo para se olhar para a diferença de uma outra maneira.

L&L – Que projetos literários tem para o futuro?

FA – Está, em fase de conclusão, um livro sobre avaliação de professores.

 


Add a comment

Ana Margarida León: " As novas tecnologias podem aproximar mais os escritores e os leitores "

Avaliação: / 2
FracoBom 

ENTREVISTAS - Escritores

alt

Ana Margarida León nasceu em 18 de Outubro de 1964, em Lisboa. Passou a infância e a adolescência entre Vila Nova de Gaia, Angola, Alemanha e a Beira Alta. Aos dezassete anos ingressou na Faculdade de Direito de Coimbra. Fez o estágio de advocacia também em Coimbra, assim como o curso de Registos e Notariado. Posteriormente, em 1991, ingressou na carreira de conservadora, ao longo da qual trabalhou em Lisboa e no Alentejo, tendo regressado à Beira Alta, onde vive e trabalha na atualidade, respetivamente, em Santa Comba Dão e em Tondela. Escreveu artigos de opinião para jornais, assim como artigos relacionados com a sua vida profissional para revistas de registos, como “O assento de nascimento de Florbela Espanca” de 1994, à época da sua passagem, como conservadora, em Vila Viçosa. Em Tondela, obteve um prémio de poesia, concedido pela Câmara Municipal, em 2008, com o título “Amo o tempo perdido”. Publicou o seu primeiro livro em Junho de 2013, pela Editora Edições Esgotadas, “ As Aventuras do Príncipe Pedro” (literatura infanto-juvenil).

 

Livros & Leituras  – Como é que a escrita entrou na sua vida e que papel ocupa?

Ana Margarida León – Na infância, a par dos livros e dos brinquedos, um dos meus maiores prazeres era a criação de histórias. A imaginação fazia-me companhia, na falta de companheiros de jogos e julgo ter começado pelos cinco, seis anos. A passagem para a escrita começou com pequenos poemas aos nove anos e aos treze, comecei a escrever uma história.

 

L&L – Escreve por inspiração ou objeto de um trabalho apurado e consciente? 

AML – É mesmo por inspiração, pelo prazer de fantasiar e de passar à escrita o que imaginei.

L&L – No seu entender, há uma verdadeira comunidade de escritores lusófonos, unidos em torno da Língua Portuguesa, sem fronteiras de nacionalidade?

AML – Se há, nunca me apercebi, mas espero poder constatar isso com a minha participação no 3º Encontro com Escritores da Lusofonia em Montemor-o-Velho.

L&L – De que forma pode a Literatura reforçar os laços no espaço da Lusofonia?

AML – Creio que através do intercâmbio de escritores e livros entre os países lusófonos em condições de reciprocidade.

L&L – Enquanto escritor(a), que dificuldades encontra, no que diz respeito à edição e divulgação do seu trabalho?

AML – Julgo que se disser que terminei o meu livro aos trinta e dois anos de idade e só consegui publicá-lo, graças à Editora Edições Esgotadas, agora, aos quarenta e oito anos, fica a questão respondida!

L&L – Que estratégias de incentivo à leitura gostaria de ver implementadas?

AML – Gostaria de ver nas escolas, no ensino da Língua Portuguesa, alguns estímulos e desafios aos alunos, como a obrigatoriedade de leitura de um livro de Língua Portuguesa por mês (a partir dos catorze anos, não seria demasiado), a leitura obrigatória dos nossos grandes clássicos, como Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Alexandre Herculano, Júlio Dinis, Ramalho Ortigão, etc, etc; os alunos deviam conhecer primeiro esses autores antes de avançarem para a época atual. Tal como no ensino de História, não faz sentido tentar perceber o presente sem se conhecer o passado, no ensino da literatura devem conhecer-se primeiro as grandes referências e valores literários do passado. Além disso, considero inaceitável a prática de alguns professores ditos de português de incluírem nas suas aulas e programas, leituras de traduções(!) de autores não lusófonos! Marcel Proust é um dos meus escritores preferidos, mas não aceitaria uma tradução deste extraordinário escritor numa aula de língua portuguesa! Os autores têm a sua sede própria, neste caso, numa aula de literatura francesa!

 

L&L – Acha que o uso das novas tecnologias desvaloriza os encontros com escritores e outras atividades presenciais, nomeadamente, o contacto com os leitores?

AML – Pelo contrário, parece-me que as novas tecnologias podem aproximar mais os escritores e os leitores e a apresentação dos livros. É o caso do site “Livros e Leituras”.

