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Pedro Jardim: Se o talento não for moldado, nunca passará de um diamante em bruto

ENTREVISTAS - Escritores

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Quem é?

Chamo-me Joaquim, Pedro para os amigos, Barradas para os colegas de trabalho e Pedro Jardim enquanto escritor. Tenho 36 anos e há quem me chame o “Homem dos Sete Ofícios”. É verdade!, faço de tudo um pouco: sou chefe de polícia; sociólogo; pintor; também canto e sou escrevinhador ou escrevente, ou seja, projecto a escritor, como costumo dizer. Gosto muito daquilo que faço e não julguem que por ter assim tantas actividades que não me esmero ao máximo em todas elas. Sou um perfeccionista, muito dedicado e considero-me um lutador. Devido à minha perseverança, força de vontade e fruto de muito trabalho, hoje sou escritor residente da Chiado Editora.

Como e quando começou a interessar-se por literatura? 

Só recentemente mergulhei no mundo mágico da escrita ao escrever em 2010 a minha primeira obra literária: As Crónicas do Avô Chico – Nostalgia da minha infância no Alentejo, editado em 2011 pela Chiado Editora. Tudo nasceu quando era muito novo e ia passar as minhas férias de Verão em Vila Viçosa. Tinha cerca de cinco anos de idade e como vivia na Póvoa de Santo Adrião, quando chegava à altura das férias escolares rumava em direcção ao Alentejo. Foi desde essa altura que tudo começou quando via o meu avô Chico escrever. Em casa dos meus avós maternos descobri o fantástico, o maravilhoso, o incrível… por entre as mãos sábias do meu avô Chico, o “Chico das Maravilhas”, vi que era possível uma vida de sonho, porém ao mesmo tempo cheia de amor e carinho como só os avós sabem dar. O meu avô materno, o “Chico das Maravilhas” como era conhecido, a quem dedico a minha primeira obra literária, as Crónicas do Avô Chico, da Chiado Editora, foi a pessoa que mais me influenciou na altura e que me toldou o gosto pela escrita. À medida que fui crescendo essa necessidade foi tomando forma, engraçado!, ainda me lembro quando escrevia cartas aos meus primeiros amores. Já em relação ao interesse pelos livros, confesso que quando era mais novo não gostava muito de os ler, apenas escrevia o que me ia na alma – transportava tudo para o papel, tal como hoje faço, é certo – mas a necessidade de ler livros foi crescendo e nos dias de hoje não passo muito tempo sem ler um. 

Por que motivo resolveu escrever livros?

Devido ao falecimento do meu avô materno resolvi escrever a minha primeira obra. Foi através desse sentimento de perda que as minhas memórias falaram mais alto. Senti uma enorme vontade de passar para o papel as minhas vivências de menino já que foi a forma que arranjei de poder recordar o meu avô, já que nas páginas deste livro continua a espalhar a sua magia, aquilo que foi, aquilo que representou para mim, para os meus e para todos o quanto o conheciam. E o que sinto é que continuará vivo de alguma forma e através desta minha obra posso até dá-lo a conhecer a quem nunca o conheceu, Jardim para todos, “Chico das Maravilhas” para os amigos ou pura e tão somente, pai ou avô. Hoje escrevo outras obras porque adoro fazê-lo. Estou a apostar muito na minha formação, principalmente na escrita para crianças, todavia, já tenho uns romances na manga. Esta obra fez com que brotasse de mim esta forma de sentir, esta forma de comunicação, o escrever livros. É a minha nova paixão e nunca mais o vou deixar de fazer.

Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

As Crónicas do Avô Chico é a minha primeira obra literária e única até ao momento. É certo que já tive outras contribuições desde a sua edição: uma na Antologia de Poesia Contemporânea, Entre o Sono e o Sonho, Vol. III, da Chiado Editora, com o poema “Voo Lacerante” e outra através de um concurso literário, promovido pela Universidade do Porto, denominado Cem anos – 100 palavras em que o meu micro-conto: “O sonho do director Leonardo Coimbra” foi seleccionado para ingressar na obra literária, com o mesmo nome do concurso em causa que foi editado no início deste ano pela U. Porto Editorial. Não diria que as Crónicas do Avô Chico me deram prazer a escrever. É um livro de homenagem ao meu avô Chico e foi com muita dor que o escrevi. Desde então, a minha escrita tem fluído muito e é sobretudo, uma forma de expressar aquilo que sinto, faz-me sentir bem e adoro fazê-lo. Recentemente adorei escrever uma história infantil pelo seu significado: A Gaiola Dourada – que conta uma aventura entre um pardal e um menino – onde o primeiro terá de salvar a vida do segundo. Será o meu primeiro projecto infantil e devido a todo o trabalho que tive de fazer, à história em si, creio que tocará no coração de todos os quanto a lerem. Será editado em breve.

Em que é que se inspira para escrever um livro?

Depende. Do assunto, do público alvo… Ui! Se vissem a lista de coisas que temos de pensar quando escrevemos um livro, pelo menos num projecto mais profundo, consciente e reflectido: nem queiram saber. Daqui a pouco já desenrolo a lista completa – preparem-se, vai ser longa! Não basta ter uma imaginação fértil. Considero ser a parte mais fácil da história. A minha inspiração assemelha-se por vezes a uma fonte: está sempre a jorrar água. Mas há que lhe deitar mão e não deixar que se perca de alguma forma. Claro! Sempre com as ferramentas certas e os caminhos mais acertados – a questão da moral, das personagens, sua caracterização, tempo físico e emocional, como contar, ritmo, etc. Penso em muita coisa, imagino ainda mais e inspiro-me em tudo, no real e no irreal. Imaginem uma nova fórmula de ver as coisas, o de virar o mundo de pernas para o ar ou vê-lo através do microscópio: é bem diferente, não é? Não tenho um local preferido onde escrever, não tenho uma musa, uma ninfa do Tejo como Camões, não! Pego no teclado do computador e ele não escreve, não digita, ele transfere isso sim, o que penso, imagino e crio.

