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Cristina Valente: "Muitas vezes não atingimos os nossos sonhos porque não os queremos assim tanto"

ENTREVISTAS - Escritores

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Cristina Valente é autora do livro “Coaching para Pais” da Editora A Esfera dos Livros, dedicado a Pais, Professores e Técnicos de Saúde Infantil. Apenas uma semana após o lançamento, em Julho passado, a obra entra diretamente para o 4º lugar do Top de vendas na Categoria Não-Ficção. Três meses depois, chega às livrarias a 2ª edição! Desde Setembro, participa no programa “Mais Mulher” (SIC Mulher) como autora da rubrica “Pais Positivos”. Psicóloga formada pelo I.S.P.A. – Instituto Superior de Psicologia Aplicada, ex-jornalista e apresentadora de televisão, Cristina Valente interessou-se pela Educação Parental e pela sua aplicação prática nos dias de hoje.

Livros & Leituras - Quem é?


Cristina Valente – Nasci em Angola e vivo em Paço de Arcos (Lisboa, Portugal) com os meus dois filhos, perto da praia. A minha paixão são os cavalos. A Psicologia. E o Empreendedorismo Digital. Licenciei-me pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA) e desenvolvi um Projecto de Educação Parental a que chamei "Como Educar Crianças Responsáveis e Positivas" com o qual intervim (na minha prática de counselling, de palestrante e de formadora) junto de Pais, Professores, Pediatras e Enfermeiras Pediátricas. Sou autora de uma obra (“Coaching para Pais”, da Editora A Esfera dos Livros) dedicado a Pais, Professores e Técnicos de Saúde Infantil. Apenas uma semana após o lançamento, em Julho passado, a obra entrou diretamente para o 4º lugar do Top de vendas na Categoria Não-Ficção. E quatro meses depois, chegou às livrarias a 2ª edição. Sou autora também de uma outra dedicada a novos negócios digitais de empreendedorismo (“O Facilitador”, da Editor Mahatma Edições) projeto que desenvolvo e que ajuda qualquer cidadão comum a transformar-se num empresário de sucesso. Fui Editora, Apresentadora e Jornalista de Televisão nas Áreas do Entretenimento, Educação e Cultura em vários canais nacionais: RTP, RPT/Açores, Canal de Notícias de Lisboa (actual SIC Notícias) e TVI. Na ZON estive ligada às Áreas de Formação & Desenvolvimento e de Responsabilidade Social.


L&L - Como e quando começou a interessar-se por literatura? 

CV – Leio desde muito pequenina. Acabei por ter que usar óculos a partir dos oito anos, alegadamente pelo tempo que gastava a ler os meus livros de criança.

L&L - Por que motivo resolveu escrever livros?

CV – Na verdade, não fui eu que fui ter com o mundo dos livros mas sim o contrário. Nas minhas sessões de Parenting Coaching, muitos pais, professores e pediatras perguntavam-me se tinha livros da minha autoria que pudesse indicar-lhes. Não tinha nem era esse o meu foco. Mas a verdade é que no exacto mês em que decidi despedir-me da empresa onde trabalhava acabei por receber um convite totalmente inesperado por parte da editora-chefe da Esfera dos Livros, Sofia Monteiro, depois de saber da existência das sessões para pais que realizo no El Corte Inglés de Lisboa.


L&L - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

CV – Adorei escrever ambos os livros. Ambos têm mensagens muito fortes sobre superação e fala sobre os verdadeiros desafios na vida: “Coaching para Pais” fala de como poderemos tornar-nos melhores seres humanos para podermos ser melhores pais; “O Facilitador” fala de novos veículos económicos que permitem a qualquer pessoa alcançar os seus sonhos.


L&L - Em que é que se inspira para escrever um livro?

CV – No livro “Coaching para Pais” inspirei-me na minha própria experiência de mãe, na experiência de maternidade da minha avó, a quem dedico o livro e nos casos reais de muitos pais e mães que fui conhecendo e acompanhando ao longo destes anos. Quanto ao “O Facilitador” inspirei-me na vida real de um homem que há dois anos atrás não tinha um tostão e uma dívida de 200.00 euros de um empresa sua que faliu e que hoje é um milionário que criou um verdadeiro movimento de “milionários com propósito”. Neste livro estão também testemunhos de algumas pessoas que fazem parte do movimento (entre as quais eu própria) que têm histórias de superação de vida absolutamente poderosas e inspiradoras.


L&L - Se não fosse escritor, o que gostava de ser? 