L&L – Tem preferência pelo livro em suporte de papel ou crê que os suportes digitais são o futuro?

AML – Confesso que gosto muito do papel, do toque, do aroma, gosto de livros, mesmo fisicamente! Mas devo dizer que me deu muito prazer, no ano passado, reler “Eurico, o Presbítero” em suporte digital! E também um pouco da “Divina Comédia”.

L&L – Para os leitores que estiverem a pensar em ler um livro seu, pela primeira vez, qual aconselha e porquê?

AML – Como ainda só publiquei as minhas “Aventuras do Príncipe Pedro”… É esse que recomendo.

L&L – Que projetos literários tem para o futuro?

AML – Gostava de continuar a escrever literatura infanto-juvenil, mas também tenho outros projetos, como um livro de contos para adultos.

 


Add a comment

Manuel Menezes; "O incentivo à leitura deve começar em casa"

ENTREVISTAS - Escritores

alt

Manuel Menezes, natural de Alvite, é licenciado e mestre em Serviço Social (ISBB, ISSSL), doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa (2007). Atualmente, é Professor Auxiliar no ISMT (Coimbra) onde leciona nas áreas de Serviço Social e Comunicação; como Professor Auxiliar convidado tem vindo, igualmente, a colaborar na Universidade Católica Portuguesa – CRB. É investigador do Centro de Estudos de Comunicação e Linguagens (CECL). Autor de diversos ensaios, em distintas áreas das ciências sociais. Das suas publicações destacam-se: “As Práticas de Cidadania no Poder Local Comprometido com a Comunidade” (2001); “Serviço Social Autárquico e Cidadania: A Experiência da Região Centro” (2002); “Riscos e Protecção Social nos Alvores da Europa Moderna” (2009); “Modernidade Riscos e Incertezas” (2010); “Os Fiados nas Tabernas”, “Espelhos das Realidades Aldeãs: Alvite e Rio de Onor” (2011) e “Olhares de Aquilino sobre Alvite e os Alvitanos” (2013).

 

Livros & Leituras  – Como é que a escrita entrou na sua vida e que papel ocupa?

Manuel Menezes – A escrita consubstancia-se como o resultado de um processo progressivo de inquietações em relação ao meu meio envolvente e, no presente, ajuda-me a refletir sobre o modo como nós humanos nos relacionamos uns com os outros e, nessa relação, podemos construir um mundo melhor.

L&L – Escreve por inspiração ou objeto de um trabalho apurado e consciente? 

MM – Não obstante o imaginário ser imprescindível para criar algo, no meu caso predomina o trabalho de investigação tanto histórica como contemporânea, ou seja, o que escrevo toma por base, essencialmente, um estudo cuidado das mediações que perpassam a experiência.

L&L – No seu entender, há uma verdadeira comunidade de escritores lusófonos, unidos em torno da Língua Portuguesa, sem fronteiras de nacionalidade?

MM – Penso que sim, essa comunidade tem vindo a crescer e é uma realidade cada vez mais visível num mundo altamente globalizado, onde as trocas de experiências, as partilhas da escrita, independentemente do país de origem, têm vindo a ser facilitadas por via dos meios de comunicação de massa.

L&L – De que forma pode a Literatura reforçar os laços no espaço da Lusofonia?

MM – Se apreendermos a literatura como o resultado da capacidade inventiva e expressiva do humano, traduzida em imagens estéticas, por um lado, e como um elemento essencial para a compreensão desenvolvida pelo homem no mundo, por outro, teremos necessariamente de concordar que a congregação das distintas influências histórico-culturais dos seus autores irá contribuir positivamente para o aumento da coesão do espaço da Lusofonia.

L&L – Enquanto escritor(a), que dificuldades encontra, no que diz respeito à edição e divulgação do seu trabalho?

MM – Penso que nos últimos anos, com o surgimento de novas editoras, os condicionalismos têm vindo a diminuir para os novos autores como é o meu caso, pois nos últimos anos tenho vindo a publicar com alguma regularidade.

L&L – Que estratégias de incentivo à leitura gostaria de ver implementadas?

MM – O incentivo à leitura deve começar em casa, mas, por razões várias, nem sempre esse trabalho é fácil e/ou bem-sucedido. Neste sentido, em complementaridade com a esfera familiar, deve, a escola, pensar e desenvolver modelos pedagógicos, assentes em oficinas direcionadas para uma vertente mais prática, com o intuito de procurar cativar os alunos desde a mais tenra idade.