Se não fosse escritor, o que gostava de ser? 

Esta questão é engraçada! Sendo chefe de polícia, sociólogo, pintor, cantor nas horas vagas e escritor… não sei sinceramente: talvez astronauta! Quem sabe um dia não conseguirei realizar o meu sonho. Viajo tanto no mundo da fantasia que um dia aterro na Lua. Gosto muito do EU que sou. Tenho muito que percorrer, sou um jovem, tenho 36 anos de idade como referi e muito caminho a desbravar e espero que gostem daquilo que escrevo, daquilo que vos quero transmitir. Sou um sonhador e como sabem no mundo mágico dos nossos sonhos podemos ser tudo aquilo que desejarmos. Talvez seja por isso que adoro escrever para os mais novos.

Quais são seus autores preferidos? 

Como jovem escritor tenho algumas referências como Mia Couto, José Luís Peixoto ou João Tordo. Já no campo infantil, tenho como pilares a minha, agora amiga, Margarida Fonseca Santos que conta com uma vasta obra no mundo infantil e também Luísa da Fortes Cunha que através da Teodora nos vai dando a conhecer, os mitos e as lendas portuguesas. São autores fantásticos e apesar de vivermos num país tão pequeno, o seu valor é inegável. E estes são apenas alguns exemplos claros de sucesso quer em Portugal ou no estrangeiro, já que muitos outros há actualmente. 

Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor? 

Não é fácil ser escrevente, ou projecto a… um dia ambicionar ser considerado escritor. É muito difícil e tem de se lutar muito para se ter alguma visibilidade ou mesmo ter uma obra que não seja mais uma, que de certa forma marque algum tipo de diferença. Hoje em dia há muitas ferramentas, muitos cursos que há uns anos atrás não existiam. Eu tenho apostado na formação em escrita criativa e é uma mais-valia quando queremos fazer uma coisa mais séria. Todos nós podemos ter imaginação, inspiração, contudo, as tais ferramentas de que falava – para não deixar entornar a água da fonte da inspiração, tal como referi – é fundamental. Porque o talento pode existir, mas se não for moldado, lapidado, nunca deixará de ser apenas um diamante em bruto. É esse o meu conselho, apostem na vossa formação e tentem editar livros com editoras com alguma referência de mercado. Não digo as melhores, mas sim aquelas que se preocupem com os autores e que os ajudem a dar os primeiros passos no mundo literário. Se o fizerem, façam-no para marcar diferença, senão correm o risco de serem mais um dos autores que investe sem retorno e que apenas escreve um livro e que está lá atrás e nas prateleiras mais altas de todas, inacessíveis. Contudo, nunca devem desistir sobretudo dos vossos sonhos e lutem muito por eles, são eles que nos mantém vivos.

Para quando um novo projecto editorial?

A minha vida de escritor não fica por aqui e esta minha obra, as Crónicas do Avô Chico, da Chiado Editora, que já está na segunda edição (consegui atingi-la em cerca de seis meses da obra estar no mercado) não será apenas a primeira. Nunca pensei ter o reconhecimento que tenho tido com esta minha singela homenagem, os sítios onde já fui, as entrevistas que já cedi, tem sido um mundo de descoberta. Até já tenho o livro no Brasil, vejam bem! É um grande orgulho e espero que possa despertar o vosso interesse nesta minha obra literária. É apenas o início de algo que quero construir aos poucos. Estou a ter formação, como indiquei na área da escrita para crianças e estou a aprender imenso com uma pessoa muito especial, a escritora Margarida Fonseca Santos. Brevemente editarei o meu segundo livro das crónicas: Crónicas do Avô Chico – A Senhora da Tapada, pela Chiado Editora que sairá em breve. Tenho também um projecto infantil: A Gaiola Dourada que já vos falei, que será editada este ano, espero, lá mais para o final deste ano. Tenho em mente alguns romances, dois deles já começaram a tomar forma: um romance policial e um juvenil. E não me fico por aqui, tenho também um projecto de poesia arquitectado, bem como, inúmeros projectos infantis. E aqui deixo um convite aos leitores da vossa revista para que possam acompanhar os meus projectos através do facebook, ou até solicitar algum exemplar da minha obra, basta para isso pesquisarem pelo meu nome: Pedro Jardim. Aí ficarão a conhecer a minha “obra”. O que pretendo é, nomeadamente e no futuro, dar o meu melhor para que possa ir mais além e dar um contributo positivo pela nossa cultura e pela nossa língua.

http://www.chiadoeditora.com/index.php?page=shop.product_details&category_id=0&flypage=flypage.tpl&product_id=362&option=com_virtuemart&Itemid=&vmcchk=1&Itemid=1

Comentários   

 
+6 #2 Pedro Jardim 23-07-2012 10:08
Olá, Manuel Pedro,

Obrigado pelas suas palavras e espero que possa ler e perder-se nas páginas do meu livro e quando ligo perder-se: digo deambular entre sentimentos nobres, puros e genuínos. Um livro que nos fará recordar aquilo que fomos e a nossa infância.

Um enorme abraço,

Pedro Jardim
 
 
+7 #1 Manuel Pedro 23-07-2012 09:07
Bom dia! Tinha visto o Pedro Jardim na televisão e fiquei impressionado com a sua polivalência. O livro que publicou é uma verdadeira e bonita homenagem ao avô. Parabéns!
 

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