CV – Eu sou e gosto de ser muitas coisas. A recente experiência de escritora fascinou-me. Adoro a ideia de poder inspirar e ajudar outras pessoas através da leitura e dos livros. Mas também adoro a minha profissão de psicóloga (coach parental) e de poder ajudar outras mães e pais a melhorarem a sua relação com os seus filhos. E também já não vivo sem este Projecto de Empreendedorismo Digital em que sou Mentora de famílias de sucesso.


L&L - Quais são seus autores preferidos? 

CV – Adoro Jim Rohn, Brian Tracy, Robert Kyosaki, Tony Robbins, Zig Ziglar e Scott Peck…e o português Eça de Queiroz.


L&L - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor? 

CV – O mesmo conselho que dou a todas as pessoas que querem realizar os seus sonhos e que me escolhem como Mentora: em primeiro lugar, que descubra realmente o que ambiciona ser, ter e fazer…porque para o conseguir vai ter que desejá-lo intensamente! Muitas vezes não atingimos os nossos sonhos porque afinal não os queremos assim tanto…nem sempre estamos dispostos a pagar o preço. Em segundo lugar; em ser persistente, focar toda a sua energia para esse sonho e não se desviar um milímetro. Ah…e entretanto ir trabalhando muito!


L&L - Para quando um novo projeto editorial?

CV – Tenho a certeza que em breve estarei a lançar um novo livro.




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Domingas Monte: "Sinto a necessidade e a urgência em escrever para expelir sentimentos"

ENTREVISTAS - Escritores

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Domingas Monte nasceu em Angola, em 1982, no Uíge. Foi aí que iniciou os seus estudos primários, que acabou por terminar em Luanda onde fez, ainda, o secundário, o Puniv completo e se licenciou em Línguas e Literaturas Africanas, pela Universidade Agostinho Neto. Obteve o grau de Mestre em Estudos Literários Culturais e Interartes (Faculdade de Letras de Universidade do Porto) com a tese: “Tradições Nacionais e Identidades: Recolha e Estudo de Canções Festivas e de óbito Kongo e Ovimbundu”. Começou por ser professora do ensino primário, depois do ensino médio e, atualmente, é professora do ensino universitário, na Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto, no Departamento de Línguas e Literaturas Angolanas. Também desempenhou as funções de secretária, jornalista da Rádio LAC, locutora, entre outras. Orgulhosa das suas raízes, criou o Blogue, Mwelo Weto, do qual é, também, administradora. Este blogue é dedicado a Africa, em geral, particularizando, contudo, o lado angolano, a sua língua, cultura, literatura e tradições. Como hobbies, além da leitura e da escrita, tem a fotografia e a guitarra. Vem sendo uma presença cada vez mais assídua em congressos, jornadas e encontros sobre a cultura africana e a literatura. É coautora do romance interativo “O cruzeiro da morte” e das antologias “Sonhos sem fronteiras” e “O Perfume”. Tem, ainda, poemas publicados na coleção “Crónicas e Contos El Dorado” e um conto na Antologia de Poesia e Prosa “Ate de Viver”, ambos da Celeiro de Escritores do Brasil. Publicou, recentemente, o livro infantil “O Gelado de Múkua da Mamita”.

Livros & Leituras – Que significado tem para si o ato de escrever e a partir de que altura este se tornou “profissional”?

Domingas Monte – Escrever, para mim, tem um significado vital, porque, às vezes, sinto a necessidade e a urgência em escrever para expelir sentimentos, vontades, tormentos, frustrações, sonhos, etc., como se a caneta e o papel fossem o ar que eu preciso para me manter feliz. A escrita tornou-se uma profissão muito cedo, na adolescência, mesmo não tendo uma noção clara disso, eu já era profissional, pois nessa altura escrevia muito.

L&L – É preciso ser um bom leitor para se ser um bom escritor?

DM – Não necessariamente, é preciso ter-se talento e trabalhar afincadamente para tal. Porém, ser bom leitor ajuda-nos a evoluir e a afinar algumas técnicas e procedimentos para atingirmos altos voos e estar ao nível de grandes escritores e corresponder às expetativas dos leitores, que, a cada dia que passa, se tornam mais exigentes.

L&L – O seu trabalho é versátil ou, pelo contrário, tem um estilo muito próprio e facilmente identificável pelos leitores?

DM – Sou versátil.

L&L – Áreas como, por exemplo, a ilustração e a música têm vindo a afirmar-se na sua relação com a Literatura. Como encara esse facto?

DM – Para mim, é fundamental na medida em que essa relação tem vindo, de alguma forma, a contribuir no enriquecimento da literatura, porque com elas conseguimos dar mais expressividade à nossa escrita e nos aproximam mais dos leitores. Por exemplo, as ilustrações são de grande valia para transmitir e descodificar as mensagens que se passam aos mais novos.

