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Danúbio de Claudio Magris

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Reportagem, história, memória, actualidade, arquitectura, urbanismo, ciência, filosofia, literatura, ironia, poesia, geografia, humor, crónica, política, petite histoire, anedota, quotidiano, mito, transcendência, vida, trágico, morte, pensamento, pensamento novo, original. Numa lógica associativa, cujo eixo é o rio.

 

As águas moventes do rio sacodem fronteiras e conotam mistura, diálogo. Entre nascente e foz, que sentido o da corrente? O paradoxo de, ao viajarmos para o fim, nos aproximarmos do princípio.

 

Um livro para ler, como quem desce um rio. Uma leitura-viagem, para nos deixarmos levar pela corrente do livro, pelas suas mudanças de fluxo, pela variedade das suas margens, das suas profundidades, do seu caudal. Não, para controlarmos a leitura e a dominarmos, mas para nela mergulharmos, deixando-nos surpreender ou reconhecer ou comover. Para ler sem stress, sem horário. Neste livro, o espaço anula o tempo: em cada lugar podemos escolher entre diferentes sedimentos de história. O lugar movente que é um rio anula o movimento imparável do tempo e, em cada ponto da corrente, que sempre foi passando, colhemos vários tempos.

 

Leitura-viagem.

 

Mesmo quando viajamos em grupo, cada viajante faz a sua viagem, tem o seu ritmo, o seu andamento, faz as suas pausas…

 

Eu paro aqui: «Talvez toda a viagem se oriente para a origem, em busca do seu próprio rosto e do fiat que o trouxe do nada.»

 

E deixo-me ficar a olhar o rio, a olhar o livro, a pensar…

 

A FRASE

Tudo no fim dá certo; se não der certo, é porque não chegou ao fim.(Autor Desconhecido)

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