L&L – Acha que o uso das novas tecnologias desvaloriza os encontros com escritores e outras atividades presenciais, nomeadamente, o contacto com os leitores?

MM – Pelo contrário, as mesmas poderão aumentar o desejo desses encontros presenciais que, em última instância, poderão ser facilitados se os dinamizadores dos mesmos se souberem socorrer das novas plataformas utilizadas pelo público em geral.

L&L – Tem preferência pelo livro em suporte de papel ou crê que os suportes digitais são o futuro?

MM – Utilizo os dois recursos, mas a preferência recai no suporte de papel, dadas as experiências que o mesmo permite ao ser manuseado. Apesar de a morte do livro já ter sido anunciada por diversas vezes, sou de opinião de que o seu ocaso ainda se encontra longe.

L&L – Para os leitores que estiverem a pensar em ler um livro seu, pela primeira vez, qual aconselha e porquê?

MM – Poderei aconselhar o último, publicado no presente ano sob a chancela das Edições Esgotas: “Olhares de Aquilino sobre Alvite e os Alvitanos”. A escolha poderia recair sobre outros, mas opto por este, pelo simples fato de ser um livro escrito numa linguagem leve e cativante onde, fazendo uma viagem pela obra aquiliniana, é visível um pouco da minha geografia sentimental.

L&L – Que projetos literários tem para o futuro?

MM – Ainda que de forma rudimentar e a carecer de desenvolvimento significativo, tenho em mente gizar algo sobre duas temáticas, designadamente sobre a (i) história dos seguros e das probabilidades e a (ii) modernidade mediada pelo espectro da velocidade.

 


Add a comment

Rosa Maria Ribeiro: "Escrevo porque as palavras se atropelam dentro de mim e preciso de lhes dar caminho"

Avaliação: / 1
FracoBom 

ENTREVISTAS - Escritores

alt

Rosa Maria Ribeiro nasceu em Março de 1959 no distrito de Viseu. Vive em Cantanhede, onde reparte os estudos entre esta cidade e Coimbra. Foi no concelho de Cantanhede que iniciou a sua vida profissional, sempre ligada ao Ensino Especial. Após a especialização nesta área, passou a exercer as suas funções docentes no concelho da Figueira da Foz, onde se mantém. Dinamizou alguns projetos de índole cultural, ligados à escrita, fotografia, rádio e teatro, no concelho de Montemor-o-Velho, onde também residiu. Das várias atividades em que participou, destacam-se: a coautoria, com textos, na exposição de texto e imagem subordinada ao tema “Cumplicidades” realizada no Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz em 2007, a exposição de fotografia sobre o mar, em Abril de 2008, a exposição “Das (p)Artes”, em 2010, entre outras exposições coletivas de fotografia. A nível de publicações, colaborou com fotografia e texto na Revista DP Arte Fotográfica, na “Antologia da Moderna Poética Portuguesa” da editora Seda Publicações, em março de 2013 e publicou artigos com fotos também da sua autoria num jornal regional. Em Abril de 2008 vê editado o livro “Quando um tudo-nada chega” da Editorial 100 e em 2010 edita “Deixa que te diga” da Editora Alfarroba. Mantém ativos vários blogues, um deles, relacionado com a sua atividade profissional e os outros relacionados com a escrita e a fotografia. A saber: http://mariamar-vooemmim.blogspot.pt/ de onde saíram os dois primeiros livros e http://www.quiseradizerte.blogspot.pt/ o blogue mais recente ligado à escrita, com vínculo à fotografia.

 

Livros & Leituras  – Como é que a escrita entrou na sua vida e que papel ocupa?

Rosa Maria Ribeiro – Curiosamente, através da fotografia e das legendas, porque não me bastavam as imagens captadas. Sabia das histórias para além daquilo que ficava congelado. E adivinhava outras, sempre mais para onde a vista não alcançava. Acrescentava assim relatos onde não os havia e palavras onde o silêncio as pedia. Porque sempre fui feita de perguntas e a escrita era a forma de no esconde-esconde procurar as respostas, mesmo que as perguntas fossem crescendo ainda mais. Essa era a forma certa de viver. O objetivo primeiro de acordar. Porque sabia que o dia me traria novas coisas e valeria a pena. Pelo que perguntaria e acharia. Escrevendo, organizando as palavras que se atropelavam quando olhava à minha volta e sentia dos outros o que em mim ficava. Porque mesmo parecendo ausente em tudo me via. Desde sempre. Recolhendo na memória e nos sentidos tudo quanto agora ponho no teclado desbravando códigos, sempre que a emoção mo pede. E pede-mo a toda a hora. Por todos os motivos. Porque sou vida e sou gente nesta terra.