L&L – A tradição oral representa, nalguns países da lusofonia, uma importante marca de identidade cultural. A globalização e a dificuldade em editar podem ser uma ameaça à perda desse património?

DM – Sim, tem sido uma grande ameaça, e nos grandes centros urbanos desses países os valores culturais têm sido trocados por valores ocidentais, que não correspondem à nossa tradição. Ainda assim, tem sido preservada e legada às gerações futuras pelos mais velhos, considerados os guardiões da tradição oral.

L&L – A Língua Portuguesa é uma mais-valia no panorama literário mundial?

DM – Evidentemente que sim, e ao longo dos tempos vem-se afirmando no panorama literário mundial, ganhando, com isso, através dos seus grandes escritores, o seu espaço.

L&L – Quais os seus escritores lusófonos favoritos e porquê?

DM – Agostinho Neto, Pepetela, Mia Couto, Florbela Espanca, Sophia de Melo Breyner, José Saramago, Nuno Júdice, Mário Quintana, Rubem Fonseca, Adélia Prado...

L&L – Ao nível da Literatura, que medidas poderão ser implementadas para que o universo lusófono seja uma realidade mais coesa entre escritores de diferentes nacionalidades?

DM – A realização de fóruns e encontros periódicos nos diversos países.

L&L – A Internet e os recentes suportes informáticos contribuem para o reforço e promoção do seu trabalho?

DM – Sim e em larga escala. É muito gratificante para mim.

L&L – Qual o maior desafio que já enfrentou ou que gostaria de enfrentar em termos profissionais?

DM – Gostava de escrever um romance. Algo que para mim é ainda de difícil execução. Tenho alguns romances desenhados na minha cabeça, mas não consigo, de imediato, passá-los ao papel.

*Entrevista realizada no âmbito do “Munda Lusófono – 1.º Encontro Literário de Montemor-o-Velho”


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Possidónio Cachapa: "Os meus autores favoritos são todos os que resistem ao tempo"

ENTREVISTAS - Escritores

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LIVROS & LEITURAS - Quem é?

Possidónio Cachapa

L&L - Como e quando começou a interessar-se por literatura? 

PC - Desde sempre. Primeiro como leitor voraz, depois como escritor que gosta de ler.

L&L - Por que motivo resolveu escrever livros?

PC - Por duas razões: a) perceber o mundo. b) porque o melhor instrumento de comunicação que possuo é a voz. Escrita, na ocorrência.

L&L - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

PC - Gosta-se de todas por razões diferentes. “Materna Doçura” pela emoção, “O Mar por Cima” pela presença dos Açores,  “Viagem ao Coração dos Pássaros” pela escuta que me permitiu fazer da Natureza e das pessoas... E assim, sucessivamente.

L&L - Em que é que se inspira para escrever um livro?

PC - Não me inspiro. As imagens ou personagens surgem-me. E eu materializo-as, apenas,

L&L - Se não fosse escritor, o que gostava de ser? 

PC - Sou muitas outras coisas, em menor grau: professor universitário, realizador, mergulhador, pai, cozinheiro amador, corredor nas horas livres... etc, etc.

L&L - Quais são seus autores preferidos? 

PC - Todos os que resistem ao tempo. Por exemplo, Steinbeck.

L&L - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor? 

PC - Que isso não existe. A pessoa não é porque quer.  A vontade própria não conta. Mas pode sempre ficar à escuta das coisas invisíveis, do que não se conhece, do que não tem nome. E se ouvir alguma coisa e conseguir registá-la devidamente por escrito, talvez aconteça. Talvez.

L&L - Para quando um novo projeto editorial?

PC - Estou a terminar um novo romance que deve sair este ano e tenho um outro começado há muitos anos e que talvez sofra evoluções mais para o final de 2015.


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Jorge Serafim: "O livro é uma terapia extraordinária!"

Avaliação: / 1
FracoBom 

ENTREVISTAS - Escritores

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Livros & Leituras - Quem é?

Jorge Serafim - É natural de Beja. Foi funcionário da Biblioteca Municipal durante 12 anos no sector infanto-juvenil, onde exerceu funções na área da promoção do livro e da leitura. Hoje, define-se essencialmente como um contador de histórias tradicionais de todo o mundo, atividade que vem exercendo há cerca de vinte anos e que o leva percorrer o pais de norte a sul, levando a arte milenar da palavra nua e crua, deliciosa e doce, a escolas, bibliotecas públicas, centros de dia, feiras do livro, auditórios/ centros culturais, festivais de teatro. Da itinerância que constrói dia-a-dia, enquanto narrador oral, já acrescentou geografia em Espanha, Argentina, Cabo Verde, Macau, Canadá e Luxemburgo. Tem desenvolvido oficinas sobre as temáticas da narração oral e da mediação da leitura para professores, associações de pais e cursos profissionais. Como humorista, tornou-se conhecido do grande público devido à participação regular em diversos formatos televisivos, no canal SIC, na RTP1 e na RTP2. Assume-se com um esmerado cozinheiro nas artes da boa-disposição. Narrador de histórias rocambolescas onde habitam personagens caricatas, gosta de as temperar com uma pitada de absurdo e mais duas de imprevisto e depois refoga-las com muita sátira aos bons, maus e ruins costumes, não se lhe escapando nada nem ninguém pelo buraco de uma agulha. Na escrita e porque os dedos precisam de escorrer esperanças, é autor de diversas obras: “O Corvo Branco” – teatro para a infância; “O amor é Solúvel na Água” – teatro; “A.Ventura” – poesia; “A Sul de Ti” – poesia; “Estórias do Serafim” – humor; “Sonhar ao Longe” – infantil; “ A Minha Boca Parece um Deserto” – infantil e "Não há seda nas lembranças" - romance. Foi ator na companhia de teatro “Arte Pública” e ator/fundador na companhia de teatro “Lêndias D’Encantar”.

L&L - Como e quando começou a interessar-se por literatura?

JS - Não me recordo de uma data precisa, nem de um acontecimento marcante que me situe esta paixão pelos livros, pela literatura e pela escrita. Sei que desde sempre me acompanhou esta necessidade de ler, de escrever. Os livros preenchiam-me esta urgência de me isolar de todos para estar em qualquer parte. Não sendo um leitor compulsivo, sempre senti que ler era como folhear os dias da minha vida. Afinal e citando José Saramago, "Um homem só escreve com as palavras que conhece".

L&L - Por que motivo resolveu escrever livros?

JS - Por necessidade. Porque um livro arruma de uma vez por todas uma série de ideias e histórias que nos andam a desassossegar o sentido. É uma terapia extraordinária! Um livro arremata todas as pontas soltas. É como tecer um agasalho para quem escreve e para quem lê.

L&L - Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

JS - Decididamente, a última! O romance "Não há seda nas lembranças", porque qualquer pessoa ao longo da sua vida vai acumulando um manancial de historias que a vão marcando de sobremaneira. No meu caso, algumas referentes a episódios históricos ocorridos na cidade de Beja, outras são histórias de vida que ouvi contadas na primeira pessoa e que acarretam uma forte carga dramática, outras são episódios burlescos com um grande sentido de humor. Há muito, esta vontade de tecer um livro onde coubessem algumas destas narrativas. A dúvida seria como as cozinhar na mesma panela. Escrevi então um romance de homenagem à memória e sobre o poder que a mesma tem em construir afetos com o nosso património histórico, físico, social e oral. É uma estrutura que se adivinha continuar para sempre, deixando as páginas em aberto a quem as lê. Toda a narrativa é escrita dizendo, como se todos os personagens falassem diretamente com o leitor.

L&L - Em que é que se inspira para escrever um livro?

JS - Nas vivências pessoais, nos livros, nas pessoas que me rodeiam, no quotidiano. No fundo, inspiro-me na necessidade de dar voz, magia e dimensão a qualquer coisa por mais bela ou insignificante que seja. A escrita surge como uma urgência, a de me embelezar o dia-a-dia, preenchendo esta insatisfação permanente perante o que me circunda. Então escrever é dar vida a uma sombra, pintar uma angústia, alargar um sonho, denunciar uma barbárie, anunciar uma esperança, separar e fundir os corações . São as palavras a revitalizar tudo o que nos parece perdido.

L&L - Se não fosse escritor, o que gostava de ser?

JS - Técnico de higiene e limpeza só para fascistas consumados.

L&L - Quais são seus autores preferidos?

JS - Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Amin Maalouf, Eugénio de Andrade, Fernando Pessoa, Gabriel Garcia Marquez, Natália Correia, Mia Couto, António Torrado, Álvaro Magalhães, Manuel António Pina, enfim apenas alguns entre tantos outros...

L&L - Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor?

JS - Nenhum. Não me sinto apto para aconselhar os outros sobre o que pretendem fazer das suas vidas. Talvez... Se essa for a estrada, caminha nela e leva dinheiro para as portagens.