 

L&L – Escreve por inspiração ou objeto de um trabalho apurado e consciente? 

RMR – Escrevo por impulso. Escrevo porque as palavras se atropelam dentro de mim e preciso de lhes dar caminho. De as por em carreirinha e de lhes dar voz. Inteligível. Que alguém as ouça. Que eu as perceba e faça delas o verbo. O motor funcional que as torna visíveis e uteis. Armas, dirão alguns. Instrumentos, é quanto basta, digo eu. Sou emoção. E as minhas palavras o retrato do que sinto.

L&L – No seu entender, há uma verdadeira comunidade de escritores lusófonos, unidos em torno da Língua Portuguesa, sem fronteiras de nacionalidade?

RMR – Não gosto de fronteiras nem da palava nacionalidade no que diz respeito à escrita. Embora ela pareça, dizem, ter um jeito diferente quanto à forma ou sentir de acordo com a pessoa de quem vier. Mas o resto não importa. A palavra, tenha a sonoridade que tiver, funciona transmitindo mensagens em que língua for. Unindo-nos, afastando-nos, tornando-nos iguais ou diferentes. Porque o somos. Mesmo se usamos os mesmos códigos, nos mesmos espaços. Mesmo juntos, seremos vozes diferentes na mesma língua a expressarmo-nos com palavras novas e diferentes. E mais ricos nos tornamos. Se for preciso, distanciarmo-nos, para que essa diferença se entenda e não se perca na memória do que fomos. Não deixemos de o fazer. E tenhamos orgulho de o mostrarmos, sem fronteiras. A todos, sem sermos desta ou daquela comunidade. Porque, afinal, somos todos desta terra imensa e única, onde vivemos e falamos todas as línguas. Não fossemos nós um povo espalhado por onde nunca se sonhou.

L&L – De que forma pode a Literatura reforçar os laços no espaço da Lusofonia?

RMR – Gostaria de dizer que a escrita na sua forma mais alagada é uma excelente forma de congregação. Não seja ela forma física da voz feita palavra. Dito isto que mais há a acrescentar?

L&L – Enquanto escritor(a), que dificuldades encontra, no que diz respeito à edição e divulgação do seu trabalho?

RMR – É sempre difícil editar e divulgar um trabalho quando não se é conhecido. As editoras não se arriscam e aos escritores fica todo o trabalho e esforço, quer de promoção quer de investimento. Neste momento, as editoras não fazem sequer um trabalho de “apuramento de qualidade”. Editam o livro de quem paga, não o livro que tem qualidade e o universo de livros fica infetado de má qualidade deixando de fora escritores (que não investem do seu próprio bolso) porque não há a aposta devida.

L&L – Que estratégias de incentivo à leitura gostaria de ver implementadas?

RMR – Estão já a ser implementadas estratégias nas escolas e nas bibliotecas em todo o país. É na redução do custo dos livros que se deve apostar agora.

 

L&L – Acha que o uso das novas tecnologias desvaloriza os encontros com escritores e outras atividades presenciais, nomeadamente, o contacto com os leitores?

RMR – São duas coisas diferentes que podem coexistir. Uma coisa pode incentivar a outra, promovendo-a.

L&L – Tem preferência pelo livro em suporte de papel ou crê que os suportes digitais são o futuro?

RMR – O livro em suporte de papel é ainda o melhor objeto a ter em mãos. Mesmo que se use o suporte digital será esse o futuro. Pode servir para leituras ocasionais, claro. Mas uma biblioteca com livros e com cheiro a livros é insubstituível.

L&L – Para os leitores que estiverem a pensar em ler um livro seu, pela primeira vez, qual aconselha e porquê?

RMR – O próximo. Porque já me despedi dos que escrevi há muito tempo. Já nem os reconheço. Curiosamente, quando pego neles, admiro-me de os ter escrito. Pergunto-me mesmo se fui eu que estive por trás deles. Agora a sério, vão até ao último: “Deixa que te diga” da editora Alfarroba.

L&L – Que projetos literários tem para o futuro?

RMR – Projetos, não tenho. A verdade é que não paro de escrever. Agora se quisesse editar um livro teria dificuldade em escolher entre muitíssimo material para o fazer.


Add a comment

NOVIDADES

A FRASE

À beira de um precipício só há uma maneira de andar para a frente: é dar um passo atrás.(M. de Montaigne)

PUB

Newsletter

Originais

Opinião