L&L - Para quando um novo projeto editorial?

JS - Talvez para o início de 2016. Ou sai poesia ou sai um livro infantil ou sai romance ou sai outra coisa qualquer. Depende do desassossego da época. Uma coisa garanto, ou será livro de folha caduca, ou virá um de folha perene. Veremos...


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Jessica Neves: “O ato de escrever é pura libertação!”

ENTREVISTAS - Escritores

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Jessica Neves nasceu a 8 de Março de 1994, em Coimbra. Descobriu o gosto pela poesia aos 17 anos de idade. Tem como motivação principal a paixão pela vida. O tema que lhe dá mais prazer escrever é o amor, destacando-se pelo seu estilo sensual e ousado. Tem participação em várias antologias poéticas. Publicou o seu primeiro livro “(Sem) Papel e Caneta, (Com) Alma e Coração”, em Julho de 2012, sob a chancela da Chiado Editora.

Livros & Leituras – Que significado tem para si o ato de escrever e a partir de que altura este se tornou “profissional”? 

Jessica Neves – O ato de escrever é pura libertação! É assim que me sinto quando escrevo. Despertei aos 17 anos para a escrita e, desde então que, foi adquirindo importância ao longo do percurso. Olhando o “antes” e o “agora”, sinto que há uma evolução gratificante. Sinto-me cada vez mais “presa” e dentro da teia das palavras e assim pretendo continuar. 

 

L&L – É preciso ser um bom leitor para se ser um bom escritor?

JN – Talvez. Penso que, essencialmente para quem faz da escrita um dos seus “lemas de vida”, há a necessidade constante da leitura, pois, estimula bastante. “Abre” a mente e coloca-nos mais além, ao nível do pensamento, do saber ser e estar, do modo como olhamos as coisas e a sociedade. Também aprendemos e crescemos com o que escrevemos, mas, sobretudo, com o que lemos.

 

L&L – O seu trabalho é versátil ou, pelo contrário, tem um estilo muito próprio e facilmente identificável pelos leitores?

JN – É versátil, na medida em que, tanto escrevo paixão, amor, como solidão ou melancolia. Ainda assim, não deixo de ter um estilo muito próprio, repleto de sensualidade, erotismo e ousadia que é realmente o meu estilo predileto e predominante.

 

 

L&L – Áreas como, por exemplo, a ilustração e a música têm vindo a afirmar-se na sua relação com a Literatura. Como encara esse facto?

JN – Sendo ambas áreas complementares, faz todo o sentido. Agrupar diferentes formas de arte é sempre uma mais-valia.

L&L – A tradição oral representa, nalguns países da lusofonia, uma importante marca de identidade cultural. A globalização e a dificuldade em editar podem ser uma ameaça à perda desse património?

JN – Podem ser ameaças, mas cabe a cada um de nós fazer a nossa parte, para que o património cultural não se perca e não morra.

L&L – A Língua Portuguesa é uma mais-valia no panorama literário mundial? 

JN – Gostaria de dizer que sim mas, tendo em conta que somos “pequeninos” acabamos por estar um pouco “limitados” por outras línguas mais influentes e globais, como a língua inglesa.

L&L – Quais os seus escritores lusófonos favoritos e porquê?

JN – Fernando Pessoa pelo desassossego, Florbela Espanca pela mestria, na construção dos sonetos, e Mia Couto pela figura incontornável que é e pelo que transmite em toda a sua escrita.

 

L&L – Ao nível da Literatura, que medidas poderão ser implementadas para que o universo lusófono seja uma realidade mais coesa entre escritores de diferentes nacionalidades?

JN – Os eventos literários onde se partilham e divulgam autores são imprescindíveis. O contacto com diferentes realidades/nacionalidades é sempre enriquecedor. Assim sendo, tornam-se essenciais, os encontros literários.

L&L – A Internet e os recentes suportes informáticos contribuem para o reforço e promoção do seu trabalho?

JN – Sim, contribuem para a promoção e para a divulgação de uma forma simples e de rápido acesso, sendo fácil chegar às pessoas.

L&L – Qual o maior desafio que já enfrentou ou que gostaria de enfrentar em termos profissionais?

JN – O maior desafio é viver sempre apaixonada pela vida. Caminhando degrau a degrau, gostaria de, um dia mais tarde, ser reconhecida pelo que escrevo.

 

*Entrevista realizada no âmbito do “Munda Lusófono – 1º Encontro Literário de Montemor-o-Velho”


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A maior recompensa do nosso trabalho não é o que nos pagam por ele, mas aquilo em que ele nos transforma. (John Ruskin)

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